Publicado por: Wally | Quarta-feira, Janeiro 2, 2008

O Reino

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Fogo contra fogo

Após um ataque terrorista contra uma área dos Estados Unidos no Oriente Média, deixando inúmeros cidadões americanos mortos e outros assombrados, uma equipe de elite do FBI é enviada para investigar, ao lado da própria polícia do Oriente, os culpados pelo ato trágico de horror.

Eis aqui um filme difícil de se avaliar. As pretensões de O Reino tornam-se claras após poucos minutos de duração. Iniciando com uma explosiva sequencia do ataque terrorista, o filme passa para os EUA, onde os nomes importantes discutem, em ternos e gravatas, as ações que devem ser tomadas. Após um intervalo, a investigação começa, e com isso, perseguições, intriga e ação. O longa do eclético Peter Berg, que havia comandado o exemplar de ação descompromissado Bem-vindo a Selva e o excelente drama Tudo pela Vitória, quer fazer uma mistura (ousada?) de ação com política. Ou seja, entretenimento com conteúdo. E essa ambição é o que atrasa o filme. Seu desejo de se tornar urgente é notável, e seus comentários acerca da atual guerra do Iraque não são descartáveis, porém, o desequilibrio pode ser encontrado entre suas cenas mais, digamos, importantes, e as de ação.

O que quero dizer é que no filme, muito coisa fica no superficial porque fica na espera para outra ser mais desenvolvida. Em outras palavras, a ação que estava entretendo fica na espera para comentários políticos, ou momentos relevantes sobre as condições da guerra são interrompidos para os momentos destinados para vencer o povão. Ironicamente, não são os momentos “pretensiosos” que saem como o destaque do filme, já que as sequencias de ação, por mais limitadas que sejam, são as de verdadeiro valor. Contando com uma excelente edição, fotografia eficiente e efeitos sonoros exemplares, Berg resgata um estilo louvável em fitas de ação com poucos minutos, entretendo e envolvendo a audiencia, criando cenas realmente eletrizantes. O grande problema é que, com exceção da cena final, esses momentos ótimos só surgem faltando menos de 30 minutos para o filme terminar.

O elenco, como seria de esperar, acaba sendo um dos grandes triunfos. Jamie Foxx não adiciona nada de muito novo, seu personagem é pouco interessante (alias, muitos personagens do filme faltam a densidade necessária para vencer a audiencia, com exceção do coronel Faris Al Ghazi, que em uma cena que conversa com o personagem de Foxx entrega mais consistencia ao filme do que qualquer outro momento “político”), mas em compensação Jennifer Garner entretem, Chris Cooper, como de costume, satisfaz, apesar de seu pouco tempo de tela, e Jason Bateman faz o personagen engraçado cliché de forma comum. O destaque vai para justamente o ator que faz Faris, Ashraf Barhom, ótimo. Ou seja, se os diálogos políticos não te convencerem (não reclamo) pelo menos terá bons atores e no final, entretenimento de sobra.

Concluindo, acredito que o objetivo principal de O Reino não foi atingido, como outro filme lançado este ano também fazendo comentários sobre a guerra do Iraque; Leões e Cordeiros, curiosamente, do mesmo roterista de O Reino. São filmes ambiciosos, mas enquanto no primeiro faltou um roteiro mais equilibrado e consistente, no outro faltou foi uma direção mais visionária para o excelente roteiro. O roterista Matthew Michael Carnahan é bom, mas precisa encontrar alguém que realmente compreenda suas intenções e sua relevancia. Mas não me levem a mal, gostei de O Reino, bastante alias. Fui entretido e tomei proveito de alguns bons diálogos, além de pontos positivos para a parte técnica. O roteiro de Carnahan faz um comentário excelente sobre essa guerra sem respostas e cujo fim está longe de chegar. É puramente fogo contra fogo, sem resoluções ou esperanças. Opta por um desfecho que, apesar de um pouco forçado, transmite uma idéia importante, que é a de que existem dois lados para cada moeda, e melhor, aborda a iqualdade, o fato de que sejamos terroristas ou policiais, na maioria das vezes, estamos em busca da mesma coisa. Mas se voce quer ver um ótimo filme de ação com conteúdo sugiro que veja Duro de Matar 4.0, ou melhor, O Ultimato Bourne.

[The Kingdom, 2007] de Peter Berg. com Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper, Jason Bateman, Ashraf Barhom, Ali Suliman, Jeremy Piven e Danny Huston. [Ação, 110 minutos]

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Ronald do Cine Art


Responses

  1. Dos filmes vistos por vc em Dezembro ai estão as minhas cotações dos que eu também vi…

    O Segredo [2006] – **1/2
    Nunca é Tarde para Amar [2007] – ***
    Amores Brutos [2000] ****1/2
    Babel [2006] *****
    Cidade dos Sonhos [2001] *****

    Sobre O Reino…
    Isso está virando tendência para o genero ação! Colocam rolos “políticos” para dar mais seriedade e pretensão ao filme…olha o exemplo de A intérprete e derivados ainda mais simples e equivocados!
    Eu fico com Duro de Matar 4.0 como dica!

  2. Sei lá, acho que o tema central foi muito desperdiçado em meio a tantas cenas de ação. Claro que até passa sua mensagem, mas a única coisa que lembrei depois do filme foram as explosões (muito bem realizadas) e não seu conteúdo político. Entretenimento passageiro…

    Abraço!

  3. Fiquei triste pq perdi esse filme no cinema… agora só me resta esperar pelo DVD!

    Grande abraço!

  4. Quero muito ver, mas pelo jeito só em DVD mesmo.

    Adoro a Jennifer Garner ela é uma ótima atriz, e por sinal o Jason Bateman foi super cotado este ano hein?!

    Muito bom o blog ^^

  5. […] empregar seriedade à história e, se não fosse pelo balanço atmosférico do diretor Peter Berg (O Reino), que consegue estabelecer uma espécie de equilíbrio, o filme não teria tido algum êxito […]


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