Publicado por: Wally | Segunda-feira, Março 31, 2008

Sentença de Morte

Lançamento direto em DVD
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Identidade roubada

Nick Hume é um executivo bem sucedido que mantém sua família unida, com sua mulher e dois filhos. Porém, ao dirigir seu filho mais velho de um jogo, acaba testemunhando o brutal assassinato dele nas mãos de uma gangue. O sentimento de perda se mistura ao de ódio, e Nick percebe que não existem limites quando o assunto é porger o que sua família.

Assinado por James Wan, cujos trabalhos anteriores incluem o primeiro – e valioso – Jogos Mortais e o péssimo Gritos Mortais, este novo filme não poderia deixar de ser violento e brutal, levando em conta as origens de seu cineasta. Muitos devem ter assistado à Desejo de Matar, com Charles Bronson, dos anos 70, e o mais novo filme de Jodie Foster, Valente, trouxe a tona comparações, que levavam a crer que se tratava da versão feminina de Desejo de Matar. Não tendo conferido nenhum dos filmes de Charles Bronson, posso apenas dizer que é este Sentença de Morte que têm suas origens aproximadas á da série Desejo de Matar, escrita por Brian Garfield, sendo baseado em um dos livros. Infelizmente lançado direto em DVD, o trabalho esconde valores e problemas, altos e baixos, mas no final das contas, se concretiza como um bom filme pela mensagem que passa. Entre vingança, justiça, o desejo de matar e o desejo de proteger o que é seu, a pessoa pode deixar o mais querido desprotegido, perdendo por completo sua identidade. É exatamente isso que acontece com Nick Hume, personagem vingativo atuado com talento por Kevin Bacon.

Vivendo o sonho americano, Hume vê tudo desabar com o assassinato de seu filho, perante seus olhos. Recheado de ódio e ainda lamentando, Hume participa do processo judicial e percebe que a justiça não será feita. Decide, portanto, tratar do problema sí mesmo. Mas a motivação de Hume, que o leva a cometer o ato sujo de assassinato, desencadeia uma série de problemas que tornará sua vida um inferno. Wan acertou ao ir construindo isso pouco a pouco. Apesar das inconsistências entre uma cena e outra, e o superficialismo sempre visível, Wan consegue arquitetar muitas sequências realmente admiráveis, como uma se passada em um estacionamento de carro. Em uma tomada única e longa, seguimos a fuga de Hume dos bandidos. É uma cena realmente tensa, servindo seu papel no longa. Além dela, destaco a cena de quando Hume, desesperado, vai fechando todas as janelas da casa, uma por uma, em mais uma vez uma única e longa tomada admirável. Isso sem contar um dos momentos definitivos do filme, que surpreende por ser direto e eletrizante. Tudo embalado por inspirada trilha sonora, movimentos de câmera ousados e atuações consistentes, principalmente de Bacon.

Falando em Bacon, ele é o único elemento que traz autênticidade de verdade ao personagem. Com exceção da cena onde o vemos chorando nos braços de sua mulher, após ter limpado a “sujeira” de seu corpo, o roteiro não oferece muita verossimilhança aos seus atos e muitos sentimentos. Sim ele ta desesperado e com medo, mas não passa do superficial muitas vezes. Além de que achei a transformação dele muito corrida e sem densidade, ou relevância, se tornando urgente apenas com a cena do desfecho e convicente – um pouco – por causa do desempenho intenso de Bacon. É isso. O que acaba por limitar o trabalho muitas vezes engenhoso de Wan é o sentimento de superficialismo, onde algumas cenas e personagens soam forçados demais. Junta-se a isso violência gratuita e já temos problemas o suficiente para afundar um barco. Mas no comando, Wan consegue equilibrar. Possui alguns truques úteis por debaixo da mangua, e faz de seu filme divertimento interessante, ao mesmo tempo que um conto de moralidade.

É irresistível e, com isso, recomendável. É compreensível tomar certo desgosto do filme pelo sentimento que muitas vezes provoca, mas é também compreensível admirá-lo por suas boas escolhas, tanto do roteiro e – principalmente – da direção. Não é nada revolucionário, e é um filme que será esquecido, entre tantos outros. Mas tem algo a dizer, seu diretor o diz com estilo, possui número considerável de momentos de entretenimento bravo e um desempenho honrável de Kevin Bacon, além da peformance ótima de Garret Hedlund. Por trás de todas as ressalvas, todos os problemas de construção de personagem, de violência gratuita, existe um bom filme, basta tentar olhar além do superficial – e medíocre – para ver que é um longa que merece certa atenção, mesmo que miníma.

death-sentence2.jpg

[Death Sentence, 2007]
Direção:
James Wan
Roteiro: Ian Jeffers, baseado em livro de Brian Garfield
Elenco: Kevin Bacon Garrett Hedlund Kelly Preston Jordan Garrett Aisha Tyler Stuart Lafferty John Goodman
[Thriller, 106 minutos]

No Cine Pulp: Cidade de Deus de Fernando Meirelles


Responses

  1. Oi Wally, não sei se os lançamentos do cinema por aqui está mais atrasado do que ae, mais tu já viu o filme Jumper? Por aqui estreou sexta-feira, ontem eu fui conferir!

    Nossa. o filme é muito bom! Muito bom mesmo, pra mim o unico defeito foi ele ter sido muitooo curto! Eles pderiam ter alongado alguns minutos e também i final foi um tanto simples! Estilo Eu Sou a Lenda. um excelente filme com o final Simples!

  2. Adorei esse filme, nem tanto pela história, que pode até ser considerada ja meio batida, mas que podemos tambem citar exemplo bem sucedido no caso de VALENTE (The Brave One). Mas tenho de admitir que amei a performace de Kevin Bacon, realmente vestiu o personagem.

  3. kevin bacon: faz tempo que não ouço esse nome, curto os trabalhos dele e tava sentido falta de algo mais dramatico ancorado por ele… genero que ele mais se destaca…
    espero assistir esse, na minha ultima ida as lcoadoras, não cheguei a ver esse dvd… espero encontra-lo…
    cara, eu tenho que me atualizar mais, nem sabia desse projeto dele…hehehe
    abraços, Wally!

  4. Wally, como sou fã de Charles Bronson e da série “Desejo de Matar”, já anotei aqui “Sentença de Morte” para que eu possa assistir ao filme.

    Gosto muito do Kevin Bacon, mas fiquei surpreendida mesmo com seu elogio para a performance do Garrett Hedlund. O assisti em “Quatro Irmãos” e achei-o um ator fraquíssimo.

  5. Pelo jeito será esquecido mesmo, e esse lançamento diretamente em DVD comprova isso. De qualquer forma parece ter uma trama interessante e uma boa opção para o fim de semana. Da próxima vez que eu for à locadora, com certeza irei procurar. Abraço!

  6. Nossa! Não sabia desse filme, Wally!

    Finalmente fiz o MEME dos 5 filmes subestimados.

    Abs!

  7. Lucas, eu vi Jumper e achei fraquinho. Furos demais. Mas até que tem ótimos efeitos e inspirada direção. Pena que o roteiro seja muito ruim.

    Isabela, eu prefiro Valente, mas são dois bons filmes.

    Rodrigo, procure ver o filme, vale a pena.

    Kamila, veja sim, é bom filme. E Hedlund está muito bem.

    Vinicius, procure ver. Talvez você acabe gostando.

    Otavio, é um bom filme. E fui lá ver, ta ótimo!

    Ciao!


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