Publicado por: Wally | Quinta-feira, Maio 8, 2008

Jumper


Poder sem responsabilidade

Por conta de uma anormalidade genética, um jovem se vê possibilitado de teletransportar a qualquer local. Abandonado pela mãe e sempre excluído da sociedade, ele vive e se desenvolve em cima da habilidade, rouba e trapaceia para ter a vida que sempre quis. Até, pelo menos, saber que seu poder é usufruido por outros, e existe uma guerra que vem acontecendo há anos entre os habilidosos e aqueles que juraram exterminá-los.

Eis aqui um típico exemplar hollywoodiano, daqueles que tememos bater de frente desde que a temporada se inicia. Este chegou até bem cedo. Apesar de nunca ter esperado muito do filme, confesso que construí um pouco de confiança em cima do diretor, Doug Liman, que apesar de não ter entregue nenhum trabalho excepcional, havia realizado o ótimo “A Identidade Bourne”, e o divertimento escandaloso “Sr. e Sra. Smith”, que funcionou muito bem. Por isso, de um blockbuster aparentemente desmiolado, eu esperava algo ao menos divertido. Mas o problema de Jumper é que ele tenha se contentado em ser apenas uma idéia. As idéias são várias, a maioria funciona muito bem, e é por isso que pouco tive o que reclamar de seu início, que conseguiu introduzir razoavelmente bem o personagem principal, que conquista nossa atenção, e teve a ótima AnnaSophia Robb para encantar. Mas infelizmente o filme é só idéia. Idéias, sem execução. Ou pelo menos uma muito ruim.

O roteiro escrito a três mãos e ainda adaptado de um livro coloca as cartas na mesa e cativa o espectador, mas assim que o tal “jumper” cresce, toda a vida e a empolgação com o filme some. Talvez seja culpa da falta de talento extrema de Hayden Christensen, que constrói um personagem apático, sem carisma e desperdiça tudo que o ator que faz sua versão jovem havia conquistado. Mas a culpa não é só dele. Alias, é com isso que chego a conclusão do grande perigo de Hollywood. Dois dos roteiristas, sendo eles David S. Goyer e Jim Uhls, são os roteiristas de, respectivamente, Batman Begins e Clube da Luta. Dois excelentes filmes com roteiros ótimos. Mas em Jumper encaram a pura mediocridade, ao não conseguirem executar de forma plausível a idéia divertida e promissora, e falharem ao criar um personagem com quem nós nos importamos, algo primordial. Até em filmes de anti-heróis conseguimos nos importar com os personagens, mas em Jumper, a antipatia com David Rice é crescente e incômoda.

Às vezes penso que foi tudo uma preparação para uma continuação, onde o personagem aprenderia o que Peter Parker aprendeu bem no início de sua primeira aventura nos cinemas: “Com grande poder, vem grande responsabilidade.”. Mas mesmo se a intenção seja essa, foi uma mal estruturada e sem muito charme, onde chegamos ao ponto de nem mesmo querermos saber do destino do personagem, ou de seu romancezinho besta, que igualmente compromete o longa. E não ajuda Rachel Bilson, uma atriz que sempre me conquistou com seu charme em The O.C., se revelar tão inssosa. Em outras palavras, a estrutura de “Jumper” é extremamente falha, é previsível, possui diálogos sofríveis e seus personagens são, no mínimo, tolos e sem graça. Pelo menos temos Doug Liman no comando que, apesar de não conseguir fazer nenhum milagre, pelo menos traz descompromisso à certos momentos e se revela competente ao usar os efeitos especiais a favor de sua narrativa e não contra, como acontece na maioria das vezes. Mas infelizmente não foi o suficiente para fazer de “Jumper” mais que uma sessão completamente descartável.

Eu quase me diverti. Se não fosse pelos defeitos contínuos, as atuações sofríveis (nem mencionei a caricatura de Samuel L. Jackson e um Jamie Bell fora de lugar com seu personagem ridículo) e a falta de novidade, que ainda traz um desfecho completamente comum e insatisfatório, talvez, e apenas talvez, teria sido um bom e recomendável filme. Com um roteiro menos furado, onde os roteiristas se importariam mais com delineamento e coesão do que obviedade e demonstrações rápidas de poder com efeitos especiais, teríamos um agradável entretenimento. Mas pouco funciona aqui. A criatividade se esgota antes dos 20 primeiros minutos e até o final a única satisfação pode ser encontrada no visual, cujos efeitos não decepcionam. No final das contas, parece um bando de gente correndo atrás de…gente. Não nos importamos com ninguém e não tive interesse em tomar lados e definir heróis ou vilões. Não senti motivações coerentes, personalidade conquistadora ou pelo menos um ligamento plausível entre os tais “paladinos” com os “jumpers”. Tudo muito descartável mesmo. Sem dúvida não um filme para o cinema.

Jumper [2008]
Direção:
Doug Liman
Roteiro: David S. Goyer, Jim Uhls, Simon Kinberg; do livro de Steven Gould
Elenco: Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Rachel Bilson, Jamie Bell, AnnaSophia Robb, Diane Lane, Michael Rooker, Kristen Stewart
[Ficção, 90 minutos]


Responses

  1. Sabe aquela coisa de ir ao cinema e dar de caras com uma “Sessão da Tarde”? É, “Jumper” é tão dispensável que me lembra aqueles filmes bobos que a Globo passa todos os dias. Irrita desde o elenco à direção, sendo o que se salvou, ao meu ver, foi o roteiro, maluco mas bem original.
    Abraço!

  2. Wally, não vou dizer que a culpa seja toda de Hayden. Acho que faltou muito da parte do roteiro, como falou. A direção não foi das melhores. Deixou lacunas sem repostas e se a intenção era dizer que haveria uma continuação, foi muito mal elaborada, não conseguiram passar isso. Não o considero Sessão da Tarde, não. Mas que precisa de muita coisa pra ter se tronado uma boa estréia, isso precisava.

  3. Realmente, os efeitos e as cenas de ação são os melhores atrativos de “Jumper”. Como você bem disse, a idéia se esgota logo cedo e a gente fica assistindo a um filme sem qualquer originalidade após ele perder a graça.

    Bom final de semana!

  4. Vi o filme semana passada e achei bem fraco. O pior é que esperava algo melhor por se tratar de um projeto do Doug Liman, mas a história foi para lá de decepcionante. Salvo meu preferido Jamie Bell, o elenco está pavoroso! Nem para o DVD é um bom programa…

  5. Tudo bem, a viagem ao imaginário que Jumper proporciona é bem legal, mas o filme deixa muito a desejar.

    Abraço!

  6. Wally! não curti muito os efeitos especiais dele não, como vc curtiu.. achei muito superficiais, são bons, mas nada de novo foi apresentado… e não curto muito o ritmo dado, muitas imagens corridas, cenas rápidas, vc nem consegue acompanhar e curtir os efeitos, ehheh…
    eu achei um filme mutio mal feito, por não ter aproveitado o Samuel L. Jackson e dado um papel medíocre e muito mal desenviolvido e além de não ter abordado mais a hsitória entre os Jumpers e os paladinos… algo até que poderia render uma febre entre a garotada se fosse melhor desenvolvido…
    Basicamente concordo com tudo que vc escreveu aí, heheh
    Abraços!!!

  7. E eu vi isso no cinema… Poderia ter esperado o DVD… Achei uma bomba, Wally. Nada de bom. Só reforçou meu pessimismo atual em relação ao cinema.

    Abs! Bom fim de semana!

  8. HASUDHUSAH! Ola Wally!
    Assim, eu tava lendo sua critica e tb os coments do pessoal aqui.. vocês tem uma visão diferente, digamos que vai inteligente; vocês analisam tudo e tudo… Já eu não sei fazer tudo isso, eu apenas assisto o filme, reparo nos atoresm trilha e tals. HAUSDHSU! A visão mais longa eu não tenho!

    Acho que por isso minha opiniao foi tao diferente. eu Gostei desse filme; achei muito bom, fui ver assim que estreou no cinema pr aqui… Lembro que estava super ancioso com a estreia e nao me disapontei! Achei otima a atuação da Rachel, a trilha sonora foi demais! HUSDHUSAH! Eu gostei tb da historia… a unica coisa que nao gostei foi do personagem do Samuel L.

  9. Eu fui sem espera nada do filme e achei perfeito.
    O roteiro é perfeito
    a trilha sonora é perfeita
    os atores estão perfeitos
    sem duvidas o melhor filme do ano.

  10. […] força que exibiu em "O Resgate de um Campeão" e deixa para trás a canastrice de "Jumper" para compor um intenso personagem de uma forma muito densa. Seu personagem encontra o […]

  11. […] que exibiu em “O Resgate de um Campeão” e deixa para trás a canastrice de “Jumper” para compor um intenso personagem de uma forma muito densa. Seu personagem encontra o […]


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