Publicado por: Wally | Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Across the Universe

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  Em cada sonho um amor

À procura de seu pai, Jude, um jovem trabalhador da Inglaterra, muda-se para a América nos anos 60. É quando se apaixona pela fascinante Lucy, que o levará, junto com seus amigos, à lugares desconhecidos, lutando pela liberdade em uma época de repressão, onde jovens eram enviados ao Vietña.

Julie Taymor sabe o que é sonhar. Sabe o que é sentir, sabe o que é viver. E além do mais, sabe o que ouvir. Em seu imperfeito musical, Taymor utiliza canções dos The Beatles para falar sobre amor, guerra e liberdade. Como fã da banda e adorador de suas canções, foi um prato cheio, apesar de não ter gostada de algumas versões. Isso se torna irrelevante, porém, à frente de um visual tão glorioso e contundente. Com uma direção de arte impecável, existem momentos no filme de puto extase. É cinema essencialmente visual, grandiosamente belo e de encher os olhos. E o visual encontra um par perfeito com o som, já que as músicas dos The Beatles, apesar de possuirem algumas falhas versões, nunca falham ao significar algo e entregar consistencia à estória do filme.

universe3.jpgO roteiro deve ser o aspecto mais falho do filme, sem dúvida. Como eu disse, é essencialmente visual e sonoro. As músicas dos Beatles dizem tudo que o roteiro poderia dizer. Meu primeiro impulso é dizer: quando se tem músicas como essas, para que um roteiro? Mas claro, sentimos falta de mais consistencia. E grande parte dos méritos merecem ir à banda. Mas Taymor, a diretora visionária que é, não deixa ficar só nas canções e não deixa seu visual se tornar plástico demais. Tudo tem um significado, cada cena é um sonho, recheada de paixão e uma imensa intensidade. Voce mergulha no filme e não quer saber se vai se afogar nele ou não, simplesmente não quer parar de nadar. Eu sinceramente não queria que acabasse. Dificilmente encontramos um filme que desperte tamanha sensação prazerosa. Ao sermos transportados à esse mundo, esta nova realidade, vibramos, sonhamos, sentimos e ouvimos.

O filme de Taymor se passa nos anos 60, em meio à Guerra do Vietña, e a diretora consegue fazer um paralelo ótimo com a situação atual da guerra do Iraque. Ou seja, poderia ter sido considerado mais um filme da safra do ano passado falando sobre e informando sobre a situação do Iraque. Porém, ninguém olhou por esse aspecto. Mas Taymor vai além. Ela fala sobre como o amor e o sentimento de querer se libertar podem fazer uma diferença. Enquanto percorremos os sonhos de Taymor, ela nos entrega também horrores. Horrores estes que assombram sempre nossos sonhos. Nesse sentido o filme é emocionalmente forte. Nós sentimos a situação dos personagens. Conhecemos eles bem só pelas canções que cantam. E o elenco ajuda aqui. Jim Sturgess é o destaque. Na grande revelação do ano, ele canta extremamente bem, com intensidade e sentimento, e ainda atua admirávelmente. Ao seu lado, a sempre ótima Evan Rachel Wood fica até apagadinha. O resto também satisfaz, de Joe Anderson à Dana Fuchs, todos estão bem. Minha únicas ressalvas estão com algumas sub-tramas extremamente descartáveis (como o relacionamento entre JoJo e Sadie) e alguns furos de roteiro, incluindo algumas cenas realmente desnecessárias.

Mas, extremamente satisfeito, não tem como não recomendar Across the Universe. Mas é preciso entrar na brincadeira. Não é um filme intelectual, não possui um roteiro ótimo e pode incomodar os que vão em busca de um estudo de personagem e de época. Não é nada disso. É um filme sobre amor. É sobre sonhar e literalmente sonha com voce, o levando em uma jornada deslumbrante através de música e sons. Fui ao delírio. Não digo que todos irão ter a mesma reação que eu. Mas saibam que este deve ter sido um dos melhores musicais do ano passado (se não for o melhor!) e carrega consigo algo bem especial. Tem algo a dizer e diz com estilo, ousadia e muito sentimento. Não tem como resistir, principalmente quando Bono (da banda excepcional U2) canta a música dos créditos finais “Lucy in the Sky with Diamonds”, e antes disso, o melhor momento do filme, Sturgess cantando “Strawbrerry Field Forever”, em uma cena metafórica, dramáticamente forte e visualmente extraordinária.

[Across the Universe, 2007] Direção e estória de Julie Taymor. Roteiro e estória de Dick Clement e Ian La Frenais. Com Jim Sturgess, Evan Rachel Wood, Joe Anderson, Dana Fuchs, Martin Luther e T.V. Carpio. [Musical, 131 minutos]

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Responses

  1. O fato é que eu amo todas as músicas desse filme e sem dúvida a maioria das versões são excelentes. O problema é que, deixando o roteiro de lado, parece que estamos vendo um grande show e não um filme – algo bastante comum em alguns musicais recentes, mas que não ocorreu com “Moulin Rouge” e “Hairspray”. Poderia ser melhor, mas me agradou muito também – sem falar que virei fã do Sturgess, espero que sua carreira continue em alta daqui para frente.

    Abraço!

  2. De bom nesse filme, pelo menos para mim, só mesmo a música genial dos Beatles.

    Abraço!!!

  3. O filme me interessou desde o começo por ter Beatles na trilha sonora, mas fui eprdendo a vontade de assisti-lo ao ler alguams criticas de que o filme é longo demais, principalmente na parte em que mostra a guerra.. enfim, ainda não assisti, mas pelo jeito vale a pena alguns sacrificios, hehehe…
    como vc mesmo disse, para que um roteiro se as musicas dos beatles já falam por si só..
    abraços

  4. Eu adoro os Beatles e quero assistir a este “Across the Universe”. A vontade ficou ainda maior depois de ver o garotinho que interpretou a música “Let it Be” nesse filme cantando no Grammy, domingo passado. Fiquei emocionada só de vê-lo. Imagina passando pela experiência de assistir ao filme??

    E é verdade o que você disse sobre a Julie Taymor. Ela é uma diretora que entende do visual. “Frida” é um primor nesse sentido.

  5. Não esteve no circuito de cinema da minha cidade, pretendo agora ver o dvd. Estou esperando que me identifique e simpatize pelas músicas, que provavelmente são o ponto forte do filme. Também fala-se muito do ator Sturgess, e minha ansiedade por conhecer revelações artísticas sempre foi enorme. Ah, também adoro a Evan Rachel Wood, desde “Aos Treze”.
    Abraços.

  6. Bom, Wally. Vc sabe o que eu penso desse filme. Só gosto das músicas dos Beatles. Se bem que o Jim Sturgees se sai bem como revelação. O resto me irrita…

    Abs!

  7. Não gostei, um visual muito exagerado, com algumas músicas boas (não sou muito fã dos Beatles), sem nenhum conteúdo (não que seja necessário, mas sei lá, no final senti falta de algo).
    O melhor musical lançado recentemente foi Sweeney Todd, que além de ter um roteiro incrível, valoriza as atuações e o visual, marca do Burton, mas com uma dose de ironia e falta de esperança incrível.

  8. Vinicius, também acho que poderia ser melhor. Mas para mim, cinema é isso. Uma viagem gloriosa por imagens e sons. Como eu disse, a falta de roteiro prejudica. Mas não tanto quanto em filmes como Transformers, por exemplo.

    Pedro, as músicas, o visual, a jornada…

    Rodrigo, eu não queria é que acabasse. Pouco me lixei para a duração de 130 minutos. Adorei o filme. Acho que poucas vão gostar como eu. Mas é um filme agradável, creio eu, que agradará pelo menos um pouco a maioria.

    Kamila, não vi o Grammy, mas no filme, lembro dessa cena. Ela chega de surpresa e é muito bonita. Como eu disse, as musicas deles dizem muito. E essa é essencial. O garotinho canta bem mesmo. E Taymor é visionária! Preciso ver Frida.

    Weiner, se identificar com as músicas é fácil. O povo é cético mesmo em relação à falta de roteiro e consistencia.

    Otavio, lembro de sua crítica sim. Apesar de falhas, não me irritei. Alias, adorei. Vibrei com a força musical do filme.

    Lucas, o visual achei fantástico. É uma estética belíssima e é exagerado em momentos justamente por ser como um sonho. O filme é ousado e admiro muito isso. E acho difícil alguém que não goste de Beatles goste do filme, já que é todo apoiado nas canções deles. Ou seja, não sei o que estava esperando. Vi Sweeney Todd e sim, realmente é o melhor musical lançado recentemente. Diria que é o melhor desde Chicago (talvez até melhor). Amei, tudo que voce disse aí é certo.

    Ciao!

  9. […] proveniente do roteiro da dupla Clement e Frenais (que representaram o elo fraco de “Across the Universe“), visto que nunca entram em detalhes maiores quanto às verdadeiras emoções envolvidas dos […]

  10. […] máximo possível. E o mesmo se aplica ao resto. Temos um tour de force excepcional de Bill Irwin (Across the Universe), uma magnífica Rosemarie DeWitt (A Luta Pela Esperança) e uma Debra Winger (Um Funeral Muito […]


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