Publicado por: Wally | Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Licença Para Casar

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Reprovação matrimonial

Após se apaixonarem e decidirem se casar, Ben e Sadie decidem casar na igreja de sua cidade natal, onde os pais de Sadie se casaram e da qual seu avô construiu. O que não esperavam, porém, era que para poderem se casar na igreja precisarão passar por várias provas que serão dadas pelo padre Frank, que quer, de qualquer forma, assegurar os jovens de que foram feitos um para o outro antes de se unirem.

Apesar de sua premissa soar bem refrescante e original, a nova comédia falha estrelada por Robin Williams (que continua fracassando desde Férias no Trailer e Candidato Aloprado), nada mais é que um grande ambulante clichê, com uma narrativa vergonhosamente lotada de esteriótipos e situações embaraçosas. O mocinho conquista a mocinha, eles decidem ficar juntos e um amigo da família irritante ameaça o amor do casal. É algo mais do que batido e filmes iqualmente ruins como O Ex-Namorado da Minha Mulher já até exploraram o clichê este ano. Mas pior que a imprevisibilidade em Licença Para Casar, são as piadas que nunca funcionam, o humor escrachado demais e os gags desnecessários. Isto sem contar os personagens nada cativantes.

Falando de comédias românticas, provavelmente já vi piores, mas é uma pena que filmes como Licença Para Casar continuam sendo feitos. O gênero acerta raramento e na maioria das vezes, chegam das mãos de diretores ou roteristas já conhecidos e confiáveis. As surpresas são poucas. Licença Para Casar é apenas mais um fiasco previsível, do qual antes de você ver, já possui uma idéia de nível que provavelmente se limita, e depois de assistir, se irrita consigo mesmo por ter arriscado. E pode ter certeza, não vale o risco. Se há uma coisa valorizável no longa é o ator John Krasinski, que se revolou com seu ótimo personagem na engraçada serie The Office, mas que é forçado para dentro de seu esteriótipo chato em Licença Para Casar, mesmo com bom timing cômico e carisma de sobra.

licen2.jpgKrasinski rouba muitas cenas, mas dificilmente eleva o nível do filme. Ao seu lado, uma Mandy Moore que está apenas interpretando as incontáveis personagens das quais sempre interpreta e Robin Williams, em mais uma rouba e mais uma vez não convencendo. Nunca o achei um bom ator, mas pelo menos já teve dias gloriosos com filmes como Gênio Indomável. Essa época se foi e Williams, com seu favoritismo com o público, investe em caretas e clichês em Hollywood. Os coadjuvantes, ao contrário do que acontece em muitas boas comédias, se revelam todos muito sem graça, não ascrescentando em nada para o humor ou o divertimento.

Mas se mais que metade do humor de Licença Para Casar se revela desnecessário, pelo menos uma parcela funciona, e para os mais desavisados, que verão o filme descompromissadamente e sem o senso crítico, pode muito bem ser que o tal humor acabe agradando, mesmo que eu tenha felizmente resistido. Se fosse para mencionar um elemento que realmente funciona no longa, eu diria os dois filhos de mentira dos quais o padre dá ao casal para cuidarem. Além de bem esquisitos e estranhos, eles arrancam as risadas necessárias para não tornar Licença Para Casar um completo desperdiçio, mesmo que este não esteja tão longe disso. O pior chega quando as lições de vida são introduzidas, o melodrama carrega inconvenientemente a atmosfera e o sem graça da lugar ao desagrado. Pouco, muito pouco, funciona no filme para se tornar recomendável. Mesmo em DVD, Licença Para Casar não merece o selo de aprovação, e nunca deveria ter sido autorizado para sair das gavetas do estúdio. Afinal de contas, poucos roteiros tão ruins se tornaram bons filmes e nas mãos de Ken Kwapis, que dirigiu o divertido e charmoso Quatro Amigas e Um Jeans Viajante, se torna um tremendo equívoco.

[License to Wed, 2007] de Ken Kwapis. com John Krasinski, Robin Williams, Mandy Moore, Josh Flitter, DeRay Davis, Eric Christian Olsen, Christine Taylor, Peter Strauss e Grace Zabriskie. [Comédia, 91 minutos]


Responses

  1. Wally, eu acho que fui a única que gostou desse filme. Concordo que a Mandy Moore interpreta o mesmo tipo que sempre interpretou. Mas, o que eu achei mais interessante no filme foi a questão do personagem do Robin Williams. As interações dele com o pastor-mirim eram ótimas e engraçadíssimas. Além disso, gostei das cenas com as aulas práticas da escola de preparação para o casamento.

  2. Esse é aquele tipo de filme que vou esperar meu pai alugar pra ver, pois não tenho a mínima vontade de alugá-lo.

  3. Alguém pode me dizer pq Robin Williams não escolhe mais bons roteiros? Ou ninguém mais quer trabalhar com ele?

    Teve uma época em que ele fez uma bela seqüência: “Bom Dia Vietnã”, “Sociedade dos Poetas Mortos”, “O Pescador de Ilusões”, “Gênio Indomável”…

    Abs!

  4. Apesar do final realmente tocante (não a parte com o Williams, que está péssimo por sinal, mas sim o reencontro do casal), achei todo o resto descartável. Como você disse, é um retrocesso na carreira do Ken Kwapis.

    Abraço!

  5. Deus! Ainda não vi nada desse Ken Kwapis… é assim mesmo o nome dele?

    Abs!

  6. É assim mesmo, Otavio. Ele dirigiu “Quatro Amigas e um Jeans Viajante” e vários episódios do seriado “The Office”.

  7. O tipo de filme que vejo na locadora e um “não” vem de imediato na cabeça!
    Fico me perguntando…o que Robin Williams está querendo com essa vida de filmes ruins hein!?
    Está superando Nicole Kidman e suas escolhas equivocadas…com suas exceções é claro!
    Abraço!

  8. Obrigado, Kamila! Pelo menos, adoro THE OFFICE.


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