Publicado por: Wally | Sexta-feira, Fevereiro 8, 2008

O Diário de uma Babá

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    Problemático mundo novo

Annie é uma formada de universidade, e sem saber exatamente qual rumo tomar na vida, aceita o emprego de babá quando acaba se dando bem com um garotinho e é incompreendida pela mãe do menino. Mas percebe a gravidade do problema quando ve que a família rica de Nova York é cheia de problemas, e a mãe reguladora criará limites para seu trabalho já problemático.

Um bom e muitas vezes esperto filme, O Diário de uma Babá é o mais novo filme da dupla de diretores/roteristas Shari Springer Berman e Robert Pulcini, cujo trabalho anterior, o excelente Anti-Herói Americano lhes renderam uma indicação ao Oscar de melhor roteiro original. Acredito que o talento demonstrado no filme consagrado é bem superior ao de seus novo filme. Apesar da narrativa criativa e vários bons momentos, percebe-se vários problemas evitáveis, a maioria girando em torno da obviedade de algumas cenas e, sim, a falta de originalidade para definir os rumos de seus personagens. Apesar desses pecados, é sem dúvida um agradável e recomendável filme.

nanny2.jpgTalvez o seu maior forte sejam suas críticas e sua visão ácida acerca do mundo luxuoso e não tão impecável da classe alta. Os diretores acabam colocando nós espectadores, no lugar da babá, vendo o mundo deles com uma visão mais pessoal. O longa é sobre essa entrada dela nesse terreno selvagem, um lugar onde ninguém é realmente quem parece ser, para manter imagens ou para chamar atenção, é tudo sobre dinheiro. Dinheiro e estética. Annie, a babá, percebe isso, e nós, a audiencia, compreendemos ela. E essa noção vai se carregando pela sessão até divertida, tirando alguns momentos descartáveis que soam até mesmo simplórios. Os diretores deveriam ter fixado o foco só na visão pessoal de Annie, sua incompreensão sobre como aquele mundo todo funciona de início e como ela vai fazendo uma diferença. Mas aí surgem coisas bobas, como o romancezinho entre Annie e um vizinho. É algo que não precisava ter.

Mas se Berman e Pulcini sabem fazer algo é cativar a audiencia, e fazem isso maravilhosamente. O visual do filme é bem inventivo, nunca decepciona e atrai, sempre. Grande parte do mérito também precisa ir para os atores. Johansson foi criticada por seu desempenho, mas minha opinião sobre ela não muda. Acho que além de bela, é uma versátil e excelente atriz, no sentido mais puro da palavra. E ela deixa sua Annie doce, revoltada e melancólica na medida certa. Contracena com o carismático e bem revelador Nicholas Art, que faz o jovem de quem cuida. Sua mãe é Laura Linney e seu pai Paul Giamatti. Dupla perfeita não? Pois é, apesar de aparecer pouco, Giamatti faz uma diferença e Linney traz algo novo e consistente ao papel de mãe rica e reguladora. Nesse sentido então, declaro que achei o casting muito bom, e todos do elenco provaram ser acima da média, correspondendo muito bem aos seus respectivos papéis.

Também destaco a divertida trilha, que faz um casamento ótimo com o visual recompensador e estilizado já mencionado. Ou seja, estéticamente e sonoramente o filme entrega. E o elenco também satisfaz. Só reclamo mesmo de algumas coisas do roteiro, ou até mesmo o descuido dos diretores com alguns elementos e personagens. Apesar do final ser bem bonitinho e trazer uma mensagem super agradável, concluindo a jornada de Annie de auto-descobrimento, eu achei um tanto previsível, e dos roteristas de Anti-Herói Americano, eu esperava bem mais que isso. Mas como disse, vale pelo olhar ácido e divertido dessa sociedade capitalista e conservadora, que acaba criando adultos problemáticos demais. Para um filme que conta uma história da entrada de uma jovem em um mundo completamente novo, não senti esse “novo” ao assistir ao filme. Talvez tenha sido esse o maior problema. Os diretores nos coloca tão bem nos sapatos de Annie que ao vermos esse mundo pelos seus olhos sentimos falta é do sentimento de novidade. O filme infelizmente não trouxe isso. E atenção, apesar do que as distribuidoras insistem em confirmar, este não é um filme infantil, ou talvez nem mesmo família. Carrega consigo ótimas mensagens, mas tratando de uma temática cujo público alvo são os adultos.

[The Nanny Diaries, 2007] Dirigido  e roterizado por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, do livro de Emma McLaughlin e Nicola Kraus. Com Scarlett Johansson, Laura Linney, Chris Evans, Nicholas Art, Paul Giamatti, Donna Murphy e Alicia Keys. [Drama, 106 minutos]

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Responses

  1. Eu gosto do ANTI-HERÓI AMERICANO… mas ainda não vi esse novo da dupla. Até que vc falou bem… muitos não gostaram.

    E tem a Scarlett… isso basta pra mim.

    Abs!

  2. Uma agradável surpresa desse início de ano. Enquanto vários filmes badalados me decepcionaram, não entendi porque a crítica americana massacrou essa comédia de ótimas intenções. Enfim, nada que seja inovador, mas me divertiu por alguns momentos.

    Abraço!

  3. Pô Wally, ainda não vi esse filme,mas to louco pra ver. Assim que o fizer comento com mais calma.

    Abraço.

  4. Tudo o que a Scarlett Johannson faz vale a pena dar uma conferida. Este filme entrou em cartaz na minha cidade semana passada e ainda não arranjei tempo para ver, mas depois do seu comentário, pretendo ir sim. Afinal, ele confirmou o que eu esperava: boas atuações, boa trilha sonora e roteiro (uau, não sabia que era dos mesmos roteiristas de “Anti-Herói Americano”).
    Abraço!

  5. Otavio, é um filme que apesar dos valores, tem bastante falhas. Não o veja com muita expectátiva. Poderá ter uma grande decepção. Mas é um bom filme sim. E Johansson é maravilhosa mesmo.

    Vinicius, exato. Um bom filme que não merecia a péssima recepção. Apesar de não ser um filme tão bom quando Anti-Heroi Americano, basta.

    Pedro, veja sim, mas sem grandes expectátivas. Assim gostará mais.

    Weiner, Johansson é um luxo né? E apesar de ser dos mesmos roteristas de Anti-Heroi Americano, como eu disse, não é TÃO bom. É um bom filme e só. Veja sem expectátivas.

    Ciao!

  6. Wally, eu gostei muito do filme e, sinceramente, não enxerguei esses problemas de roteiro. Eu adorei o fato de que tudo que vemos na tela corresponde à visão da personagem da Johansson sobre aquele mundo frívolo e um tanto artificial. No entanto, gosto ainda mais da transformação dela, da maneira como ela passa a se importar com aquelas pessoas. Enfim, achei um filme bem genuíno.

    E o elenco dá show!

  7. Eu não entendo o porquê de tantas críticas com a Scarlett Johannson. Eu concordo quando você diz sobre a versatilidade dela. Os seus papéis em “O diário da babá”, “Match point” e “moça com brinco de pérola” são muito diferentes e, para mim, são todas boas atuações.

    O filme é mesmo muito bom, com alguns clichês, mas bom. Vale a pena. E concordo com o Weiner aí em cima: “Tudo o que a Scarlett Johannson faz vale a pena dar uma conferida.” :)

  8. eu a dorei muito o diaro da baba

  9. […] uma identificação com o protagonista, tornando tudo bem mais difícil de aceitar. Chris Evans (O Diário de uma Babá) salva muitas vezes o clima com seu carisma, enquanto Hugh Laurie (O Vôo da Fênix) encarna um […]

  10. O filme ficou um pouco maçudo. Não inova e nem encanta. Fica-se pelo razoável.

    Abraço.


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