Publicado por: Wally | Sábado, Fevereiro 23, 2008

O Gângster

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  Submundo do poder

Na América dos anos 70, enquanto Frank Lucas – um impiedoso assassino e homem de negócio – surge como o rei do império das drogas de Nova York, o detetive honesto Richie Roberts junta-se a um grupo de detetives que pretendem aniquilar o rumo que as drogas vem tomando, sem saber que Frank Lucas é seu verdadeiro antagonista.

O que mais me impressionou neste novo trabalho de Ridley Scott, um ambicioso diretor, não foi nem o elenco soberbo ou a parte técnica sensacional – apesar destes elementos ajudarem muito – mas a forma como abordou de uma forma única e convincente o sonho americano visto pelos dois lados da moeda. As figuras extremamente interessantes e bem desenvolvidas de Frank e Richie são peças para a história que Scott quer realmente contar, que é a decandencia de Nova York para as drogas, a ascenção de um novo típo de poder e o antagonismo desconhecido entre duas pessoas diferentes mas iquais, cujos destinos se entrelaçam curiosamente. O Gângster é um conto sobre pessoas em conflito em busca de uma vida mais exemplar, abordando todos os fatores sociais que cercam essas pessoas e esses conflitos.

gangster3.jpgHabilidosamente arquitetado por Scott, é um filme que fascina por não recorrer ao superficialismo ou para respostas fáceis (tirando seu desfecho, claro). Scott e o roterista Steven Zaillian capturam magníficamente a ascenção de Frank Lucas ao poder e investiga bem afundo os demonios do personagem. A primeiro cena do filme o mostra assassinando um cara à sangue frio. E é essa figurina pela qual aprendemos a observar e apreciar no decorrer do filme. Um homem impiedoso que irá a qualquer custo para garantir o seu sonho e de sua família. É uma figura que também aprendemos á odiar. E é assim que começo a valorizar o roteiro, que cria um personagem cativante, vulnerável e que instiga o ódio nas pessoas por seus atos e a consequencia destes. Em uma cena genial, Scott mostra a situação do submundo das drogas, aquele onde as pessoas se drogam até a morte. É uma cena eficiente por tratar com dignidade o horror da situação e por demonstrar, admirávelmente, em que resultaram os sonhos de Lucas.

Do outro lado da moeda, Richie Roberts, um policial honesto no meio dos podres. Acha uma mochila cheia de dinheiro e a entrega. Com isso, é zoado pela maioria. Richie tem seu sonho. Quer seu filho, primeiramente, e não quer que sua mulher o abandone. Mas Richie também não quer deixar de trabalhar e fazer com que outros sonhos não sejam danificados, ele quer tirar as sujeiras da rua. É aí que ele se difere de Frank, pois enquanto o gângster se revela extremamente egoísta, Richie é o contrário. É um cara que se importa. E essa sua dedicação é o que fará ele se aproximar de Frank. Aos poucos vamos seguindo o trajeto de ambos personagens, uma jornada abordada sem pressa e sempre focando o desenvolvimento dos personagen à trama. Os atores ajudam muito nesse sentido. Denzel Washington tem recebido toda a glória e diria que merece. É um grande ator que até hoje não teve uma atuação ruim. Retrata Frank exatamente como deveria, lembrando o que Forest Whitaker fez em O Último Rei da Escócia, um personagem magnético, charmoso, mas impiedoso e assassino. Méritos para ele. Mas Russell Crowe o consegue superar em consistencia. Crowe está fantástico e retrata o típico policial honesto em decadencia, levantando questionamentos sobre o valor de ser herói e se realmente vale a pena,  o deixa muito mais interessante do que o roteiro consegue. Além deles, outros bons e válidos nomes. Apesar de ser bom ver Cuba Gooding Jr. longe de mediocridades, ele não está exatamente bem, diria até canastrão, mas em compensação no pouco que aparece Ruby Dee deixa uma boa e válida impressão. Nada, porém, digno de Oscar.

Se enfraquecendo somente – e complementamente – em seu ato final, momento onde muda a imagem de Frank Lucas sem muito desenvolvimento ou autenticidade, o filme te deixa com uma impressão errada ao fim da sessão. Porém, tudo que acontece até ali é merecido de aplausos. O trabalho de direção de Scott é intenso e valioso, fazendo um par digno com o roteiro elaborado e denso de Steven Zaillian. É impossível, com isso, não lamentar ainda mais o rumo que o filme toma mais para frente, pois ele poderia ter sido maravilhoso, mesmo retratando uma trama um pouco datada, a força do filme vai além disso. Está em seus personagens, nas suas cruezas e em como fizeram uma certa diferença no quadro social americano. Nesse sentido, os cineastas se saem excepcional bem. Ainda destaco a montagem e a construção de época digna e altamente convincente. Scott consegue ultrapassar a barreira do longa soar datado colocando a audiencia bem no meio tornado. Foi um desastre, digamos, altamente empolgante, estilzado e sim, muito cool.

[American Gangster, 2007] Dirigido por Ridley Scott. Escrito por Steve Zaillian, baseado em artigo de Mark Jacobson. Com Denzel Washington, Russell Crowe, Chiwetel Ejiofor, Josh Brolin, Ruby Dee e Carla Gugino. [Policial, 157 minutos]

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Responses

  1. Wally, eu gostei deste filme sim, e daria a ele três estrelas (4 jamais!). Como você disse, o roteiro é previsível, e o final não é dos mais inovadores. Porém, foi bem conduzido, e conseguiu prender minha atenção nas duas horas e meia de projeção. Destaco a direção de arte afinadíssima, e as atuações de Crowe e Washington. Sobre a Ruby Dee, realmente deixou uma impressão válida, mas é inevitável que seja massacrada pelos 4 cantos da Internet; afinal, as chances da velhota ganhar o Oscar são altíssimas. Meia dúzia de cenas + tapinha no Washington não podem nunca levar alguém à melhor atuação do ano.
    Enfim, experiência divertida. Cool é mesmo a palavra ideal.
    Abraço!

  2. Wally, sua opinião é semelhante a que li no blog de Kamila, a de que o filme é bom, mas se compromete um pouco ao fim. Gostaria de ter visto no cinema (parece que saiu de cartaz:-( pelo Crowe e pelo Washington, ótimos atores que sempre surpreendem (não sou muito fã da direção do Scott).

  3. Wally, sua opinião é a mesma que a minha. O filme, enquanto se propõe a mostrar a ascensão do Frank Lucas e a investigação de Richie Roberts, é muito interessante. O que eu não gostei foi do final, que romantiza o personagem de Denzel.

    De qualquer maneira, como qualquer filme de Ridley Scott, “O Gângster” é uma obra muito bem-feita, com boas atuações e que merece ser vista.

  4. Você já deve saber que não gostei nada desse filme. Vejo que há algum esforço do elenco, mas a trama é tão mal desenvolvida que acaba prejudicando em muito o resultado. Culpa da direção frouxa do Scott e especialmente do roteiro fraquíssimo de Steve Zaillian – que final foi aquele? Abaixo do risível… E sobre a Ruby Dee eu nem comento mais.

    Abraço!

  5. Fala Wally, tudo certo?
    cara, me desapontei por não ter ido ver esse filme, principalmente pelo fato de ter o Denzel Washington e novamente a dobradinha entre o Ridley Scott e o Russell Crowe, além de toda a polêmica quanto a interpretação da Ruby Dee ser merecedora do Oscar… enfim.. perdi, agora só nas locadoras, que chegue logo..rs…
    abraços

  6. Gostei desse filme. O meu único medo é se a academia premiar a carreira de uma atriz por duas ou três cenas banais. Ruby não merece o prêmio, visto o empenho de suas concorrentes.

    Abraço!!!

  7. Weiner, é isso mesmo, e estou extremamente feliz pela Ruby ter perdido.

    Romeika, é um ótimo filme, que tem seus pecados, mas merece ser visto.

    Vinicius, o final foi risível mesmo. E graças a Deus Ruby saiu sem…

    Rodrigo, veja o filme, vale a pena.

    Pedro, ela não ganhou! E estou aliviado…

    Ciao!

  8. Wally, eu esperava muito mais desse filme. Eu gostei, mas não posso esconder que me decepcionei um pouquinho.

    Abs!


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