Publicado por: Wally | Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

P2 – Sem Saída

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        Medo e obsessão

Angela é uma trabalhadora dedicada que acaba extrapolando os horário na véspera do Natal. Quando finalmente decide ir ao encontro de sua família para as celebrações, se ve presa na garagem do prédio pelo segurança Thomas, que demonstra uma certa paixão obsessiva pela moça.

Mais um exemplar de suspense fabricado para faturar alto no Natal, P2 chega um pouco atrasado no Brasil, onde o clima “natalino” do longa não soa tão autentico. O que posso dizer sobre P2, é que até certos limites, é um razoável exemplar do genero. Além de fugir um pouco da fórmula, gostei bastante da montagem com a cena inicial e não posso negar que tenha me divertido um pouco, apesar de ter rido muito mais do que ficado tenso. Nesse sentido, o filme falha. A tensão vai e vem e o senso de claustrofóbia nunca se mantém, evaporando assim que os personagens abrem a boca. Ou seja, o roteiro é extremamente fuleira. As situações são bobas, com algumas raras exceções e os personagens risíveis. O que poderia ter sido um jogo subterraneo de medo de um lado e obsessão do outro é desperdiçado com pouca criatividade e inúmeros e desgastantes cliches.

p2a.jpgNo final das contas, os pouco mais de 90 minutos não são muito gratificantes. Tirando as risadas involuntárias e uma ou duas cenas admiráveis de suspense, resta um filme fraco e comum, cujos personagens nunca são explorados como deveriam e as situações nunca conduzidas da forma mais eficiente. O diretor Khalfoun, em sua estréia, não soube construir um senso de panico e medo para realmente conseguir cativar a audiencia e com isso, realizar o que um bom filme de suspense consegue: verdadeira tensão e medo. Não temos isso aqui. Não tenho do que reclamar da estética, e nesse caso, nem da trilha sonora adaptada, que realmente diverte, mas fiquei sim incomodado com a falta de experiencia do diretor, que só se sai bem sucedido na já mencionada montagem inicial e em uma cena no elevador bem criativa. Esta uma palavra que, infelizmente, não posso dizer sobre o restante do trabalho, que cai demais no lugar comum e no óbvio.

Com isso chegamos aos atores. Em uma situação desta, digo de um filme se passado em um lugar fechado e cujos protagonistas por mais de 60% do filme são apenas dois atores, pede-se interpretações no mínimo, esforçadas. O embate verdadeiro ocorreria aqui. Medo contra obsessão. Mas mais uma vez, o filme falha. Ou seria, os atores falham? Wes Bentley até que tenta. É um bom ator que infelizmente não sabe escolher seus papéis, mas que como o vilão aqui não passa de um mero esforço. Ele oscila entre o acreditável e o risível. Não o suficiente. Do outro lado, Rachel Nichols. Ela berra e entra em desespero, mas falha ao entregar um desempenho plausível. Talvez com atores mais habilidosos e que conseguissem construir uma química, um senso de tensão competente, o filme poderia ter se revelado um bom exercício ou um passatempo válido. Uma pena que raras coisas na fita funcionem de verdade.

Eu com certeza não recomendo o filme nem como uma sessão matine nos cinemas. Talvez em DVD, mas mesmo assim, para ser visto sem o menor compromisso possível, afinal, não é como se estivessemos querendo beleza e maestria. O que eu peço de um longa desse genero, é que ao menos consiga me divertir, entreter, e quem sabe, até deixar tenso. O filme falha na tensão e quase que todos os outros quesitos. Oferece apenas 90 minutos de escapismo que pode ou não divertir, e isto dependerá completamente do humor de quem o estiver assistindo. Talvez alguém como eu acabe rindo do humor nada intencional, mas para outro, sem senso de humor digo, o filme não só soará seco e raso, mas também oco e insignificativo. A verdade é que não vale nenhum sacrificio. Veja por sua própria conta.

[P2, 2007] de Franck Khalfoun. com Rachel Nichols, Wes Bentley, Philip Arkin, Stephanie Moore e Miranda Edwards. [Thriller, 98 minutos]

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Responses

  1. Puxa, Wally, muita coragem para ver esse filme, hein? ;) Na verdade acho que esse tipo de gênero está numa fase terrível de falta de criatividade, é complicado encontrar algum suspense acima da média. Já que não achou tão ruim, acho que verei em DVD…

    Abraço!

  2. Somente pelo fato de ser roteirizado por Alexandre Aja (“Viagem Maldita”), “P2” já me desperta interesse. O meu temor é mesmo o personagem de Wes Bentley, que, vendo pelo trailer, deve atingir o caricato quando a trama expõe suas obsessões. E Rachel Nichols é linda que só!

  3. Bom, este filme parece ser como todos os outros do gênero, algo absolutamente previsível e sem nenhum atrativo, a não ser para aquelas noites de meio de semana que as pessoas quase não acham algo de melhor para fazer. A verdade é que os suspenses “de rápida produção” têm brindado os espectadores com tramas muito ignorantes, que ao invés de tensão, provocam risos. Os estúdios só pensam em dinheiro, lançando num piscar de olhos, filme atrás de filme, na vã esperança de vidrar mentes adolescentes e faturar seus dólares. Não sou taxativo nem elitista, detesto pessoas que não se abrem para novas descobertas cinematográficas, mas nada melhor que uma produção que nos faça pensar, refletir de vez em quando.

  4. Wally, é incrível como o Wes Bentley não soube aproveitar o sucesso de “Beleza Americana” a seu favor. O cara só faz bomba!

    A premissa do filme parece ser legal, mas, ultimamente, eu tenho fugido de filmes nesse estilo.

  5. Cara, nas melhores cenas de 2008 acho que podria entrar uma do wagner moura em tropa de elite, que ele chega em casa e começa a gritar com a mulher dele que está com um caderno no sofá, eu acho essa cena melhor do que aquela em que ele esbofeteia um marginalzinho no morro.
    Outra coisa: Presta atenção nesse filme – http://www.imdb.com/title/tt0383028/ – roteiro e agora direção de charlie Kaufman.

  6. Vini, realmente tive coragem, rsrsrs, mas já vi piores. O filme tem defeitos mas tem alguns (raros) pontos positivos. Em DVD com certeza será menos pior a sessão.

    Alex, achei o roteiro fraquinho. Se o filme atinge pontos positivos em momentos é por causa do diretor. Bentley ta sim caricato e apesar da beleza Nichols não sabe atuar.

    Weiner, concordo completamente. É uma sessão bem descartável, o filme que acabo de escrever uma crítica ,”O Suspeito”, cai muito bem na sua descrição de um filme que nos faça refletir.

    Kamila, realmente Bentley, que me emocionou em Beleza Americana em certa cena, nunca foi o mesmo. E foge mesmo Kamila, quem sabe em DVD?

    Ei Leandro, valeu por passar aí. Devo adicionar alguma cena de Tropa sim entre as melhores de 2007, a melhor que eu achar no youtube ;)
    E aguardo qualquer coisa de Kaufman, o atual melhor roterista do cinema, que está devendo há muito tempo já que seu último roteiro foi o de Brilho Eterno.

    Ciao!


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