Publicado por: Wally | Quarta-feira, Maio 14, 2008

Os últimos vistos em DVD


Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida5 Stars
[de Steven Spielberg, 1981]

A música sensacional de John Williams não é o único elemento inesquecível e apaixonante, neste que é provavelmente a maior aventura do cinema, no sentido de importância, originalidade e claro, para a época, grandiosidade. Spielberg não realiza apenas entretenimento feroz, sólido e memorável, mas molda um estilo, além de criar um personagem que será eternizado pelo cinema, inserindo a audiência no meio de lutas exhilirantes e armadilhas tensas, que conduzidas pela direção focada e inventiva de Spielberg, se torna um verdadeiro deleite, tanto para os olhos, os ouvidos e uma imensa satisfação para as emoções. É à moda antiga, e os efeitos comparados aos de hoje são pobres. Porém, por trás disso tudo existe uma magia profunda e singela. E acima de tudo, alma. É o que falta na maioria dos filmes do gênero hoje em dia. Talvez porque este filme seja apoiado completamente na criatividade de seu roteirista e na imaginação de seu diretor. O uso de efeitos especiais é pouco, se tornando visualmente espetácular simplesmente por causa do uso brilhante da montagem e – principalmente – da fotografia. Não podemos esquecer claro, do espirituoso elenco, em completa sincronia. Pena que o fim chega rápido demais.


C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor 4 Stars
[Jean Marc Vallée, 2005]

Uma surpresa extremamente agradável, esse filme canadense estreiou no Brasil há dois anos mas passou completamente despercebido por mim. Ao conferi-lo recentemente, me deparei com um excelente drama bem humorado e imensamente original sobre uma família enfrentando problemas do dia a dia durante as loucuras dos anos 70 e 80, tudo visto pelos olhos de um garoto estranho, do qual pode espelhar um pouco de nós mesmos, perdido em seus sentimentos e em contradição com sí mesmo, modificado por valores e por convenções, sufocado pelo conservadorismo e libertado pela arte. Além de original em seu roteiro e completamente criativo – e contundente – com sua narrativa ao utilizar humor negro e fatores autênticos sempre geniais, o filme é um belo exercício em drama. Mesmo indo aos confins e explorando de forma madura e competente as engrenagens por trás dos sentimentos humanos, nunca perde o rumo, o humor, ou a vivacidade, que ganha contornos sensacionais com a trilha sonora perfeita em todos os sentidos. O elenco é outro fator verdadeiramente essêncial para o funcionamento dos brilhantes personagens.


Indiana Jones e o Templo da Perdição 4 Stars
[de Steven Spielberg, 1984]

Mesmo que não tão brilhante quanto o original, eis aqui uma sequência considerávelmente corajosa, que tinha tudo para dar errado mas se saiu vitoriosa justamente por causa das virtudes de seu antecessor: criatividade e imaginação. Além de, claro, magia e um grande senso de escapismo. Minha ressalvas quanto ao filme desta vez ficam por conta do roteiro, que apesar de ter começado ágil e super divertido, não estabeleceu uma ligação coerente ou satisfatória com o filme anterior. Além disso, alguns elementos implausíveis no roteiro que, apesar de não incomodarem, chamam a atenção. Mas basta, o filme é tão divertido, engraçado, mágico e exhilirante, que logo esquecemos de toda e qualquer falha. A tensão é grande, a adrenalina é mil e sempre estamos ao lado do carismático Indy de Harrison Ford e os coadjuvantes exclentes, extremamente cômicos. Uma pérola, e uma que será dificilmente esquecida por suas cenas antalógicas, quase tão marcantes quanto as do antecessor.


Indiana Jones e a Última Cruzada 4 Stars
[de Steven Spielberg, 1989]

Esse suposto “fim” para a série não poupou esforços e Spielberg realizou mais uma grande aventura, cujas cenas de ação estão melhor, o visual sofreu grandes melhoras e o elenco, mais uma vez, especial, com a inclusão perfeita de Sean Connery, que cria excelente química como o pai de Indy. Percebe-se, portanto, que havia sido o momento certo de terminar a série, visto que poderia se tornar algo batido e cansado, algo que já nascia nas bordas desse capítulo, que apesar das falhas, é tão divertido e memorável entretenimento quanto os outros. É impossível não rir, ficar tenso e, conseqüentemente, se divertir. A idéia de explorar o passado de Indiana e sua primeira aventura foi ótima e alguns truques de direção geniais de Spielberg ainda são “copiados” descaradamente hoje em dia. Não como homages, mas como influências mesmo. É nesse episódio que percebemos a tamanha importância desses filmes para a sétima arte. Enfim, extremamente prazeroso e completamente irresistível entretenimento.


Akira 4 Stars
[de Katsuhiro Ôtomo, 1988]

Tem muitos filmes que merecem ser vistos apenas uma vez, outros nenhuma, e alguns, como Akira, merecem intermináveis revisões. Complexo, detalhista e de inúmeras camadas e reflexões, eis aqui a animação que revolucionou o gênero e ainda hoje influencia não só animações, mas ficções. Durante minha primeira visita ao consagrado filme, fui completamente instigado pela trama, que cerca não só os mistérios sobrenatuais e nada humanos que o futuro nos reserva, mas realiza, com isso, uma dura crítica não só à mecanização e à evolução do homem, mas atinge em cheio o mundo do poder, manipulador e controlador. É um filme que quer falar mil coisas, e consegue de forma genuína, e com grande estilo. Possuindo ação inovadora, e um visual que parece saído de meus mais loucos e selvagens sonhos, é entretenimento certo e a viagem fica com você bem depois que o filme termina. Isso que é cinema. Valores o suficiente não só para entreter, mas fascinar, impressionar. Mesmo assim, ainda não compreendi todas as intenções do longa.

OBS: Infelizmente, pela falta de tempo e disponibilidade, precisarei interromper o Cine Pulp. Recomeçarei, portanto, a seção habitual do Cine Vita de últimos filmes conferidos em DVD. Pelo menos por enquanto. A verdade é que percebi que estava precisando assistir maior quantidade de filmes, e diminuir o trabalho na net ajudaria consideravelmente. MAIS 5 FILMES DEPOIS DO PULO ;)


A Última Hora 3 Stars
[de Nadia Conners & Leila Conners Petersen, 2007]

Completamente bem intencionado e formal, esse documentário segue as trilhas de “Uma Verdade Inconveniente” e, apesar de muito inferior ao filme de Al Gore, é igualmente importante e satisfatório no sentido de informar e concientizar. Alias, a abordagem aqui foi muito interessante e algumas vão até além das expostas no outro documentário. No final, todos querem dizer a mesma coisa, e não precisa-se assistir a ambos, mas é interessante testemunhar, por exemplo, alguns depoimentos detalhistas que impressionam, ou algumas abordagens bastante criativas acerca da décima-primeira hora da humanidade, um momento decisivo onde precisamos acordar e fazer o que tem que ser feito. Narrado por Leonardo DiCaprio, boas intenções é o que não faltam, mas ajudaria se não fosse tão convencional e – mesmo que tenha apenas 90 e poucos minutos – não chama a atenção por toda a projeção. É ainda melhor visto no conforto de casa, abordado descompromissadamente e com apenas o intuito de ser informado. Não irá te fascinar, mas convence, bastante. A música ao final, de Coldplay, é imensamente significativa ao que o filme tem a dizer.


The Eye – A Herança 3 Stars
[de Oxide Pang Chun & Danny Pang, 2002]

Meu gosto para cinema mudou considerávelmente de dois anos para cá. Na época, lembro de ter adorado este oriental, mas hoje, não veja nada mais que apenas um bom, talvez descartável suspense. Como a maioria vindo do oriente, o filme carrega uma forte aura de amedrontamento, e isto é essêncial. A partir disso, cria válidos sustos e momentos de eficiente horror. Mas entre tudo isso, uma montagem irritante, acompanhada pela fotografia que visa ser frenética, se tornando sem sentido ou coerência. Isso sem contar a trilha sonora, que não só deixa de ajudar ao acumular suspense, mas atrapalha, por chamar a atenção e desvia-la do foco. Alguns momentos do filme também se revelam pura melancólia e melodrama, bem desnecessário ao meu ver. Poderiam ter sido mais maduros ao tratar os personagens e suas emoções, principalmente por que a construção da personagem principal funciona, mas se torna difícil muitas vezes acreditar em seus sentimentos. Mas o mistério do filme envolve, o clima predomina até o fim e até o desfecho nos mantém seguros, em um clímax que visa ser poético e quase chega lá, se não fosse pela imaturidade da direção. O filme se revela até um pouco irônico ao seu desfecho, visto que sua personagem vivia iluminada na escuridão e depois, assombrada à luz do dia. Uma boa idéia, com boas execuções, e outras muito péssimas. Poderia ser melhor, mas basta.


Gol! – O Sonho Impossível 3 Stars
[de Danny Cannon, 2005]

Filme mais formuláico que esse é bem difícil de achar. O filme começa e sabemos o fim, o personagem se apresenta e sabemos tudo que irá acontecer a ele, o que irá passar, como seu pai vai ser, alguém vai aparecer para lhe ajudar, se meterá em encrenca, depois terá um dilema, depois um romance, depois uma decepção e finalmente, a vitória. Tudo acontece aqui na medida certa, o que não é elogio. Porém, algo no filme conseguiu me cativar. Talvez a paixão com a qual a história é contada, contando com uma fotografia excelente e aspectos técnicos bem satisfatórios, incluindo trilha. O elenco é bem mediano, mas Kuno Becker merece pontos por conseguir vencer nossa simpatia apesar do personagem esteriotipado, algo que não acontece com a maioria dos outros personagens. Ou seja, o filme é cliché ao extremo. Mas toca, não sabendo explicar bem porque, mas trasmite algo especial, que não me fez odiá-lo, como seria normal e coerente. O engraçado é que odeio futebol e tinha tudo para me incomodar com o filme. Mas, apesar de calculado e todo superficial, me convenceu. É bom se abordado sem compromisso, um deleite para os olhos e inspirador, como filmes do gênero da Disney costumam ser.


A Lenda do Tesouro Perdido 3 Stars
[de Jon Turteltaub, 2004]

Completamente descartável, essa aventura fica bem entre produção hollywoodiana burocrática e desmiolada, e diversão guilty pleasure. A verdade é que se torna difícil encontrar verdadeiros valores no filme, e o máximo que consegue é entreter mesmo. Os absurdos da trama e dos enigmas até não me incomodaram, mas sim, os clichés intermináveis e os diálogos sofríveis. Sem contar os personagens comuns e batidos. Nicolas Cage no início de sua face bem pobre e desvirtuosa não traz espírito ao filme e o resto do elenco igualmente falha, visto que os bons nomes ficaram de coadjuvantes. Mas tem um visual legal, alguns revira-voltas esperados mas divertidos e escapismo, mesmo que leve, consegue divertir. Não desejo mais uma dose e já esqueci quase que completamente da sessão, mas no momento, cumpriu seu dever, algo que a maioria dos produtos falham em fazer. O filme não machucou. Isto é, pelo menos até os últimos dez minuto. Aí é outra história…


Vira-Lata 2 Stars
[de Frederik Du Chau, 2007]

Fiquei surpreso ao ver este filme por ter constatado que não se tratava de uma tragédia, como esperado. A verdade é que vemos potêncial a todo momento, mas infelizmente nada realmente decola. Entre suas virtudes, estão os bons efeitos especiais, um ou outro momento descompromissado, válidas e memoráveis homages à filmes de super-heróis, como “Homem-Aranha” e “Superman – O Retorno”. Infelizmente tudo é muito infantil e pueril, recorrendo demais ao sentimentalismo barato em todos os momentos errados. Aí entram em cena os diálogos horriveis e os clichés absurdamente chatos. A partir disso tudo que havia de bom foi condensado. Os últimos 30 minutos se revelam tão formuláicos que irritam. Porém, confesso que esperava muito pior. É um ótimo pedido para a criançada e para quem não se incomoda com formulas e desgaste, querendo apenas leve diversão.


Responses

  1. Assisti pela primeira vez, por completo, Indiana Jones e os caçadores da arca perdida no mês passado.
    Gostei muito, excelente aventura.
    Assisti semana passada O Templo da perdição e, apesar de inferior ao primeiro, ainda é bem divertido.
    A Última cruzada era o único que já tinha visto, mas vou rever antes de ver a nova aventura de Indy.
    The Eye: A herança eu achei muito bom na época que assisti.
    A lenda do tesouro perdido é uma passatempo para esquecermos depois.
    Quero rever Akira, não entendi nada quando vi há muito tempo atrás.
    Os outros não me interesso em assistir.
    Abraço!

  2. Cara, tbm quero ver os filmes do Indy antes de conferi-lo nos cinemas, para relembrar, pois já faz um bom tempinho que os vi..
    curti o trabalho do diCaprio em “A ultima hora” e quero ver se vejo esse Akira e The Eye… parecem serem ótimos

  3. Estou pensando seriamente em fazer isso que voce fez. Reassistir Indiana jone pra ir ao cinema com gosto de gás! =P

  4. Vi todos os que você viu, Wally, e que seleção maravilhosa os cinco primeiros! Sou tieti de Akira, pra mim um filme inovador não apenas no rumo das animações orientais, mas um exemplo de roteiro levado a sério. Quanto aos Indiana Jones gosto de todos no mesmo nível, mas acho que tenho um carinho especial por O Templo da Perdição (via repetidas vezes na TV). Já C.R.A.Z.Y tem a simplicidade necessária para tornar o filme uma verdadeira jóia.
    Abraço!

  5. A ‘febre’ Indy ataca em todo lado. Só que esta é uma febre boa. É sempre um prazer rever esta trilogia – que vai deixar de ser em breve – pois encerra o encanto total pela aventura. Três belos filmes. Espero que o 4º também o seja.

    Abraço.

  6. Só filmaço, hein!!! Meu favorito dos três INDIANA JONES é mesmo OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. E AKIRA é fantástico! Melhora a cada revisão.

    Abs!

  7. Se aquecendo pra estreia do novo filme do Indiana Jones, hein?;-) Engracado que vi os tres ha muito muito muito tempo, mas o que ficou mais marcado foi o segundo,lembro que quando crianca ficava assustada com aquelas cenas de sacrificio, o coracao sendo arrancado, que medo eu tinha! rsrsrsrs.. Fora aquela cena do “banquete” na residencia do maraja, inesquecivel. Ah, adoro a musiquinha de fundo, ontem vi o trailer no cinema, eh outra coisa ver o trailer na telona.. mais emocao:-) Ta pertinho a estreia!

  8. Também assisti à trilogia “Indiana Jones” nos últimos dias e o filme que eu menos gostei foi “Templo da Perdição”. O primeiro e a terceira parte são sensacionais, um ótimo entretenimento!

    “A Lenda do Tesouro Perdido” também entra nessa categoria dos bons entretenimentos. O filme diverte e é legal.

  9. Ah, o aquecimento para o dia 22 já foi feito. Agora é só esperar.

    Eu ainda não vi o terceiro…

  10. Quanto aos “Indiana Jones”, também prefiro “Os Caçadores da Arca Perdida”, que é um excelente filme do Spielberg (seu segundo melhor, na minha opinião) e que foi um pouco injustiçado no Oscar. “Templo da Perdição” é o mais fraco, já que tem algumas piadas fora de hora que me irritaram, apesar de ainda ser um ótimo filme. Os outros da lista que vi foram “C.R.A.Z.Y.” (que eu acho excelente) e “A Lenda do Tesouro Perdido” (boa diversão descompromissada). Abraço!

  11. Também estou precisando fazer maratona de “Indiana Jones”. Nunca vi nenhum, mas gostaria de ver antes do lançamento do novo.

    Um outro dessa lista que ainda quero assistir é “C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor”. Sempre vejo ele na locadora e acabo não pegando, mas qualquer dia eu pego. =D

    Sou novo por aqui, faz pouco tempo que comecei meu blog, Add o seu nos favoritos, ok?
    Flws

  12. Os outros não pude assistir ainda, mas Indiana Jones é um clássico. Como todo filme de sequencia, caiu um pouco nos posteriores, mas mesmo assim possui sua graça.

  13. Que desgraça, não vi nenhum! =P

  14. Ah, queria ter feito uma maratona Indiana Jones também, mas não rolou! :( desses aí eu não vi quase nenhum, exceto Akira, que adoro! E o C.R.A.Z.Y. me deixou ‘louco’ de curiosidade, esse final de semana eu pego. A propósito, adorei o novo header.


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