Publicado por: Wally | Sábado, Janeiro 26, 2008

Bem-vindo ao Jogo

 Lançamento direto em DVD
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Simples como amar e jogar

Huck Cheever sempre aposta alto no poker, mas na vida real, nunca toma nenhum risco. Tentando acertar contas com seu pai bem sucedido nas mesas do cassino e que fez algo em seu passado que o irritou, Huck possui apenas o objetivo de tentar, a todo custo, superar seu pai, ou talvez até ganhar seu respeito. Mas quando a charmosa Billie entra em sua vida, ele começa a perceber coisas que antes se recusava a enxergar.

Curtis Hanson sempre foi um diretor que admirei muito. Desde Los Angeles: Cidade Proibida, sou grande fã dos trabalhos do diretor, até mesmo naqueles que dividiram opiniões como 8-Mile e Em Seu Lugar, e principalmente naquele simples mas fantástico trabalho em Garotos Incríveis. É um diretor eclético e quase sempre ambicioso em seus retratos. Em seu mais novo filme, que prova mais uma vez o quanto é eclético, Hanson deixa a ambição de lado e abraça o descompromisso, quando decide jornar por Las Vegas para contar uma doce história de amor em jogo. A falta de ambição do filme, estranhamente, se revela tanto um ponto positivo quanto um negativo. Enquanto essa falta permite que o longa se torne descompromissado e divertido, também oferece pouca perspectiva e simplicidade em overdose.

luckyabmp1.jpgÉ um filme até difícil de recomendar, mas que no final das contas me ganhou por seu charme. Um pouco longo demais por ser tão simples e faltando ousadia, o filme nunca realmente decola, podemos dizer. É um conto até interessante sobre personagens e sobre como tentam vencer nos jogos propostos pela vida. Las Vegas é usada apenas como plano de fundo para Hanson contar essa história. O problema é que voce fica o tempo todo esperando por algo que nunca vem. Falta-lhe emoção, densidade ou até mesmo relevancia. É do típo de filme que será esquecido rapidamente, e que não mudará nada em sua vida a não ser pelas duas horas das quais tirou de voce.

Mas não estou reclamando (completamente). Apesar de ter esperado mais e ficado um pouco decepcionado com o resultado final um pouco vazio, é um filme agradável de se ver e que entretem justamente pela sua falta de compromisso e pelo seu senso simplístico de descoberta, esta sendo de um mundo onde as pessoas podem escolher apostar alto e viver no risco ou apostar seguramente, nunca realmente se arriscando. Acho que foi exatamente isso que aconteceu com Curtis Hanson. Ele não aposta alto. Seu filme não toma riscos, não compromete mas também não empolga. É tudo bem seguro, como em uma bolha. O tempo gasto lá pode divertir ou não o espectador e mais uma vez digo, dependerá completamente de seu humor e sua paciencia. Afinal de contas, duas horas é um longo tempo para se passar fazendo nada. Mas até que o filme consegue pelo menos cativar com jogos de poker (acreditem) bem empolgantes e um romance que apesar de um tanto cliche, não irrita.

O visual do longa ajuda no conforto. Possui ótimos cenários e uma boa fotografia. O elenco também agrada. Eric Bana está há anos luz do brilhantismo que revelou em Munique, e mesmo que mantenha o mesmo olhar por quase o filme todo, é do típo de ator carismático que não consegue desagradar. E ele consegue formar uma espécie de química doida com a doce (até demais) Drew Barrymore, que não oferece nada de novo mas também acaba agradando. Robert Duvall em mais um papel coadjuvante não faz muita diferença. O melhor do elenco infelizmente possui uma única cena, e este é Robert Downey Jr., ótimo mas estranhamente desaparece. No final de tudo, recomendo Bem-vindo ao Jogo para ser visto no descompromisso total, e por isso não fiquei incomodado por ter sido lançado diretamente em DVD, já que nos cinemas provavelmente o comprometimento seria bem maior. Com certeza não é o Hanson que estamos acostumados, mas é um que agrada, apesar das circumstancias. Ele possui um toque especial que deixa com que o roteiro falho não afunde o filme. Por enquanto, isso basta. Mas espero que retorne ao estilo dos grandes dramas brilhantes que uma vez já fez.

[Lucky You, 2007] Dirigido por Curtis Hanson. Escrito por Eric Roth e Curtis Hanson. Com Eric Bana, Drew Barrymore, Robert Duvall, Debra Messing, Phyllis Somerville e Robert Downey Jr. [Drama, 124 minutos]

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Responses

  1. Confesso que nunca gostei muito do Curtis Hanson. Nenhum filme dele chegou a ser ‘ótimo’ para mim, até mesmo “L.A. Confidential” – acho que meu favorito é “Em Seu Lugar”. A história do filme não me agrada nem um pouco e seus comentários não me deixaram tão animado, quem sabe um dia na TV…

    Abraço!

  2. Caracoles! É do Curtis Hanson?????????? Onde estava esse filme???

    Eu gosto do Curtis Hanson de LA CONFIDENTIAL e WONDER BOYS. Depois não rolou mais…

    Abs!

  3. Quero muito ver esse filme, estava mais confiante antes de ler essa sua crítica, mas agora acho que devo esperar mais um pouco para assisti-lo.

    Abraço!!

  4. Do Curtis só gosto do LA Confidential, que nem é um grande filme para mim, é bom e nada demais.
    E não tenho vontade nenhuma de ver esse, apesar de gostar da dupla principal.

  5. Vini, realmente, se voce não é fã de Hanson, é melhor nem dar muita bola. Veja, mas sem qualquer comprometimento. Já eu considero Los Angeles: Cidade Proibida uma obra-prima.

    Otavio, é Hanson sim, mas passou despercebido e direto pra DVD. Não reclamo, o filme é bonzinho mas não merece lançamento nos cinemas. Hanson já teve dias (bem) melhores. Se não é fã de 8-Mile ou Em Seu Lugar, ou seja, sua época pós L.A. e Wonder Boys, então nem espere muito.

    Pedro, veja sem expectátivas e poderá até gostar, mas é um filme realmente falho e que decepciona em certos aspectos. No fim acabei gostando, mas bem pouco.

    Lucas, como disse ao Vini, considero L.A. uma obra-prima. E também gosto bastante de Wonder Boys, 8-Mile e Em Seu Lugar. Ou seja, gosto muito dos trabalhos de Hanson, e se eu me decepcionei com esse filme, tenho certeza de que quem não é fã de seus trabalhos não irão gostar. Mas quem sabe? No descompromisso total até que rola.

    Ciao!

  6. Do Curtis Hanson, só gosto mesmo do que ele fez em “Los Angeles Cidade Probida”. A trama desse “Lucky You” parece ser tão batida, mas o elenco é tão bom que chega dá vontade de assistir ao filme.

  7. […] claro, quando não se têm talento. Nesse aspecto, confesso ter me decepcionado com Eric Bana (Bem-vindo ao Jogo), frio e numa atuação muito calculada e até mesmo com Scarlett Johansson (O Diário de uma […]

  8. […] Kathy Bates (P.S. Eu Te Amo), nos deliciamos com o desempenho fortíssimo de Michael Shannon (Bem-vindo ao Jogo), cujos poucos minutos em tela (em duas grandes cenas), trazem a tona todo um clima novo ao filme, […]


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