Publicado por: Wally | Sexta-feira, Março 14, 2008

Cloverfield – Monstro

cloverfield.jpg
No limite da realidade

Rob está de partida para o Japão, mas deixa na cidade de Nova York amigos e um grande amor. Em sua festa de despedida ele acaba se deparando com uma tragédia verdadeiramente inesperada. Estrondos, explosões e gritos o cerca. Seu amigo Hud registrava a festa com uma câmera, e a partir disso, a tragédia e destruição de Nova York pela força de uma criatura gigantesca é vista apenas pelo olhar da câmera usada por ele.

No ano de 1999, um projeto independente feito com apenas $60 mil dólares levou milhões de pessoas ao cinema, fechando seu lucro com – pasmem – $140 milhões apenas nos Estados Unidos. Tratava-se de um terror filmado com apenas uma câmera, retratado com extremo realismo e de forma amadora. O resultado foi A Bruxa de Blair, e uma das experiências mais horripilantes que já tive ao assistir um filme. Sua intenção era retratar o medo e o mal, conseguiu com maestria. Cloverfield chega quase 10 anos depois com a mesma proposta. Um integrante do elenco administra a câmera e vemos tudo que ele vê de uma tragédia na grande cidade de Nova York. No cinema digital de hoje, de efeitos especiais, tramas manjadas e seqüências de ação batidas, é um frescor assistir, roendo as unhas, um suspense de verdade, daquele de deixar tenso de inicio ao fim. Cloverfield é vibrante. Conhecemos muito bem seus personagens no inicio e quando o Monstro chega fica impossível tirar os olhos da tela. Uma piscada pode ser fatal.

A verdade é que uma experiência cinematográfica como a de Cloverfield não é uma que se tem a oportunidade de ver todo ano, principalmente nos cinemas. O realismo é tão grande e os efeitos sonoros tão bons, que você se sente dentro do filme, vivendo a tragédia, as angústias e o terror. A ausência de trilha sonora ajuda muito. Se tivesse ficaria inverossímil. Musica mesmo só nos créditos finais. No fim, da vontade mesmo de bater palmas. Qualquer um poderia ter bolado a idéia, mas poucos a trabalhariam tão bem como em Cloverfield. Méritos do diretor Matt Reeves e de, claro, J.J. Abrams, mostrando que Lost não é a única coisa maravilhosa que sabe fazer. Roteiro é quase inexistente, sim, isso e verdade, e acabamos sentindo falta dele, obviamente, ao longo da sessão. Mas é do tipo de filme onde a direção compensa todo o resto. E o elenco, todos desconhecidos, ajudaram muito no realismo. Todos soam autênticos. Como o resto do filme.

Mas já que falamos sobre roteiro, preciso confessar que achei que a historia da jornada de heroísmo e salvação até deixou a desejar. Por isso o filme não é melhor. Funciona nesse sentido, porém, por ter bons personagens e por ter seu foco nesse momento na história de romance, que se concretiza no desfecho angustiantemente arrasador e até belo. Tirando os “I love you” de Desejo e Reparação, poucos no cinemas foram tão eficientes quanto os ditos ao final desse filme. Mas a verdade é que Cloverfield não é um filme com pretensões. Não acha que tem um bom roteiro quando não tem. Por isso funciona ainda melhor. A liberdade do diretor é visível, e ele cria uma atmosfera digna de aplausos, com seqüências que ficam na memória por um bom tempo. Sendo esse outro ponto forte de Cloverfield. A Bruxa de Blair ainda é visto, comentado e elogiado, ainda mais por ter sido influente, e o destino de Cloverfield será o mesmo. Ficará entre as obras de entretenimento catástrofe mais eficientes do cinema. Ou pelo menos espero.

Além de provocar angústia, tensão e calafrios, Cloverfield desperta também interesse. Não só pelos personagens, dos quais acabamos nos envolvendo, mas por como tudo foi realizado. Quando pensamos bem, percebemos como foi arriscado a proposta do filme que teve a pressão de lucrar horrores. E fico feliz em dizer que além de ter funcionado muito bem a idéia, teve ótimo recebimento do publico. Como os projetos de Grindhous e claro, A Bruxa de Blair, é preciso entrar na brincadeira, aceitar a premissa. Acho que com isso o publico ficará muito mais satisfeito. A verdade é que Cloverfield termina de forma obscura e triste, e achei isso extremamente corajoso para a Hollywood atual, fábrica de sonhos e finais felizes. Desde o momento que olhamos para uma cena que parece ter saído direto do 11 de Setembro, nas ruas de Nova York, o senso de medo nunca esgota. Cloverfield é sobre uma tragédia e quer entreter, mas além de ser sobre isso, e sobre amor, é mais um filme que retrata o pessimismo da realidade atual, explorado até o limite aqui. Nunca um filme de monstro, criatura que em qualquer outro filme soaria como ficção, soou tão real e imediato, urgente e divertido. Agora os Estados Unidos tem o seu Godzilla, mas mais importante, a tragédia do 11 de Setembro tem seu filme definitivo.

cloverfield-2.jpg

[Cloverfield, 2008]
Diretor:
Matt Reeves
Roteirista: Drew Goddard
Elenco: Michael Stahl-David Lizzy Caplan Jessica Lucas T.J. Miller Mike Vogel
[Thriller, 85 minutos]

No Cine Pulp: Lady Vingança de Chan-wook Park

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Responses

  1. Eai Wally, vlw pelo coment, pois é mais pelo menos tu viu um episodios de Skins! Eu ainda nao vi nenhum, o tempo está curto por aqui!… Mais logo pretendo começar a ver.

    Então pelo jeito vc gostou o filmE, ele é um que quero muito assistir, mais quando estava nos cinemas não deu tempo, entao agora estou esperando pra ver se consigo ver de outra forma! HASUDHSUD;.

    Só li os 2 primeiros paragrafos do seu post que não tinham muitos spoilers pra não estragar minha surpresa! RSRSRSRS

    Mais está otimo o texto OK!
    Atéh mais.
    VoltaHHHH!!!!

  2. É um filme sensacional, divertido, inteligente e originalíssimo. Cada segundo é repleto de adrenalina, o recurso da câmera deixa tudo ainda mais tenebroso e tenso. Um filme a ser lembrado, talvez não tanto quanto “A Bruxa de Blair”, mas de maneira bastante parecida.
    Nota: 8,0 (****)
    Abraço!

  3. Wally olha eu aqui de novo!

    Então agora estou passando pra lhe dar uma noticia! O Series é Aqui recebeu uma indicação “blogueiros que Sabem comentar”

    E como tenho que indicar mais blogs indiquei um seu tB”
    ||
    \/
    Olá, estou lhe indicando ao selo
    “Blogueiros que sabem comentar”.
    Para pegar o selo e obter mais informações, visite:
    http://blogueirosquesabemcomentar.blogspot.com/

    Da uma conferida lá”!!
    Atéh;

  4. Fazia tempo que não via um terror tão legal quanto esse. Cloverfield me surpreendeu bastante.

    7.0

    Abraço!!!

  5. Adorei Cloverfield! Estou louco pra ver de novo já, assim que sair em DVD!

  6. Wally, seu texto ficou excelente.

    “Cloverfield – Monstro” funcionou perfeitamente comigo. Acho que a obra é uma sucessão de decisões inteligentes: primeiro, o elenco desconhecido; segundo, o uso da fotografia principal como sendo as imagens feitas pelo próprio elenco. Tudo isso faz com que a gente acredite no caráter documental do filme.

    E “Cloverfield” é mesmo uma experiência que agonia e que angustia a gente. Me senti, muitas vezes, como se eu estivesse lá, em NY, com os personagens do filme.

    Bom final de semana!

  7. 4 estrelas????? Vc gostou mesmo, hein! Caramba, estou sozinho nessa???

    Abs! Bom final de semana!

  8. Lucas, não tinha spoiler não, rsrsrs, mas veja o filme sim. E obrigado pela indicação. Pena que to tendo dificuldades em colocar o selo aqui no blog.

    Weiner, concordo plenamente. Achei a experiência única.

    Pedro, exato. Poucos filmes me deixaram tão angustiados quanto esse. Tenso de inicio ao fim.

    Daniell, vejo que não estou sozinho. Não vejo a hora de rever.

    Kamila, obrigado, e é tudo isso que você disse ai mesmo. Um ótimo filme!

    Otavio, 4 mesmo, achei extremamente eficiente. Tente encarar novamente, talvez se divirta mais.

    Ciao!

  9. Cloverfield é uma daquelas experiências que renovam a nossa fé em Hollywood, que parece estar perdendo cada vez mais a criatividade e a ousadia…

  10. A comparação com “Bruxa de Blair” é bastante válida, visto que os filmes são bem semelhantes. Por isso mesmo acho que “Cloverfield” já não tem o mesmo aspecto de novidade visto no longa de terror. Também achei o final corajoso, mas sinceramente esperava mais. Entretenimento passageiro, o que sempre é bom…

  11. Fantástico, uma idéia original, com muitos efeitos e que nos faz acreditar realmente na fantasia criada pelo autor devido a forma que foi filmado. Parabéns ao diretor Matt Reeves, que promete mais suspense e terror nos proximos anos.


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