Publicado por: Wally | Domingo, Novembro 18, 2007

Os Donos da Noite

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Era uma vez dois irmãos

Bobby Green vive sua vida loucamente. Gerente de um clube badalado comandado por uma família russa, Bobby sempre viveu livremente, diferente de seu irmão, Joseph, que decidiu seguir os passos de seu pai, se tornando policial. Rivais, os mundos habitados por Bobby e Joseph colidem quando Joseph investiga um caso de drogas cercando a família russa pela qual Bobby trabalha.

Um bom drama policial, o novo filme de James Gray é um relevante e divertido pedaço de cinema, incluindo inúmeros belos momentos e uma direção focada de Gray, mesmo com uma premissa bem comum, Gray consegue transpor para a audiência muito bem os sentimentos de seus personagens com bastante crueza, porém, acaba encontrando um desafio ao contar essa história intímista sobre lealdade e crime, com um roteiro muitas vezes falhado, diálogos batidos e pecando diversas vezes no ritmo do filme. Olhando através de todos esses erros técnicos, podemos encontrar um satisfatório longa, que inclui um foco extremamente interessante e um elenco excepcional, deixando tudo muito mais glamouroso, ao lado do visual.

Em um filme sobre drogas, violência e as duas facetas da lei, o verdadeiro foco se torna a relação fraterna entre Joseph e Bobby, ambos vivendo em mundos diferentes que se colidem. Apesar de todas as diferenças que os separam, eles são inevitavelmente unidos pela lealdade e o elo familiar fortíssimo, por mais que Bobby queira viver livremente, não ligando muito para convenções, ele é levado a encarar a realidade e a dor quando a tragédia bate à sua porta. O filme de Gray fala muito sobre a responsabilidade, o peso da culpa e a lealdade existente entre membros de família. Por pouco, seu filme não se revela cinema verdadeiramente excepcional. Digo isso pois apesar da densidade de seus momentos, personagens cativantes e cenas envolventes, a estrutura se revela imensamente convencional e Gray, principalmente em seu ato final, substitui inovação pelo comum, uma má escolha, entre várias outros no roteiro, que acaba deixando tudo com um gosto meio amargo.

Ao nos deixar com este gostinho amargo ao final da sessão, o filme realmente deixa de ter o respeito que poderia ter tido se Gray tivesse dirigido o filme todo como dirigiu certos momentos. Enquanto nesses momentos nos sentimos à frente de uma obra maravilhosa, em outros, testemunhas de um mero filme policial convencional. O que é incontestável porém, é a habilidade de Gray em transpor o elo entre os irmãos vividos por Mark Wahlberg e Joaquim Phoenix. Wahlberg fica mais na arquibancada, como coadjuvante, possui poucos momentos para brilhar e ao contrário do que aconteceu em Os Infiltrados, não atinge um resultado vibrante, apesar de satisfatório. O mesmo pode ser dito por Robert Duvall, que há muito tempo não entrega uma verdadeira performance, mas que também satisfaz em seu papel limitado. O show, com isso, fica com Phoenix, um fenomenal ator que vibra com intensidade no seu complexo papel, ele é o verdadeiro valor do filme, expondo tanto as vulnerabilidades, quanto os fortes de Bobby excepcionalmente bem. Eva Mendes, ao seu lado, não faz mal, no que pode ser o melhor papel – e performance – de sua carreira.

Outro valor inconfundível no longa é sua parte técnica, que inclui um visual instigante, capturando muito bem a Nova York dos anos 80. Falando nisso, Gray merece elogios pelo detalhismo que apresenta, como numa cena onde os irmãos conversam em um escritório cuja janela entrega uma ampla vista da metrópole, onde, à distância, encontramos ainda de pé, as torres gêmeas. Além disso, há uma competente montagem e excelente trilha sonora, em momentos deixando cenas como a da fuga do carro bem tensos, pela sua ausência, capturando somentes os sons que envolvem a cena, como os gritos, os carros, os tiros e o para-brisas se movendo. Se o filme todo fosse composto por momentos excelentes como este, ganharia meu total respeito, mas graças à uma estrutura muito convencional, cenas desnecessárias e perca de rítmo considerável, preciso contentar com apenas as 3 estrelas, recomendando – afinal de contas é um filme muito bom – mas avisando dos problemas óbvios que podem ser encontrados ao longo da danificada narrativa. De qualquer forma, é um longa que merece uma olhada, sem sombra de dúvida.

[We Own the Night, 2007] de James Gray. com Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg, Robert Duvall, Eva Mendes, Alex Veadov, Dominic Colon, Danny Hoch e Oleg Taktarov. [Policial, 117 minutos]

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Responses

  1. Infelizmente ainda não vi esse filme, mas nem estou com muita curiosidade, sabia? Pelo que vejo (inclusive por essa sua crítica), “Os Donos da Noite” é apenas mais uma fita policial comum e que deve ser esquecida pelas premiações. Quem sabe confiro pelo elenco…

    Abraço!

  2. Hmm… estou louco pra ver. Acho que vou hj.

    Abs!

  3. Wally, discordo de você. Acho que o filme não tem problemas de roteiro ou perda de ritmo. Gostei bastante de “Os Donos da Noite”, um filme que dialoga com “Os Infiltrados” e com “Caminho Sem Volta”, um dos filmes dirigidos por James Gray anteriormente.


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