Publicado por: Wally | Sexta-feira, Março 21, 2008

Juno

juno-2.jpg
Segredos do coração

Juno MacGuff acaba de ficar grávida. A jovem adolescente de 16 anos não se acha preparada para uma tarefa tão árdua e responsável como a de ser mãe, mas não deixa de amar seu amigo, Paulie Bleeker, com quem perdeu a virgindade. Não querendo ter aborto, após contar aos pais Juno decide achar um casal à procura de um filho e encontra em Vanessa e Mark aparentemente os pais perfeitos.

Juno é um clássico caso de amor. Ás vezes, torna-se complicado explicar a conexão que um pode ter com um filme. É algo que vai além de diversão ou até mesmo qualidade cinematográfica. Quando um filme não só te toca e te emociona, mas te deixa tão contagiado e se revela tão contundente que você acaba se apaixonando com ele. Foi mais ou menos isso que aconteceu entre Juno e eu. Não adianta desvendar os segredos do coração, mas o meu está especialmente ligado com esse belo filme. Além disso, é um filme que apresenta sim, diversão e – muita – qualidade cinematográfica. A originalidade de Juno é chave, trazendo algo novo e audaz para o cinema atual que sofre justamente pela falta de criatividade. A roterista Diablo Cody teve liberdade e coração o suficiente para criar personagens autênticos, diálogos excelentes e uma trama que, pela sua simplicidade, acaba emocionando, talvez justamente por retratar a vida e as relações humanas com tamanha sensibilidade e sinceridade.

Na cadeira do diretor, o também criativo e original Jason Reitman, que já havia escrito e dirigido o irônico e excelente Obrigado por Fumar. Foi uma grande revelação. Em Juno ele prova que foi uma revelação que veio para ficar. Apesar da maior parte dos méritos serem exclusivos do roteiro, sem o sensível e genuíno tratamento de Reitman, principalmente em relação aos seus personagens, não teriamos um filme tão apaixonante, cheio de energia válida e aspirações independentes, algo que provavelmente o consolida como um grande sucesso, visto que, sem grandes pretensões, se tornou a grande sensação do ano passado, e merecidamente. Como não ficar tocado pela história de Juno e claro, se divertir com seus diálogos hiper rápidos e geniais? É um filme irresistível.

As referências pops e ousadas, inteligentes e contundentes, estão todas lá. O estilo único e memorável, desde seus créditos iniciais ótimos e claro, a trilha sonora impecável, uma coleção de músicas que agrada, agrada e agrada. Poderia ouvir todas todos os dias, mas não funcionam tão bem quanto no filme. Como na cena final, com aquele maravilhoso desfecho. Um dia disse para um colega meu , adulto, de como havia gostado da cena e ele disse que não gostou, mas que eu tinha gostado por ser tão adolescente. Eu sinceramente não sei explicar exatamente o prazer que senti ao ver e ouvir Ellen Page e Michael Cera cantando uma música tão bela juntos e no final, se beijarem com uma simplicidade tão pura, mas sei que é algo que não precisa ser apreciado de acordo com faixas etárias. Basta ter seu coração aberto, e Juno abriu o meu por completo. E quando digo Juno, me refiro não só ao filme, mas à personagem, tão bem escrita que assusta. Ellen Page merece a maior parte dos méritos. A garotinha má que me arrepiou com seu desempenho revelador de MeninaMá.com agora faz uma doce, única e original garota, sentindo as coisas boas da vida e enfrentando os problemas sempre diretamente, sem enrolações. Page foi chave, ela combinou perfeitamente com Juno e entregou uma singela, honesta e inesquecível atuação, ainda criando uma química ótima com Michael Cera, e entregando diálogos bem melhor que muitas outras atrizes mais velhas e veteranos no ano. Além dela, e o ótimo Cera, destaco J.K. Simmons, muito bem no papel, e claro, Jennifer Garner, no desempenho mais recompensador de sua carreira, ela ta excelente.

Então Juno trouxe a tona os segredos do meu coração, mas no geral, investiga os segredos do coração de todos nós. Como podemos agir por impulsos e por amor ou simplesmente tentando desvender como essa coisa que nos dá vida funciona. Os personagens do filme são tão diversificados, com personalidades tão fortes e atuações tão boas que fica fácil se identificar pelo menos um pouco com algum deles. Juno retrata pessoas comuns e reais, sempre transmitindo honestidade e autênticidade, vencendo o sentimento da platéia ao mesmo tempo que pondo para for os seus. Por isso, foi difícil segurar a emoção no ponto decisivo do filme, mais para o final, onde o destino de todos os personagens são selados, pelo menos dessa trajetória da vida deles. Toca fundo mesmo, mas não por ser triste. Na verdade, chega a ser contundente, belo até, como eles enfrentam as surpresas reveladas na vida. O filme é sobre essas surpresinhas, essas coisas simples e muitas vezes complexas da vida. Dá vontade de nunca deixa-lo terminar. Juno deveria se extender interminávelmente, nos proporcionando longas horas do sentimento tão bom e apaixonante que o curto filme de Reitman, Cody e Page proporcionaram. Trata-se de um evento único no cinema, e não adianta, não consigo apontar um sério problema no filme.

juno.jpg

[Juno, 2007]
Diretor:
Jason Reitman
Roteirista: Diablo Cody
Elenco: Ellen Page Michael Cera Jennifer Garner Jason Bateman Allison Janney J.K. Simmons Olivia Thirlby Rainn Wilson
[Drama, 96 minutos]

No Cine Pulp: O Iluminado de Stanley Kubrick


Responses

  1. Wally, vc realmente amou o filme, e explicou cada detalhezinho que lhe encantou. Eu acho que o encanto/amor por um filme tem muito a ver com esse ponto que vc citou, da emocao. Se o espectador se sente emocionado, eh dificil nao se apaixonar pela obra. Alem da questao da identificacao, eh claro. Comigo, nao aconteceu nada disso. Jah a parte comica/sarcastica eu gostei, inclusive ri em varias partes. A maior surpresa do filme pra mim foi a atuacao da Jennifer Garner, que nunca mostrou tanta sensibilidade numa personagem antes. Quem diria, hein? A direcao foi um dos aspectos mais fracos ao meu ver, nao vi nada de especial na mesma. Ja a trilha sonora eh mesmo excelente.

  2. Grande wally e garnde texto… adorei, tu “defendeu” com unhas e dentes o filme expondo todos os momentos que te marcaram… ótimo… ansioso pra assistir, pena que eprdi qdo veio rpa cá, ficou só uma semaninha em cartaz aqui na minha cidade, pode?!?!
    abraços

  3. Também gosto muito do filme, mas acho que está longe de ser perfeito. Quero dizer, entendo todos os aspectos positivos que você citou (e concordo com eles), mas ainda assim não pode ser considerado algo definitivo para o gênero. De qualquer forma, 5 estrelas também.

    Abraço!

  4. Também amei de paixão, meu unico porém foi com o roteiro que as vezes é um pouco ‘verborrágico’. Mas não é nada demais. Pra mim ele é do gênero cuti-cuti assim como Pequena Miss Sunshine, filmes que eu adoro!

  5. A proposito, brigadão pelo comentário tão dedicado no meu último post.

  6. Acho que vou ser uma exceção aqui, mas não gostei tanto de Juno não. Digo, eu gostei, mas é um filme 3 estrelas para mim, o que você achou original no roteiro, eu achei um tapa buraco e uma tentativa imensa de ser inventivo, mas não é. Diablo Cody tem que escrever mais roteiros para aprender a ser realmente criativa e não só colocar 500 referencias pops por segundo.
    Ellen Page parece que interpreta a si mesma, claro que não a conheço, mas vejo uma repetição do longa anterior dela, o grande destauqe do elenco para mim é Jennifer Garner, realmente ótima. Ah, e Jason Reitman está se tornando um ótimo diretor, a cena inicial é muito bem dirigida, pena que não mantém a qualidade, a cena do parto é muito mal dirigida, enfim… 3 estrelas.

  7. Estou plenamente de acordo com você, é um filme extremamente simpático que se fixa na memória e não sai mais. Todo o elnco merece crédito, em especial Page, Cera e Simmons, mas Garner está realmente extraordinária – o melhor trabalho de sua carreira. Engraçado que meu primo disse que era um filme que só agradava adolescentes, e no fim veio-me a grande surpresa: a de que Juno trata do mundo jovem (meu mundo, só tenho 20 anos, hahaha) com uma magnificência capaz de agarrar qualquer idade.
    Nota: 9,5
    Abraço!!!!

  8. Concordo com todos seus elogios à respeito de Juno, achei incrível quase tudo no filme, exceto a direção…foi aí que Juno falhou comigo.

    7.6

    Abraço!!!

  9. Romeika, que bom que consegui te convencer e, apesar de ter achado exagero a indicação ao Oscar de Reitman, não guardo ressalvas grandes com seu trabalho. Alias, gostei bastante. E Garner realmente foi uma grata surpresa.

    Rodrigo, obrigado e veja assim que puder. É um grande filme.

    Vinicius, com certeza longe da perfeição. Mas aí que está o porém, Juno é mais, é um filme de coração. 5 estrelas sem dúvida alguma.

    Daniell, também adoro filme assim, e sabe que adorei esse detalhe do roteiro. O deixou com um sentimento único, e sem problemas, estarei sempre lá no Monolito.

    Lucas, vejo que discordamos em muita coisa. Adorei o roteiro, amei Page e gostei da direção de Reitman (mas foi exagero ser indicado ao Oscar). Acho um belíssimo filme e recebe 5 estrelas sem um pingo de dúvida.

    Weiner, que bom que concordamos bastante quanto ao filme.

    Pedro, que ótimo, mas gostei da direção. Só achei desnecessária a indicação dela ao Oscar.

    Ciao!

  10. Eu também me apaixonei por Juno. Fiquei com o coração partido no desfecho, porque foi mto lindo e pq eu queria que continuasse. Não consigo também criticar em nada. Foi paixão, sem dúvida. E a trilha sonora já é uma das favoritas. =)

  11. […] a crítica completa de Wally Soares (Cine Vita) Lista de […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: