Publicado por: Wally | Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Leões e Cordeiros

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Armadilhas do poder

Uma nova estratégia de guerra será tomada no solo do Iraque no exato momento onde o Senador Jasper Irving libera a informação para uma jornalista chamada Janine Roth. Em tempo real, a dupla começa uma discussão fervorosa sobre a política da guerra e o as possibilidades para acabar com ela. Enquanto isso, os soldados Ernest Rodriguez e Arian Finch se arriscam com a tal nova estratégia. Rodriguez e Finch são lembrados pelo professor Stephen Malley, que discute seus dois ex-colegas e o estado atual dos Estados Unidos com seu novo estudante, o inteligente Todd Hayes.

Leões e Cordeiros inícia a nova temporada do cinema no Brasil: a do ataque à guerra do Iraque. O cinema, mais uma vez, desponta como o principal meio de rebeldia e protesto contra o governo do Bush, e Robert Redford decidiu entregar sua própria visão sobre os conflitos do Iraque. Obviamente contra o Bush e suas escolhas nada agradáveis, Redford é um dos muitos americanos revoltados, e mesmo que sua revolta e, consequentemente, seu relato, não seja tão acida e gloriosa como o protesto de Michael Moore em Fahrenheit 11 de Setembro, ele ainda merece aplausos pela coragem, mesmo que a engenhosidade do filme esteja contida no roteiro, com diálogos pesados e relevantes, que oferecem reflexões valiosas e provocam muitos debates e discussões.

Por outro lado, o filme de Redford falha em certos sentidos. Primeiramente, soa muitas vezes sem drama, sem um lado cinematográfico visível, apenas discutindo e debatendo, mesmo que estes debates sejam extremamente importantes e informativos. Também possui o fato de que a nova estratégia sendo empregada no Iraque nunca fica muito bem explicada, fora o literal, não somos informados em como o Senador acha que aquilo vai ajudar, o que na verdade, pode acabar sendo intencional, já que está na natureza do personagem de Cruise simplesmente fazer alguma coisa, mesmo que não faça muito sentido e possa vir a dar errado. No mais, é fácil ser envolvido pelo filme, isto é, para quem gosta de ouvir, pois diálogos são os que mais se encontram no longa de curtíssima duração (menos de uma hora e meia de filme), com somente as cenas de guerra – curtas – oferecendo pausas nas discussões que parecem correr em tempo real.

A forma como a jornalista interpretada brilhantemente por Meryl Streep encara os fatos que o Senador coloca visívelmente à sua frente, se revela um dos pontos mais marcantes do filme. Não só na sua reação durante seu debate com Irving (um sorridente mas contundente Tom Cruise) mas no seu desabafo, quando chega à redação onde trabalha, Indignada, ela coloca tudo para fora, toda sua indignação, que infelizmente, não parece se importar em meio ao poder do Senador e da política amiga de Bush. O longa questiona muito o que a sociedade está tentando fazer sobre a guerra, as razões para lutar e morrer dos soldados, que nunca soam claras ou verídicas, e a incapacidade do governo em responder perguntas, simplesmente enviando mais jovens para a morte, jovens com futuros brilhantes cursando em universidades e que podem, de certa maneira, fazer uma diferença, que não seja se matar pela causa do patriotismo, do qual se revela extremamente ferido no meio de tanto ódio e caos cercando a população estadunidense e o governo incompetente e ganancioso de Bush, que criou uma verdadeira armadilha contra o povo com seu inestimável poder.

Redford entende muito bem questões como esta, compreende o roteiro, os personagens e os dirige muito bem. Falha porém, ao não entregar maior consistência aos debates, falhando dramaticamente, deixando seu filme sempre com o sentimento de que poderia ter sido melhor, mais bem sucedido. Como ator, acaba se revelando mais satisfatório, vivendo com simplicidade e competência um professor iqualmente inconformado com a política, querendo colocar sensibilidade na cabeça de um jovem, a quem ele acredita no potêncial. Sejá na sala do Senador, sobre as implicâncias da guerra e a terrível verdade acerca de suas consequências, no campo de batalha onde dois soldados arriscam suas vidas por uma causa nada nobre, ou na sala do professor, onde responsabilidade e sensibilidade ganham tratamentos importantes, Leões e Cordeiro é sempre interessante, provocando reflexões e pensamentos, seu principal objetivo. Mesmo que não fará uma grande diferença e será possivelmente esquecido em menos de um ano, ainda é um longa valioso, que merece certa atenção numa época complexa de conflitos e lealdade.

[Lions for Lambs, 2007] de Robert Redford. com Robert Redford, Meryl Streep, Tom Cruise, Michael Peña, Derek Luke, Andrew Garfield, Kevin Dunn e Peter Berg. [Drama, 88 minutos]

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Responses

  1. Bom texto, Wally.

    Concordo quando você diz que falta vibração à “Leões e Cordeiros”. A melhor cena do filme é a da Meryl Streep confrontando seu editor. Se o filme tivesse essa mesma vibe o tempo todo seria perfeito.

    De qualquer maneira, ele vale pelas discussões que levanta. E acho que os argumentos apresentados são bons. O filme faz pensar, o que é ótimo.

  2. Como você bem sabe, gostei do filme. Redford podia ter sido mais cuidadoso na direção, tornando a história mais cinematográfica e menos debate. Mas como sabemos, o grande trunfo de Leões e Cordeiros está nesse quesito: nos debates que proporciona.
    Pra ver, pensar e refletir.
    NOTA: 8.0

  3. Um filme que logo será esquecido é um filme que não é bom. Eu achei um saco. É o pior filme político feito por Hollywood em anos.

    Abs!

  4. Geralmente adoro esse tipo de filme político, até mesmo porque o tema é bastante atual e serve para alguma reflexão dos espectadores – não sei se é o caso de “Leões e Cordeiros”, o qual ainda não vi. Pelo que percebi, a principal falha do filme diz respeito à narrativa, que não tem grandes momentos dramáticos, mas ainda assim devo conferir pela Meryl Streep.

    Abraço!

  5. e muito ruim e so para os babacas do tio sam

  6. Filmão.

  7. Pergunta: O meu professor de economia,pediu para fazer um trabalho complementar sobre o filme,gostaria de saber se o filme;tem alguma relação com a materia dele:Economia e Mercado?


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