Publicado por: Wally | Domingo, Janeiro 6, 2008

Um Verão Para Toda Vida

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Condenado pela inocência

 

Quatro garotos ófãos, todos nascidos no mês de Dezembro, ganham uma oportunidade de visitar uma praia nas férias, como presente. De um berço cristão, os garotos rebeldes logo aprenderão que a praia guarda mais que uma bela vista e diversão, mas sim, uma oportunidade nova para eles seguirem suas vidas, já que nela encontra-se um casal que, incapazes de terem filhos, planejam adotar um dos quatro.

Uma história de rito de passagem, Um Verão para Toda Vida abusa de todos os pecados fatais de um melodrama piegas. Apesar de começar bem, simpático, elegante e envolvente, a superficialidade do filme logo vem a tona, e a partir disso, cenas após cenas forçadas, pouco profundas, liderando tudo à um fim sofrível. O que irrita mais porém, é que o longa começa tão promissor e cai fundo na mediocridade, culpa do diretor, Rod Hardy, cuja filmografia esconde apenas dois filmes com exceção deste, sendo o resto todos produções de televisão. Talvez isso explique o porque do filme ser tão raso.

decemberboys2.jpgA narração do personagem principal, um jovem inseguro e sonhador, funciona até certo ponto, alias, o roteiro até esconde um núcleo bem charmoso, pena que seja trabalhado de forma tão inexperiente. Isso pode ser observado na péssima direção de elenco e no dramalhão que cerca a maioria dos momentos do longa. Logo você acaba perdendo o interesse nos personagens e apenas pensa no momento onde o filme vai acabar. A questão é que tudo soa muito simplório, muito inocente, sem um senso de inteligencia. O diretor aborda tanto as inseguranças de seus personagens que seu filme acaba sendo também. Ele não ousa, não intriga e não insere nada de novo ao nosso conhecimento. É fraco, extremamente.

Se existem motivos pelo qual o filme valhe a pena ser visto, estes são os menos importantes. O visual cativa, gloriosamente. Adorei a fotografia, maravilhosa, as locações deslumbram. A trilha sonora também é ótima. Digo a coletânea, com canções ótimas. Alias, a canção original do filme, denominada “December Boys” e composta por Peter Cincotti, é excelente. As letras dela dizem muito mais que o roteiro do filme, e a composição iqualmente satisfaz. É sem dúvida, uma das melhores do ano. Outro ponto favorável é a química entre os quatro jovens atores. Nenhum deles chegam a entregar valiosas performances de verdade, incluindo Daniel Radcliffe, mas provam ser uma turma gratificante e única. A química é essêncial para traduzir a amizade deles, a força dela, que é o que na verdade move o filme.

Ou seja, existe um bom filme aqui, escondido atrás das camas e camadas de superficialismo e pieguice. É charmoso, cativa nos seus primeiros 30 minutos e visualmente e sonoramente é digno de aplausos. Mas tudo isso não vale nada se o diretor é apenas estilizado, não conseguindo compor personagens bem, falhando na densidade de suas tramas e decepcionando ao interpretar o destino deles, que soou tremendamente meloso e desnecessário. Talvez o livro seja mais satisfatório. Mas também não apostaria muito, já que o roteiro também não ajudou muito. No final das contas, não é recomendável. É falho, fraco cinema em um estado degradante. Não chega à lixo, alias, existem muitos filmes piores, infelizmente, mas não vale o tempo gasto, de forma alguma. Procurem ouvir a música e serão mais felizes.

[December Boys, 2007] de Rod Hardy. com Daniel Radcliffe, Lee Cornie, Christian Byers, James Fraser, Jack Thompson, Teresa Palmer, Sullivan Stapleton e Victoria Hill. [Drama, 105 minutos]

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Responses

  1. É realmente uma coisa singela, mas também não esperava muito do filme, vi sem grandes expectativas durante a MOSTRA SP, num horário que não havia nada melhor para assistir.

  2. Não assisti a esse, e provavelmente nem vou assistir. O que quero saber mesmo é sua opinião sobre 2001, um dos meus filmes preferidos.

  3. Ah, eu daria três estrelas pra esse filme. Esperava menos, mas até que foi legal. O Radcliffe se saiu muito bem, mas ele ainda tem “Harry Potter” estampado na testa. Quase dá pra ver a cicatriz. ^^

    Abraço

  4. Sempre soube que esse filme seria ruim, e sua opinião confirmou isso. Ao contrário da maioria, detesto o Radcliffe e é por causa dele que vou passar longe de December Boys.

  5. Sei lá, desde o começo achei esse filme com cara de fraquinho, o que se confirmou agora com sua crítica. Também acho que o Radcliffe tem muito ainda a provar como intérprete, ainda não me convenceu – apesar de ser um ator OK. A tal música pode ser indicada ao Oscar, mas ainda não escutei.

    Abraço!

  6. Vira e mexe, lançam um filme assim sobre uma garotada deixando a inocência de lado para, enfim, entrar no mundo adulto. Uma jornada da alma.

    Ainda não vi esse. Vou deixar para o DVD.

    Abs! Bom domingo!

  7. Quero saber o que vc achou de 2001, rapaz!

    Abs!

  8. Wally, seu texto foi um banho de água fria nas minhas intenções de assistir a este filme. Acho que vou esperar a estréia dele na TV por assinatura.

  9. Marfil, a inocencia do filme acaba incomodando mesmo, bastante alias. Ele deixa de ousar e fica na mesmice.

    Lucas, falarei sobre 2001 no meu próximo post sobre os últimos vitos em DVD, mas para adiantar, adorei!

    Alexsandro, até uns 30 minutos, 3 estrelas parecia certo, mas a qualidade vai decaindo e me incomodei com muita coisa. Mas entendo quem acabar gostando. E a piadinha sobre a cicatriz foi legal :D

    Vinicius, Radcliffe tem potencial, mas é bem limitado, e nesse filme ele prova isso. A canção eu odorei e espero que seja indicada. Procure baixar ela.

    Otavio, é mais um filme desse típo mesmo. Sem novidades, bem sem graça. E achei 2001 sensacional, aindo to com ele na cabeça.

    Kamila, o filme tem seus altos, mas tem mais baixos do que eu esperava. Veja em DVD, talvez voce ache razoável ou até goste.

    Gente, estarei sempre respondendo aos coments aqui no Cine Vita mesmo! Ciao!

  10. Um verão para toda vida é um filme muito bom, depois desse verão, nada mais será o mesmo.

  11. […] uma atriz realmente maravilhar, os outros estão bem em seus respectivos papéis. Teresa Palmer (Uma Verão para Toda Vida) que oferece o angustiante desempenho como a sofrida e traumatizada Melody, que esconde segredos em […]


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