Publicado por: Wally | Terça-feira, Abril 8, 2008

Elizabeth – A Era de Ouro


Decadente império de ilusões

Após sua ascenção poderosa no reino britânico, a rainha Elizabeth agora precisa mais uma vez lidar com fatores como religião e traição, ao também enfrentar perdas amorosas e de idade. Marca sua passagem sofrida até sua era de ouro, enfrentando o poder de outro império, a religiosa Espanha.

O primeiro filme de Shekhar Kapur sobre Elizabeth foi uma bela obra cinematográfica, que conseguia unir visuais e tramas para construir uma narrativa envolvente e fascinante. Foi um ótimo filme e Kapur soube usar suas peripécias visuais como meios de não glamourizar demais o filme, mas torná-lo mais instigante e poderoso, deslumbrando e conquistando. Se aquele primeiro filme falava sobre a ascenção de Elizabeth naquele mundo político-religioso como a rainha da Inglaterra definitiva, este retrata uma decadência, até sua óbvia e grande retomada, definindo sua era de ouro. A decadência de valores, do império, e também da habilidade de Kapur em poder usar o visual a seu favor, criando ilusões para a audiência. Tudo é belo visualmente neste filme e é um primor para os olhos, mas tudo parece cheio demais. No primeiro filme, tínhamos consistente narrativa, neste, uma retalhada, que sofre com subtramas bobas e desnecessárias, diálogos nem sempre convincentes e personagens coadjuvantes tolos e sem sentido. Uma verdadeira decadência.

Mas nem tudo são cravos. Uma clara e infeliz decepção, sem dúvida. O filme poderia fascinar, mas caiu no vazio em inúmeros momentos. Pelo menos envolve, além de conseguir sim informar e oferecer um estudo de personagem satisfatório acerca da rainha, algo claramente beneficiado pela excepcional performance de Cate Blanchett. É inevitável. Eis aqui uma atriz nata, cuja força não está em gritos e choros, apesar de igualmente fazer isto muito bem, mas na composição mesmo das nuances de sua personagem. Blanchett consegue fazer com que o trabalho cheio e vistoso de Kapur tenha uma alma. É o coração do filme, sem dúvida. Mas ao seu lado, do elenco, posso apenas elogiar Samantha Morton, que como Mary Stuart arrebenta, em desempenho perfeito. Pena que apareça tão pouco. Eu odeio dizer e ler que um ator foi desperdiçado em algum filme, já que trata-se não de subjulgar um ator, mas sim, do roteiro. Mas digo isso não exatamente pela Morton, mas tenho absoluta certeza que a personagem de Mary Stuart deveria ter ganho mais espaço. Teria sido mais interessante e consistente do que, por exemplo, Sir Walter Raleigh, interpretado friamente por Clive Owen. Mas a decepção não para aí. Ainda temos um sem graça Geoffrey Rush. Mas precisamos notar que são papéis super mal escritos, e os atores poderiam fazer muito pouco.

O filme, como o elenco, é cheio de altos e baixos. Mas graças a vivacidade de Blanchett e Morton, algumas passagens interessantes, um direcionamento de personagem satisfatório e claro, belos visuais, se finaliza como um bom pedido, nada mais que isso. Eu poderia muito bem dizer que seria um filme que se sairia melhor no comforto de casa, mas aí eu estaria mentindo. Não recomendaria a ninguém não ir aos cinemas simplesmente para se deliciar com a magnitude do longa, mesmo que se decepcione terrívelmente com outros aspectos – mais importantes – do filme. É algo que pode acontecer e provavelmente vai acontecer, mas eu pessoalmente não resisti à linda direção de arte, detalhada e grandiosa, o figurino premiado magnífico, cheio de glamour e vida, e claro, a fotografia. Se tem uma coisa que Kapur sabe fazer muito bem é posicionar sua câmera. A visão do palácio é sempre satisfatória e contundente, e muitas vezes até significativa. Claro que o intuito maior é provocar o deslumbramento pela grandiosidade dos cenários, mas além de banhar os olhos, convence em aspectos de direção, conseguindo envolver muito bem o espectador.

Os elogios devem parar por aí. Elizabeth – A Era de Ouro é um filme falho, de roteiro calculado demais, muitos personagens desnecessários e sem vida, além de faltar foco. Um minuto trata-se de algo e o outro de uma coisa completamente diferente, sem conexão ou clareza. E Kapur só ajuda mesmo nas questões visuais, pelo menos se saindo bem sucedido no direcionamento da personagem, que não faz com que o roteiro seja uma completa tragédia. Mas claro, ainda temos alguns valiosos diálogos, mesmo que muitos deslocados da trama e dos momentos. A verdade é que faltou criatividade à direção, que termina muito morna. Muitas vezes ao invés de consistência nos sentimos perdidos, talvez porque os próprios cineastas estão também. Mas é um filme aceitável, dentre seus limites, eu recomendaria. Mas com muita cautela.

Elizabeth: The Golden Age (2007)
Direção:
Shekhar Kapur
Roteiro: William Nicholson & Michael Hirst
Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Clive Owen, Samantha Morton, Rhys Ifans e Jordi Mollá
[Drama, 114 minutos]

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Responses

  1. Rapaz, você foi muito bondoso em dar 3 estrelas para esse filme … que decepção triste eu tive … e infelizmente que desperdicio de Samantha Morton, foi de doer … mas também o ator que fez Felipe II também foi bom, esquecesse de comentar …

    e Cate não merecia nem a pau a indicação … roubou de Jolie e olha que sou fã doente de Blanchett …

  2. Wally, eu ainda não vi. Mas te confesso aqui que não sou grande fã do primeiro ELIZABETH. Acho que Cate Blanchett deveria ter ganho o Oscar naquela ocasião e não a “bonitinha, mas ordinária” Gwyneth Paltrow.

    Mas acho um filme arrastado demais e demasiadamente político. Pelo menos, ainda bem que não foi do Oliver Stone. Já pensou??

    Abs!

  3. O filme é bem mediano mesmo.
    Acho que Jolie poderia ter sido indicada no lugar de Cate.
    Como você disse é um filme falho…

    Abraço!!!

  4. não pretendia assisitr a esse filme… tinha vontade apenas por causa do elenco, mas devido aos tantos comentários negativos e medianos a repseito dele, nem tenho mais vonatde, hehehe… acho um desperdicio de tempo ficar compreendendo como era a vida de uam rainha no século XY, hehe… não é o tipo de filme que me atraí, vale por termos mais conhecimento, sim, vale… mas, mesmo assim não me atraí nem um pouco… Cate Blanchett pode ser confundida como rainha na próxima vez que for para a Inglaterra..rs
    abraços

  5. Wally, acho que esse é um dos casos que não deveria ter continuação. Sei que Elizabeth é uma personagem rica, mas o primeiro filme é tão perfeito que eu acho que ficaria difícil superar aquilo que foi feito ali.

    De qualquer maneira, quero conferir “A Era de Ouro” por causa de Samantha Morton e Cate Blanchett, que foram unânimes e se salvaram do “desastre” que foi esse filme.

  6. Pena que não estreou nos cinemas daqui – que andam dando ênfase (como sempre) em blockbusters e filmes de Oscar. Este passou longe, e vou esperar pelo dvd. Percebi que sua cotação não foi das melhores, então, acaba de aumentar as estatísticas dos amigos blogueiros que não gostrama tanto. visto será mesmo um dos grandes superestimados do ano.
    Abraço!

  7. Uma grande produção, mas não tão grande obra cinematografica.

  8. Uma das maiores enganações dos últimos anos. De filme com enorme potencial para ser tão memorável quanto o original, acabou sendo uma das produções mais medíocres que vi nesse ano – não em termos de técnica, pois tudo é muito bonito, mas em relação à trama mesmo, de uma futilidade imensa. Para mim, só valeu pela Blanchett e pela Morton.

  9. João, as 3 estrelas foram justamente por Cate, Samantha e o visual glorioso. O resto do filme foi muito decepcionante.

    Otavio, se não gostou do primeiro, passa longe desse aqui.

    Pedro, eu adorei a performance de Cate, mesmo o filme sendo muito falho.

    Rodrigo, o pedido será melhor em DVD, apesar do visual ser de Cinema. Veja, talvez goste. Mas provavelmente não.

    Kamila, eu acho que a idéia de uma continuação foi interessante. A figura de Elizabeth é fascinante. Mas o filme é muito mal escrito e dirigido destrambelhadamente. Uma pena.

    Weiner, não é superestimado pois a crítica odiou, mas é um filme fraquíssimo, que se torna assistível pelo visual maravilhoso e os desempenhos de Blanchett e Morton.

    Isabela, palavras perfeitas para resumir a obra.

    Vinicius, enganação mesmo. O original gostei muito, mas minhas 3 estrelas são apenas de Blanchett, Morton e o visual.

    Ciao!


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