Publicado por: Wally | Sábado, Janeiro 12, 2008

Conduta de Risco

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Um pouco da amarga verdade

Michael Clayton é um pai divorciado mergulhado em conflitos pessoais, dentre os quais podemos encontrar seu irmão irresponsável e muito sacríficio por parte de Michael. Conhecido como uma espécie de faxineiro, Michael é um advogado normalmente comprado para fazer as coisas desaparecerem. Quando Arthur Edens resolve surtar e ameaça revelar todos os segredos sujos de uma companhia, Michael é colocado em um jogo de verdade e mentiras, onde precisa escolher uma postura. Do outro lado, Karen Crowder mantém a imagem de sua companhia mais que limpa.

Este é um filme único. Conduta de Risco é um longa inteligente, urgente, extremamente relevante e maravilhosamente filmado. Se voce procura uma obra cinematográfica realmente forte e fascinante, não precisa olhar além desse filme. O roterista da serie sensacional de Jason Bourne estréia na direção no que pode ser uma das melhores estréias da década. Ele é uma grande revelação. E como não poderia deixar de ser, também é roterista, e o seu script é sem sombra de dúvida tão meticuloso, vibrante e importante quanto sua focada e densa direção. É impossível segurar a empolgação quanto ao filme. Gilroy cria personagens tão autenticos, diálogos fantásticos e uma trama explosiva, sem ação ou efeitos especiais. Uma verdadeira obra de cinema.

Em certo momento do filme, o personagem de Clooney para o carro após um dia tumultuado, sobe um morro e, do nada, começa a admirar a beleza e a tranquilidade de tres cavalos. Automaticamente, seria uma cena irregular. Mas a verdade é que é tudo menos isso. Gilroy atinge, com essa cena, verdadeira maestria, e até mesmo poesia. Poucos segundos depois do deslumbre do personagem com tamanha tranquilidade, seu carro explode, e automaticamente voltamos à sua dura realidade. Nesse momento do filme também podemos perceber várias outras virtudes. A fotografia belíssima, a edição impecável e, principalmente, a atuação fenomenal de George Clooney, a melhor de sua carreira, se devo dizer. O seu personagem, o mais interessante de toda a trama, ganha nuances a mais e brilhantismo de sobra com a personificação memorável de Clooney. Mas claro, Gilroy ajuda, mais especificamente, seus maravilhosos diálogos.

Do excelente elenco, ainda temos um influente Sydney Pollack e outras duas inesquecíveis performances, apesar de serem de coadjuvantes. Tom Wilkinson e Tilda Swinton. Ambos entregam ainda mais intensidade ao filme, e consequentemente, aos seus personagens. Como já disse, os personagens e seus diálogos são o destaque. O filme é tanto um estudo de personagem quanto um comentário político genial. E ele funciona nos dois sentidos. Ao mesmo tempo que somos instigados pela trama altamente fascinante, que esconde metáforas brilhantes e críticas eficientes, somos também envolvidos mais pela densidade dos personagens. Michael Clayton é o faxineiro. Seu dever é acabar com os pequenso segredos sujos de pessoas influentes e companhias importantes. O personagem de Wilkinson fazia mais ou menos a mesma coisa, mas cansado de ser uma peça em um jogo que destrói tantas vidas, surta e ameaça acabar com a companhia com suas provas. Ele quer parar de tomar remédios. Pou outro lado, uma metáfora perfeita quanto às mentiras que é forçado a engolir. Obviamente, alguém terá que calar ele. É ai que entra a imperfeita e vulnerável personagem de Swinton, uma mulher que espelha a companhia em sua imagem “perfeita”. Ela fará de tudo para proteger seus interesses. Mas suas falhas e sua ignorancia irão derrubá-la.

E aí temos o clímax de tudo. Onde o personagem de Clayton finalmente decide sua postura. É o momento decisivo da trama, e é também deliciosamente divertido. Talvez não seja o que sempre acontece na realidade, mas a intenção de Gilroy é ser verossímil ao mesmo tempo em que constrói uma história em cima de personagens. Ele arquiteta um desfecho que só seria possível se pessoas como Michael Clayton e Arthur Edens (personagem de Wilkinson) deixassem de assumir seus papéis. Parassem de “limpar”e realmente decidissem fazer uma diferença. E em um desfecho ótimo, onde também presenciamos mais um pouco da genial performance de Clooney, sentimos vitoriosos e contentes com o resultado. Realmente um filme memorável. Voce te encontrará pensando nele bem depois da sessão acabar. E não é isso que faz um bom filme de verdade? Mecher com seus sentidos e com seus raciocínios. Bem, além de tecnicamente impecável, Conduta de Risco se sai maravilhosamente bem sucedido em não querer sair de sua cabeça.

[Michael Clayton, 2007] de Tony Gilroy. com George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O’Keefe. [Drama, 119 minutos]

Spoiler Movies
Vinícius do Blog do Vinicius
João Paulo do Cine JP
Otavio do Hollywoodiano 
Luciano do A Sala
Matheus do Cinema e Argumento


Responses

  1. Opa… primeira passado no teu blog.
    Sou do Diário de Dois Cinéfilos e to voltando a net depois de um recesso e to dando uma passada nos blogs da SBBC. Adorei teu blog.. Parabéns!!

    tenho uma coisa a dizer… UFA!!

    Depois de uma looooonga espera desde que Conduta de Risco estreou no circuito nacional, finalmente estreou aqui na minha cidade e agora vou poder assistir… UFA!!!

    Assim que assistir venho aqui no blog pra deixar outro comentário!!

    Ahh tah rolando uma premiação legal la no blog, pros melhores filmes de 2007. Se puder dar uma passada la agradeço.

    Abraço!

  2. Adorei esse filme, por mais que eu não tenha entrado tanto no ritmo dele. Destaco, sem dúvida, o elenco. Clooney no melhor desempenho de sua carreira e Swinton merecendo indicação só pela cena final.
    NOTA: 8.0

  3. Não poderia concordar mais com sua crítica (diria até que está tão bela quanto o filme, especialmente o segundo parágrafo, com o qual concordo plenamente). Além das atuações maravilhosas (Oscar já!), é um trabalho impressionante para um diretor estreante. Isso é que é cinema de verdade, o resto é enganação. Fiquei pensando um bom tempo no filme, especialmente no seu desfecho – mais do que satisfatório e sem dúvida o melhor do ano. Bela crítica, parabéns! ;)

  4. Leonardo, muito obrigado. E não deixe de conferir Conduta de Risco, é imperdível. Já fui lá no blog ;)

    Matheus, concordo. Adorei o filme. :)

    Vinicius, obrigado :D E torço muito pelo filme. É um de meus favoritos do ano. Gostei tanto quanto voce!

    Ciao!

  5. Já estava deveras interesada em ver o filme, agora com esses comentários elogiadíssimos, irei ve-lo correndo.
    Ainda mais, que não perco um filme onde o ator seja o George Clooney,é no meu caso faco advocacia é quanto mais vierem filmes assim, vamos aprendendo e ganhando horas facs na Faculdade.

  6. Gostei do comentario, mas ainda não assisti ao filme. Vou verificar se já está disponível nas locadoras da minha cidade,pois adoro filme inteligente e que mexe com o raciocinio.

  7. […] à crítica de “Boa Noite e Boa Sorte”, a carreira promissora do galã George Clooney (Conduta de Risco) como cineasta parecia estar moldada, após o também excelente e talvez até superior […]

  8. […] da Verdade), adorável mas limitada pelos próprios esquemas de sua personagem. Sydney Pollack (Conduta de Risco) ainda arruma um pouco de farra com seu divertido personagem, mas não tem como lastimar que esta […]


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