Publicado por: Wally | Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Eu Sou a Lenda

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  No limite do silencio

Depois que acham uma revelação que pode se tornar a cura para o cancer, uma praga mata a maior parte da população mundial. O único sobrevivente de Nova York, Robert Neville, luta para encontrar uma cura e ao mesmo tempo manter sua sanidade e sua vida, quando precisa se proteger toda noite contra os infectados, que se tornaram selvagens e famintos.

Uma de minhas muitas surpresas ao assistir ao novo longa de Smith não foi nem seu desempenho formidável, ou a falta de sequencias de ação recheada de efeitos especiais, uma especialidade para esse típo de blockbuster, mas a forma como Francis Lawrence aborda o material interessante. Acredito que nas mãos de qualquer outro diretor teria se tornado algo completamente descartável. Como por exemplo, Michael Bay. Mas Lawrence, que vem de Constantine, um filme falho mas ao mesmo tempo inventivo, consegue achar o tom perfeito para esse filme, onde vai construindo o suspense aos poucos até culminar em cenas realmente impressionantes. Mas mais que “infectados”, um mundo perdido e ação descrebrada, o filme é sobre Neville, um cara que perdeu tudo e só quer saber em tentar “reviver” o mundo.

legend3.jpgAo lado de seu cão fiel, Neville patrulha as ruas de Nova York (em tomadas incríveis e realistas) de manhã e se esconde em seu apartamente de noite. Já que Neville está alí, sozinho, há alguns anos já, o filme não investiga o impulso de qualquer ser humano em uma situação como essa: o que faria se estivesse sozinho na terra? Mas Neville tem outras coisas para se preocupar. Ele ao mesmo tempo que tenta manter a sanidade, conversando com sua cachorra e com manequins, realiza inúmeros testes em seu laboratória tentando encontrar uma solução e um porque. Algumas pessoas reclamaram da falta de informação no filme. Começa com o depoimento de uma médica informando sobre a revelação da cura do cancer e já corta para a cidade isolada e trágica. Temos apenas suposições. E eu acredito que nem Neville saiba exatamente o que aconteceu. Ao nos colocar em seu lugar, Lawrence se sai bem sucedido. Com isso, nos indentificamos mais com o drama pessoal de Neville e sua angústia de, a cada dia, ter que aguentar a solidão e toda noite, revisitar o pesadelo onde perdeu sua família. Falando nisso, achei brilhante como é mostrado, em flashbacks como em sonhos, esse momento quando ele perde sua mulher e sua filha. Somos oferecidos apenas pedaços. A cada sonho uma parte do enigma. E não querendo sensacionalizar, Lawrence nunca mostra o que realmente aconteceu, só sugere. Corajosa e admirável escolha.

Como já mencionei no início do texto, ainda temos Smith em uma performance realmente exemplar. No que é seu melhor desempenho ao lado de À Procura da Felicidade, Will mostra o quanto é um bom ator, quando lida com circumstancias desastrosas e momentos dos mais tristes. Em certa cena, ao conversar com um manequím, percebe-se o quanto ele está autentico. Ele atuou muito bem e acredito que grande mérito do filme funcionar é dele. Afinal, ele É grande parte do filme. Muito está em suas costas. Algumas cenas não funcionariam sem ele, tenho certeza. E ele fica a só, com seu cachorro, até Alice Braga chegar. A nossa brasileirinha até que não decepciona. Apesar do limitado papel, é um extremamente importante. E apesar de protagonizar uma das cenas mais defeituosas do filme, não perde seu valor como uma boa atriz. Ela representa muito mais do que parece. Tanto para Neville, quanto para a audiencia.

Finalmente chego ao visual dos monstrinhos. Sem definição exata, são uma mistura de vampiros, zumbis, infectados e sabe se lá o que. São interessantes, e isso basta. O visual deles é muito bom. Acredito que poderia ter ficado melhor. Mas é ótimo sim. Os efeitos são dignos. E como já disse, eles são meros coadjuvantes. O show é de Will Smith, dele e da paciencia de Lawrence em saber desenvolver sua história antes de mostrar os aterrorizadores, em curtas e eficientes cenas de suspense e tensão. Não é um filme de ação, para todos que procuram isso. É uma história sobre um homem que foi ao limite para garantir ao mundo a humanidade que tanto lhe fez falta. E por isso, é um ótimo filme. É silencioso, sombrio, tenso e com uma execução bem admirável. O final é discutível. Achei que terminou muito rápido e tenha ficado um tanto forçado. Com mais desenvolvimento teria ficado mais plausível. Mas nem por isso deixa de ser competente, já que é necessário e sim, é uma explicação mais que perfeita para o nome do filme.

[I Am Legend, 2007] Dirigido por Francis Lawrence. Roteiro de Mark Protosevich e Akiva Goldsman, do livro de Richard Matherson e roteiro (1971) de John William e Joyce Hooper Corrington. Com Will Smith, Alice Braga, Charlie Tahan, Willow Smith e Salli Richardson. [Ficção, 2007]

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Responses

  1. O elemento mais interessante desse filme é o fato de que as cenas de ação estão em segundo plano. Os efeitos não são assim tão grandiosos. O que importa são os personagens.

    O primeiro ato do filme é excelente, com a interação entre o Robert Neville e sua cachorra. E o filme termina da maneira que tem que ser.

  2. Não gostei muito desse filme, quero dizer, achei legal em certas partes que mostram a realidade assim como você disse. Mas, do Will sempre espero mais do que isso.

    O filme não superou minhas expectativas, mas foi divertido e o que vale mesmo é o Will e a importante participação da Alice.

    Abraço!!!

  3. Concordo com você. É um bom filme, mas só não gosto muito do fim. Espero com ansiedade pelo DVD com o final que o Francis Lawrence imaginou.

    Ah! E também concordo com sua escolha para os melhores efeitos visuais de 2007. TRANSFORMERS tem a minha torcida no Oscar.

    Abs!

  4. A primeira metade do filme é realmente ótima, se eu usasse o método de estrelas seria mais ou menos 4 estrelas, porém depois da morte de certa personagem, o filme desaba, infelizmente.

  5. É impressionante como um filme aparentemente “pipoca” conseguiu entregar um roteiro tão fascinante. É por vezes amedrontador, e discute com excelência os horrores da solidão humana. A participação de Alice Braga é um triunfo para a carreira da brasileira, e torço para que ela deslanche no mercado internacional. Aquele “Repossessing Mambo”, seu próximo projeto, deve ser uma maravilha. E sobre Will smith, o que dizer? Trabalhou muito bem, emprestou seu carisma para a projeção e conseguiu, mais uma vez, arrancar muitos elogios dos espectadores.
    Abraços.

  6. O aspecto que mais me agradou em “Eu Sou a Lenda” foi justamente a forma como o diretor conseguiu sair de uma esfera tipicamente hollywoodiana e se manter fiel à obra original (aparentemente, já que não conferi). O maior destaque (além da direção de arte e o som) é o Will Smith, em sua melhor atuação.

    Abraço!

  7. Ah… fui ver e: apenas mais um filme, essa era a sensação que me deu ao sai r da sala de cinema, nada mais, apenas mais um.

  8. Ainda não vi, mas pretendo. Parece que divide opiniões pq conheço gente que simplesmente odiou…

  9. O mais bacana de Eu Sou a Lenda pra mim foi a elegância do roteiro. Nada de diálogos expositivos revelando fatos da trama, as pessoas não ficam te explicando, você as vê fazendo coisas e entende. Além disso a estrutura em que os flashbacks foram colocados também é muito bacana, como você comentou. Você pensa o tempo todo que ele vai ter esperança, pra no momento certinho saber que não… filmaço!

  10. Kamila, concordo plenamente. Como eu disse, o fim tinha que ser aquele mesmo.

    Pedro, comigo foi o contrário. Eu não esperava nada e fui completamente surpreendido.

    Otavio, o fim foi necessário, mas achei superficial. Quero ver essa nova versão. E Transformers realmente merece.

    Lucas, o filme me segurou a sessão toda. Me decepcionei com pouquíssimos aspectos.

    Weiner, exatamente. O filme me surpreendeu por todos esses motivos que listou. Por isso, as quatro estrelas e vários elogios.

    Vinicius, tudo que disse é certo. É um filme que realmente supera as expectátivas pelas sensatas escolhas.

    Felipe, eu tive uma sensação boa vendo e saindo da sessão. Para um blockbuster, é cinema extremamente satisfatório.

    Marco, realmente dividiu opiniões. A questão é a paciencia, e claro, aceitar o filme do jeito que é, se deixar ser surpreendido pelas suas boas escolhas.

    Daniell, concordo completamente. Não diria filmaço, mas realmente é um ótimo pedaço de cinema que me entreteu muito.

    Ciao!

  11. […] Ou a noção errônea de introspecção profunda. O roteiro, escrito por Akiva Goldsman (Eu Sou a Lenda) – colaborador frequente de Howard e roteirista de “O Código Da Vinci” – e […]


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