Publicado por: Wally | Quinta-feira, Janeiro 3, 2008

Harry Potter e as Relíquias da Morte

harry2.jpg 

Fim de caso
(spoilers apenas no quarto parágrafo) 

Eu cresci lendo Harry Potter. O mundo criado por J.K. Rowling me cativou quando eu tinha menos de dez anos de idade. Claro, ainda era muito novo, e não conseguia enxergar nada além de diversão e escapismo. Achava “massa”. Com o passar dos anos, fui me aventurando mais e mais. Cada livro mais divertido que o outro. A partir do quinto, como eu ja estava mais velho, eu o li com um olhar mais sério, e percebi que ainda assim o mundo não perdera o fascínio ou a magia. Com o sexto, eu já estava completamente apaixonado e é com grande orgulho que posso escrever, hoje, que, desculpem me o cliché, J.K. Rowling fechou com chave de ouro esta série magnífica. O sétimo (e último?) livro não só se tornou meu preferido, mas a obra definitiva, que amarra todas as pontas soltas e que contém o maior nível de emoção.

O caso com esse mundo sempre existiu. Por mais que os conservadores e radicais possam o críticar, é inegável que essa paixão por Harry Potter existe porque foi um personagem do qual crescemos lendo. Para quem não teve essa oportunidade tremenda, ficam sem saber o porque de ser tão bom, pelo menos os mais chatos. Aqueles que tarjam a série de boba e infantil. Desafio-os para lerem a série toda, e percebam, principalmente nos tres últimos, os impressionantes detalhes e as várias camadas. Rowling não só cria um mundo só dela, algo extremamente admirável, mas o popula com personagens que se tornam queridos, tramas emocionantes e segredos instigantes. Peguei a série toda para reler este ano. Desde Julho, não tirei minha cabeça dos livros. A Pedra Filosofal é a introdução ótima. Apesar de bobo em momentos, fica claro como tudo foi habilidosamente construído, com tremenda imaginação e criatividade. O senso de aventura é espetácular. E isso se concretiza com A Camara Secreta, ainda melhor que o anterior, recheado de mais escapismo e humor, e é também, o livro que marca os surgimentos de mistérios e intrigas. O Prisioneiro de Azkaban é um de meus preferidos. Mais maduro e denso, a inventividade fala por sí só, e aventura nunca esteve tão grandiosa. Mas se a aventura no terceiro foi grande, imagina em O Cálice de Fogo, aventura de início ao fim, sem contar um clímax derradeiramente emocionante. A Ordem da Fenix, caiu um pouco na qualidade, mas ainda manteve mais melhorias no sentido de amadurecimento e complexidade. Pecou mesmo pelo comprimeiro, tendo alguns momentos desnecessários, mas mais uma vez o desfecho se revela eletrizante. Mas nada nos preparou para O Enigma do Príncipe, meu segundo preferido, é maravilhosamente escrito, detalhado, repleto de signifcado e com um final que me emocionou e me deixou tenso até a última pagina.

Chego então, à As Relíquias da Morte. Foi o mais desafiador, e possívelmente o mais difícil de escrever. Rowling tinha que fazer um livro que ao mesmo tempo soasse coerente, satisfazesse os desejos dos fãs e que não deixasse pontas soltas. Creio que ela tenha cumprido todos os quesitos. Recheado de adrenalina e aventura, além da típica inventividade, o grande mérito foi como ela fechou a história – e não digo do epílogo, chegaremos aí mais tarde. Antes de traçar o futuro 19 anos depois de Harry, Rowling obteve a perfeição. Foi precisa, inteligente e genial com sua composição de batalhas, palavras, duelos e ao desvendar os inúmeros segredos por trás dos passados sombrio dos personagens, ao mesmo tempo que analisava o que poderia ser o futuro de Harry. Falando nisso, a figura de Harry é tratada com imensa maturidade, ela traça seus sentimentos sensacionalmente bem, e o torna vulnerável, algo que, conseguentemente, o deixa ainda mais herói e glorioso.

Depois de tanta glória porém, chega o epílogo. É sem dúvida a parte fraca do livro. Se formos analisar bem, as intenções de Rowling estão no lugar certo. Afinal, após sete anos de problemas, tragédia, guerra e mortes, seria mais que justo que Harry encarasse um final feliz, onde ele pudesse viver sossegado com sua família. Casado com Ginny e com tres filhos, no capítulo vemos Harry unido com a família e levando os filhos para Hogwarts, junto com Ronny e Hermione, ambos casados, fazendo o mesmo. É meloso, piegas e mal escrito, confesso, porém, como disse, as intenções foram mais que válidas, e eu realmente não conseguiria pensar em um desfecho mais justo para o personagem. Deixamos então para trás, o fato de ter sido bem óbvio e apenas ficamos com o desejo de que fosse mais bem escrito. A idéia, porém, não me incomodou.

No mais, é um espetáculo de livro. Conclusivo, belo, envolvente, repleto de aventura, emoção e sim, triste, em vários momentos. Instiga e nos prepara para o que pode vir a ser – com um diretor competente – o melhor filme de fantasia da década, ao lado claro, de O Retorno do Rei. Agora é hora de voltar ao mundo real, apesar de saber que nunca deixarei Harry Potter e seu fantástico mundo para sempre.

[Harry Potter and the Deathly Hallows] de J.K. Rowling.

harry.jpg

Matheus Pannebecker do Cinema e Argumento


Responses

  1. É um livro que fecha decentemente uma saga bem escrita, elaborada e repleta de reviravoltas. Cada detalhe têm um porquê e aí reside o deleite do livro. Mas concordo, queria mais do epílogo…

  2. Nunca fui muito fã da série de livros, prefiro acompanhar no cinema e depois quem sabe dar uma chance às obras originais. O único que li até o momento foi o primeiro e não gostei tanto, por isso parei – mas, como já disse, devo dar uma nova chance à série após o encerramento dos filmes.

    Abraço!

  3. Vixi! Não li. Na verdade, parei no terceiro. Acompanhei o quarto e o quinto filmes sem ler…

    Abs!

  4. Como tu sabes, eu não gosto muito desse livro.
    É, não tem jeito. Nessa opinião não concordamos de jeito nenhum.

  5. É realmente um livro encantador. Não acho o melhor, mas fica clara a habilidade que J.K. Rolling tem de manter o leitor atravez da simplicidade textual e das reviravoltas quase sempre bem sucedidas a que a historia se propõe. Vale a pena uma conferida completa… nós que o digamos, hein, Wally :-)


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