Publicado por: Wally | Domingo, Dezembro 30, 2007

Garçonete

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Gosto de paixão

Casada com um ignorante desequilibrado, a vida simples e desanimadora de Jenna fica pior quando descobre que está grávida do homem do qual tanto odeia. Garçonete de um restaurante local, ela é conhecida por suas tortas ótimas e produz, com isso, um sonho de abandonar seu marido Earl e fugir com o neném do qual desgosta. Porém, quando conhece o charmoso médico Dr. Pomatter, ela aprende o que é o verdadeiro sabor da paixão.

O filme sensível e sincero de Adrienne Shelley é um achado. Agradável, original e extremamente divertido, é do típo de sessão leve fundamental, que carrega consigo um grande senso de esperteza e muito prazer. O fato de que praticamente tudo no filme funciona maravilhosamente deixa tudo muito mais gratificante, e os 100 minutos passam como uma das supostas famosas tortas da personagem principal: doce e contundente. Shelley, que foi assassinada pouco depois de fazer o filme, encontra aqui seu último e melhor trabalhado. Apesar de ter feito um número considerável de filmes, são todos pouco conhecidos. Considero, por isso, Garçonete sua grande revelação. Tanto como diretora esperta e atenciosa, como roterista brilhante, possuindo um olho certo para observar o dia a dia de pessoas comuns e um ouvido afiado para diálogos excelentes, que fluem como se fossem improvisados.

waitress2.jpgCom isso, Jenna, personagem principal, acaba por cativar a audiëncia facilmente e vence nossas emoções. O fato é que o filme de Shelley tem de divertido o que tem de triste. De cortar o coração, a vida muitas vezes sofrida e infeliz de Jenna toca fundo e emociona. Nesse sentido, Shelley nunca deixa o melodrama tomar conta e o nível de melancólia é limitado, para o agrado da platéia. No final, porém, percebemos que trata-se de uma fábula realista, tocando no feminismo e a pouca valorização de certas pessoas quanto aos sentimentos das outras. Basta parar, ouvir, sentir e o entendimento virá. Shelley compreende tais valores, e seu filme é lotado deles. É charmoso quando precisa, triste quando é necessário, e provoca grandes sorrisos sempre que possível. O valor emocional é o que vence aqui, mas os personagens são o triunfo.

Personagens dos quais são excepcionalmente bem caracterizados e personificados. Enquanto Shelley os escreve com sinceridade e precisão, o elenco atua cada um com a devida atenção e intensidade. O destaque, claro, vai para Keri Russell, numa performance tocante e magnífica. Russell não grita ou chora. Sua atuação é contida, mas ela diz muito com seus olhos, e se não me engano, é isso que faz um bom ator. Mas o resto do elenco iqualmente agrada. Nathan Fillion, que nesse mesmo ano estava péssimo no superficial Luzes do Além, convence aqui esbanjando charme e carisma. Do outro lado do ringue, Jeremy Sisto, da serie A Sete Palmos, faz o marido ignorante muito bem, sem exagerar. Ainda destaco a escrachada e escandalosa Cheryl Hines e sim, a própria Adrienne Shelley, também uma boa atriz. Mas dois atores que fazem ótimos trabalhos com tempos limitados são Eddie Jemison e Andy Griffith. Jemison é um dos treze de Ocean, aquele que soa demais, e cria um personagem hilário aqui, enquanto o veterano Griffith entrega um complexo trabalho contundente.

Por todos esses motivos é que indico com toda segurança Garçonete, um drama bem humorado e romäntico ao extremo sobre o descobrimento de vários sabores para a vida, mas nenhum tão glorioso quanto o gosto da paixão. A personagem Jenna passou toda sua vida fazendo tortas deliciosas, das quais nomeava dependendo de seu humor, mas não foi até seu relacionamente proibido e sua filha, que ela foi finalmente descobrir quais são os verdadeiros sabores deliciosos que a vida guarda. Afinal, após tanta amargura, é bom sentir algo doce. Parabenizo Shelley e todo o elenco pelo maravilhoso filme , e é com grande pesar também que encaro a triste verdade de que foi o último filme de uma cineasta muito promissora. Pontos para a homenagem à Luzes da Cidade, com a última cena.

[Waitress, 2007] de Adrienne Shelley. com Keri Russell, Nathan Fillion, Cheryl Hines, Jeremy Sisto, Andy Griffith, Adrienne Shelley, Eddie Jemison e Lew Temple. [Comédia, 108 minutos]

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Vinícius Pereira do Blog do Vinícius


Responses

  1. Engraçado que eu não estava gostando muito desse filme em sua primeira hora. Sei lá, estava achando ‘comum’ demais para o alarde que gerou, sem falar que parecia um dramalhão mexicano. Contudo, depois de algum tempo, não resisti ao roteiro encantador e o resultado foi mais do que gratificante. Dentre as atuações, gostei muito do Andy Griffith – aquele ‘discurso’ sobre o sabor de uma torta é uma das melhores cenas do ano.

    Abraço e um ótimo Ano Novo!
    PS: Todo mundo parece que viajou, mas estarei aqui (e lá no blog) comentando como sempre ;)

  2. Eu sou mais díficil de se entregar nesse tipo de filme…a menos que o roteiro se mostre átipico ao genero! Parece que é o caso…!
    Vou dar uma atenção maior ao filme!
    Boa resenha!
    abraço!

  3. Garçonete chegou em um cinema muito distante e em horários bem difíceis por aqui. Portanto, acho que vou esperar o DVD.

    Assim como o Vinícius, estarei aqui e lá no blo também, já que só viajo na melhor época para se ir ao cinema – em fevereiro.

  4. Alguem por favor, tem a letra em ingles ou portugues da canção q ela canta pra filha? Se tiver pode me fazer a gentileza de me mandar por email. Sou doida por essa musica é realmente linda. A quem me mandar muito obrigada!!!!


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