Publicado por: Wally | Terça-feira, Janeiro 8, 2008

O Amor nos Tempos do Cólera

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Amando frio

Florentino se apaixonou por Fermina logo de primeira vista. O que se seguiu foram cartas após cartas de amor e paixão que sentiam um pelo outro. Porém, eram jovens, e seus desejos eram inválidos ao lado dos mais velhos. O destino de Fermina tinha outros planos. E ambos tiveram que aceitar. Enquanto Florentino satisfazia suas necessidades de amor com casos carnais, Fermina aprendia a viver e amar seu marido e sua família.

Em uma entrevista, o diretor Mike Newell confessou que estava com mais medo dos fãs do romance de Gael García Márquez, do que os de Harry Potter. O diretor que dirigiu o quarto capítulo da serie mais famosa da literatura agora chega como diretor de um dos romances mais adorados dos últimos tempos. Já que não li a obra de Márquez, não posso falar sobre fidelidade, mas se um romance se torna tão cultuado, obviamente teve ter paixões ardentes e personagens que viviam por amor. Não é este exatamente o sentimento que enviado pelo filme de Newell. Apesar do roteiro ter várias passagens ótimas e o desenvolvimentos dos personagens ser excelente, o principal mesmo, que é a paixão e o romance, soou extremamente frio, sem magia, sem emoção.

love2.jpgMinha teoria é que Newell se dedicou demais à visuais e à estética e se esqueceu do principal fundamento de seu filme. Por faltar essa emoção e essa magia, logo o filme perde o interesse em suas mais de duas horas de duração. Mas gostei do filme, porque percebi que foi admirável em certas escolhas, fugindo do melodrama completamente. Alias, achei que faltou até mesmo um tom mais melancólico e ardente ao filme. Mas como eu disse, tudo é muito frio. Não se sente paixão, apenas ve. É aí que entra o espetáculo visual. Não é nada para Oscar, mas é uma estética bela. A direção de arte e cenários é precisa, capturando bem o modo de vida da época, e o figurino é excelente. Nesse ponto, a obra se sobressai maravilhosamente. Além disso, a trilha também cativa. Ela sim captura muito bem sentimento de amar. E por mais brega que seja a canção de Shakira, “Despedida” é sim, de certa forma, bonita, por ser verdadeira ao sentimento dos personagens, ao contrário da direção de Newell.

Mas só pelo fato de fugir do melodrama e conduzir personagens interessantíssimos, o filme já vale a pena ser visto. Poderia ser bem melhor, mas é digno de ser visto, e apreciado, dependendo de quem o ver. Como já disse e repito, não li a obra, e não sei qual será o sentimento de um fã ao ver o filme, se será de amor ou ódio, mas para quem não tiver lido a obra de Márquez, não gostará apenas aqueles que realmente se incomodarem completamente com a falta de fogo e paixão entre os personagens, já que em outros pontos, se sai bem. O personagem de Florentino, um garoto inocente e ingenuo que se torna um homem que não consegue deixar de amar sua mulher mas ao mesmo tempo precisa consolar seus desejos carnais com mulheres “inúteis” das quais vai listando na cabeça. Sua mãe protetora acaba perdendo a cabeça ao ver tamanha a infelicidade e falta de contentamento do filho. Fermina aprende que precisa deixar desejos de lado e seguir com a vida, mas percebe também que apesar de não amar seu marido, ele a ama muito mais do que ela esperava. São sentimentos válidos, e estes são bem explorados pelo diretor. Mas a questão é que o foco não é esse, ou pelo menos não deveria ser. A tarefa de Newell era nos fazer sentir a paixão entre os personagens, mesmo vivendo longe um do outro e seguindo vidas completamene distintas. Falhou nesse sentido.

Mas colocando para trás esse defeito, é um bom e belo filme. Se prolonga demais, tem alguns personagens desnecessários e performances incomodas, mas agrada, apesar das limitações. O elenco principal foi contundente. Admiro muito Javier Bardem, que apesar de longe de seu melhor trabalho constrói aqui um complexo personagem de sentimento, e ao seu lado, Fernanda Montenegro também não decepciona. Os dois são o destaque. Giovanna Mezzogiorno que faz a amada Fermina, Benjamin Bratt e Liev Schreiber não fazem mal. Gostaria de comentar também sobre a maquiagem. É um fator crucial do filme, já que ele se passa em muitos anos, e apesar de visualmente ser fantástico, realmente dando um sentimento de realismo, me encomodei com ele por ignorar a cronologia. Como por exemplo, o fato de que a atriz Mezzogiorno só envelhece de verdade no último ato de sua vida, enquanto o personagem de Bardem até troca de ator. Coisas assim incomodam. Não é um filme detalhado ou meticuloso, como podem ver. Mas apesar das falhas, eu gostei e até que recomendo. Só não vejam com expectátivas altas.

[Love in the Time of Cholera, 2007] de Mike Newell. com Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Benjamin Bratt, Marcela Mar, Liev Schreiber, John Leguizamo, Catalina Sandino Moreno, Hector Elizondo, Fernanda Montenegro e Laura Harring. [Romance, 138 minutos]

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Luciano Lima do A Sala
Kamila do Cinéfila por Natureza


Responses

  1. Obrigada pelo link, Wally.

    Não entendo como um filme como esses, que se propõe a contar uma história de amor que atravessa os tempos, não consegue emocionar. O filme é frio. Não basta ter técnica, tem que ter emoção. E acho que isso passa pelos atores também, já que o único que eu achei que ficou bem no seu papel foi o Javier Bardem.

  2. Espero assistir ele na próxima sexta, data de estréia aqui no balneário. Não sei porque, mas já imaginava algo mais ou menos como vc descreveu…

  3. Não estou muito ansioso por esse filme. Como falei no blog da Kamila, até que me interesso pela trama, mas os comentários a respeitos dessa produção não são nada animadores. Deve valer pela estética e visual como você disse, sem falar na presença da Fernanda Montenegro. Não verei com expectativas altas não (isso se ver).

    Abraço!

  4. Kamila, por nada, e concordo com sua visão do filme. Eu gostei de algumas coisas, mas mesmo assim, decepcionou. Gostei do elenco todo, com algumas ressalvas.

    Felipe, vai sem expectátivas que voce gostará melhor, mas vale a pena assistir, é bom.

    Vinicius, veja sim o filme. Tem muito filme pior por ai, sem dúvida. É bom e vale a pena ser visto, só possui algumas falhas assassinas que o deixam muito frio e sem emoção. Montenegro ta muito boa.

    Ciao gente!

  5. […] filme surge com as atuações dignas apresentadas por Hugh Jackman (Austrália) e Liev Schreiber (O Amor nos Tempos do Cólera), que conseguem bolar boa química ao mesmo tempo que trazem autênticidade aos personagens. […]


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