Publicado por: Wally | Domingo, Março 9, 2008

A Fúria

Lançamento direto em DVD
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A voz do silêncio

Bob Maconel está cansado de seu emprego, das pessoas ridículas que trabalham com ele e de seu insuportável chefe, entre tantos outros fatores de sua mediocre vida, como o fato de viver sozinho. Trabalha com uma arma guardada e planeja secretamente um massacre no seu trabalho. No dia que decide, um colega seu de trabalho chega primeiro e começa a matar todos. Maconal, então, ao se proteger do maníaco, o mata e termina como o grande herói da história. Mas ele não tinha idéia do que o destino reservava para ele depois disso.

Trabalhando um assunto delicado e importante, A Fúria, cujo nome original extremamente superior se traduz “Ele era um homem quieto”, chega para falar sobre aqueles típicos trabalhadores deprimidos, que vivem de rotina e são constantemente ignorados pela sociedade, criando, com isso, uma espécie de rancor, que se junta ao desespero e à depressão, formando cidadoes quietos e perigosos, como o retratado neste filme. Bob Maconel é constantemente rebaixado no seu trabalho, tratado como um animal, e é obrigado a engolir tudo, além de ter que seguir com aquela constante rotina chata. Ele tem seus sonhos: o prédio de seu trabalho explodindo e nomea cada bala que coloca em sua arma, em relação à pessoa que está destinada a atingir. Seu único amigo é um peixe, com quem conversa e discute.

Ou seja, não surpreende as ambições de Bob de querer matar todos. Sua vida monótona e solitária é extremamente vazia. Ele quer atenção. Para todos, ele é apenas o “homem quieto”. Isso me lembra um pouco o massacre de Columbine. Dois amigos, excluidos e sempre ignorados, na escola e em casa, decidem, um dia, matar todo mundo. Faz parte do psicológico humano, esta necessidade de existir. Em A Fúria, o diretor e roterista trata bem esse fator social e humano, trabalhando bem o psicológico de seu personagem, o que, no final de tudo, acaba se transformando no triunfo do filme, que por sua vez é demasiadamente morno e equivocado em momentos, mesmo que em outros saia bem sucedido como estudo. Mas o que me venceu no filme mesmo foi a surpresinha que o roteiro nos reserva perto do final. Imprevisível, sem dúvida, e satisfatório, mesmo que não executado da forma mais convincente possível. Acho que esse é o problema maior do filme. Cappello é bom roterista, mas um falho diretor que exagera no surrealismo e se perde no meio do caminho.

Mas se tem algo brilhante nesse filme, é – pasmem – o desempenho de Christian Slater. Ator que sempre considerei apático e sem graça, péssimo até, me surpreendeu com este trabalho verdadeiramente denso e admirável. Slater some na pele do personagem e nos faz acreditar em todos seus sentimentos e todas suas vontades. Um triunfo. O grande papel da carreira de um ator que sempre se revelou extremamente caricato. Ao seu lado, Elisha Cuthbert e William H. Macy não decepcionam, mesmo que em papéis curtos. Ou seja, o elenco funciona muito bem. E os personagens também. Apesar de um ou outro dialogo tolo, foi um bom trabalho de roteiro, sem duvida, ainda beneficiado pelo humor negro sempre bem-vindo.

Recomendado, A Fúria pode ser um filme falho, de direção fraca e que ultrapassa o bom senso diversas vezes, mas ele traz um estudo excelente de personagem, uma performance única de Slater e uma mensagem urgente sobre esses “homens quietos” de nossa sociedade, e como o silêncio deles pode provocar tragédias grandes e arrasadoras. Um filme que não so merece ser visto, mas servirá como um aviso na nossa sociedade alienada e capitalista, que já deixou de ser humana há um bom tempo. Precisamos aprender a evitar que mais pessoas como Bob Maconel surjam.

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[He Was a Quiet Man, 2007]
Diretor:
Frank A. Cappello
Escritor: Frank A. Cappello
Elenco: Christian Slater Elisha Cuthbert William H. Macy Jamison Jones John Gulager Sascha Knopf
[Drama, 95 minutos]

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Responses

  1. Caramba! Antes de ler o texto, eu pensei que se tratava de A FÚRIA, de Brain De Palma.

    Essas traduções nacionais…

    Abs!

  2. Wally, esse filme foi recomendado na seção de DVD da revista VEJA dessa semana. Eu fiquei muito curiosa a respeito da premissa do filme e, depois de ler seu texto, com certeza é uma obra que procurarei nas locadoras.

  3. Intrigaste-me caro Wally! Vai pra minha lista do Netmovies nesse momento! :)

  4. Na minha próxima passada na locadora vou lembrar de pegar “A Fúria” por causa do Wally.

  5. Dos lançamentos em DVD, talvez esse “A Fúria” seja um dos mais esperados por mim, mas ainda não vi por aqui. Fiquei interessado por causa do título original, compreendendo o que ele significa graças aos seus comentários. Legal saber que não foi mais uma escolha errada do Christian Slater.

    Abraço!

  6. Bom, o trailer me deixou bastante apreensivo acerca dos resultados do filme. Pareceu-me um bom tipo de produção a se conferir, e gostei dos apontamentos que fez sobre o roteiro, e também o fato de ter exposto as falhas que não chegam a torná-lo algo insuportável. Gosto de Slater e Cuthbert, embora deteste H.Macy. Vou assistir de qualquer modo, obrigado pela dica!
    Abraço!

  7. Otavio, sou louco para ver esse filme de DePalma, e realmente, essas traduções são grotescas.

    Kamila, procura sim. Apesar das falhas, um bom filme.

    Daniell, apesar de não ser grande coisa, merece ser visto sim.

    Pedro, agora fiquei com medo, rsrsrs. Mas o filme é bom sim.

    Vinicius, talvez você goste. Estranho dizer isso, mas Slater é o destaque do filme. Sempre odiei ele, mas aqui gostei muito.

    Weiner, veja sim, trata-se de um bom filme. E eu gosto bastante de H. Macy. Alias, acho que é a melhor coisa de Motoqueiros Selvagens, filme péssimo ao extremo.

    Ciao!

  8. O filme é bom mesmo.

    Espero a próxima dica hehehe!!!

    Abraço!!


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