Publicado por: Wally | Domingo, Março 16, 2008

O Rei da Califórnia

Lançamento direto em DVD
king-of-california-2.jpg
Neuroses da paternidade

Sobre a relação de pai e filha entre Charlie e Miranda, duas pessoas diferentes que precisam se encontrar para enxergarem as diferencas. Miranda, que teve que amadurecer precocemente e Charlie, o pai que foi internado em uma instiuição por causa de suas balbúrdias. Depois que sai, Miranda precisa tentar convencê-lo de que não existe um tesouro Espanhol enterrado em baixo do supermecado Costco, mesmo que Charlie insista que existe sim.

Identifição é tudo. No caso desse singelo e simples filme, ignorado por muitos e subestimado por outros, o sensível Mike Cahill, que assina o roteiro e dirige, fala sobre paternidade e a distância que pode existir entre duas pessoas pelo simples problema da falta de comunicação. Fica fácil apreciar o filme pelo roteiro original e esperto, como também a inspirada direção, mas tem tudo a ver com identificação. Quanto mais você se identificar com a história e os personagens, mais você vai se divertir. Confesso que não só me identifiquei, mas acabei gostando do filme muito mais do que o esperado. Estranho dizer isso quando se refere à um filme sobre a relação entre pai e filha. Mesmo assim, o filme tem certo valor sentimental que não posso ignorar. Deixando tudo isso de lado, ainda um bom e genuínamente orquestrado drama.

A começar, impossível ficar indiferente ao desempenho honrável de Michael Douglas como o pai neurótico, inconformado e feliz. De todos os filmes vistos com ele, declaro este como o que ele mais conseguiu se aprofundar no personagem. Douglas faz toda a diferença. Bem humorado e cheio de energia, traz algo a mais ao personagem e, consequentemente, ao filme. Sem contar a química excelente bolada entre ele e a sempre ótima, além de carismática, Evan Rachel Wood, que cai muito bem como a filha de Douglas. Os atores fazem possível ocorrer uma identificação maior com os personagens. Em outras palavras, eles elevam o valor destes, com autênticidade.

O valor do filme, porém, está em como foi conduzido. Mesmo tratando de alguns elementos batidos e outros previsíveis, Cahill surpreende ao sempre entregar algo novo. É um filme inspiradíssimo. Como Juno, é um filme cuja simplicidade te vence, mesmo que não seja tão genial quanto ele. Os diálogos soam tão sinceros e os personagens ajem como pessoas comuns, do dia a dia. De uma forma ou de outra, ocorrerá alguma identificação com a audiência, basta ela estar preparada e aceitar o filme como ele é.

Ou seja, para se divertirem e se emocionarem com esse filme, basta o encarar descompromissadamente. Sem dúvida, uma sessão gratificante e prazerosa, engraçada em momentos, comovente em outros. Faz uma análise honesta e bonita sobre acreditar no impossível, se deixar levar pelas coisas boas da vida e não ficar se agarrando ao concreto, à triste realidade. Às vezes, faz bem sonhar um pouco, descobrir um refúgio. O filme é sobre isso. Além de, claro, sobre a relação paterna neurótica sempre divertida. Cahill nunca deixa que seus personagens se tornem irritantes, mesmo discutindo e cheios de problemas pessoais, ele oferece um alivio cômico necessário e eficiente, os tornando mais divertidos e queridos. No fim das conta, mais um erro. Este filme não merecia o lançamento direto para DVD, algo que acaba fazendo ele perder seu valor, quando, na verdade, ele tem bastante para ser apreciado.

king-of-california.jpg

[King of California, 2007]
Diretor:
Mike Cahill
Roteirista: Mike Cahill
Elenco: Michael Douglas Evan Rachel Wood Willis Burks II Laura Kachergus
[Comédia, 93 minutos]

No Cine Pulp: A Bruxa de Blair de Daniel Myrick & Eduardo Sánchez


Responses

  1. Identificação é tudo mesmo. Geralmente adoro esses filmes que não ganham tanto destaque, espero me surpreender com “O Rei da Califórnia”. E só pela comparação com “Juno” acho que já vale a locação.

    Abraço!

  2. Ae, Wally… tu fez eu ter uma outra visão desse filme… tinha visto uma entrevista do Michael Douglas pro David Letterman falando desse filme e não fui muito com a cara dele, não…rs… se bem qeu a conversa foi mais com baboseiras do que do filme propriamente dito, mas só por ler a sinopse dele e ver a capa não me interesse, mas tu me deu uam outra perspectiva dele atraves da sua critica… pois é, tu comprova de que nãos e pode julagr um perfume pelo seu rotulo… tomara ue tbm não me arrependa, mas de qualquer forma pelo menos acho que devo me divertir…
    abraços

  3. Oi Wally. Mais um otimo texto feito por você; mais esse filme eu acho que seu assistisse não iria gostar; Não sei. mais acho que o estilo do filmE não me chamou a atenção!

    Mais seu texto está muito claro e de facil entendimentO!
    Passa láh?

  4. JUNO????????? Hmmm… Interessante. Ainda não vi esse. Não sabia que era bom assim…

    Bela dica, Wally!

    Abs! Boa semana!

  5. Putz, nunca tinha ouvido falar dele. Mas só pelo cartaz e pelo seu comentário, eu já tô procurando por aqui pra assistir.

  6. As opiniões sobre esse ‘Rei da Califórnia’ são tão boas que eu estou considerando a idéia de assistir ao filme.

  7. Não consigui pegar esse no cinema, mas irei locá-lo no fim de semana. Parece ser bom…

    Abraço!!!

  8. Vinicius, identificação é chave. Está bem longe de Juno, mas igualmente vence pela sua simplicidade.

    Rodrigo, procure ver, é bom e contundente.

    Lucas, se der veja, vale a pena.

    Otavio, como disse ao Vini, está longe de Juno, mas como ele, o filme te cativa pela simplicidade.

    Daniell, procura mesmo, espero que goste.

    Kamila, que bom, acho que vai gostar sim.

    Pedro, esse infelizmente não foi pros cinemas no Brasil, direto para DVD. Mas é bom sim, loca ele.

    Ciao!

  9. […] realmente brilhar como esperaríamos. Quem brilha diversamente é a versátil Evan Rachel Wood (O Rei da Califórnia), encantadora e verdadeiramente talentosa, principalmente em um momento maravilhoso se passado numa […]

  10. Cara o q tu escreveu simplesmente explica a moral do filme, filme simples divertido e emocinante também, um filme q contraria tudo oq o sistema atual quer absorvamos, sonhos, crencas e medo cada vez mais distante de nós levados pela energia elétrica, este é mais um bom filme q mostra que vale a pena ter utopias!
    abraços

  11. Desculpas por comentar tao tarde sobre o filme, mas a que eu ja comentei um filme bom e muito parecido na moral é peixe grande!!


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