Publicado por: Wally | Quinta-feira, Novembro 8, 2007

Piaf: Um Hino ao Amor

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Um lamento rosado ao amor

A vida extraordinária de Edith Piaf, desde sua infância pobre, trabalhando e cantando para sobreviver, até o momento onde atingiu o sucesso, momento onde se apaixonou, e também onde teve seu coração partido.

Cinebiografias estão em alta. Pelo menos três são lançadas a cada ano, acabando sempre bem sucedidas, pelo menos em relação à homenagem à pessoa que retrata, da qual normalmente acaba sendo personificada por um ator com extrema competência. O que difere Piaf: Um Hino ao Amor, de filmes que investigam o passado de seus cantores como Ray e Johnny & June, é o fato de que Piaf vem da França, enquanto os outros dois são produções norte americanas. Como esses dois filmes, Piaf é um longa imperfeito, mas além de sua imperfeição podem ser encontrados dois fatores impecáveis. Primeiramente, a parte técnica maravilhosa, onde todos os aspectos necessários brilham (literalmente) vencendo os olhos da audiência. Segundo, e relativamente mais importante, a atuação da protagonista. Marion Cotillard não entrega somente uma performance, pois realmente não consigo achar palavras que possam descrevê-la. Como Jamie Foxx fez em Ray e Joaquin Phoenix em Johnny & June, ela entra na pele de Edith Piaf, incomporando seus modos, sua voz, seu corpo e principalmente, seus sentimentos. Eu deixei de enxergar Cotillard, para presenciar uma verdadeira Edith Piaf, cantando e comovendo.

piaf2.jpgDe duração um pouco longa demais, Piaf não cansa a audiência graças à habilidade infálivel de Cotillard de grudar o espectador na poltrana todo momento que entra em tela (ou seja, praticamente a sessão inteira), e nem mesmo as atrizes que personificam Piaf com as idades de 5 e 10 anos conseguem decepcionar, ambas se saindo, na verdade, muito bem. O diretor faz uma bela homenagem á cantora, e todos que são fãs, cresceram ouvindo e se apaixonaram com o som de Piaf, irão sair da sessão arrasados, emocionados e contentes. O diretor Dahan, porém, deixa sua história se carregar um pouco quando passa da primeira hora, e a estrutura convencional do seu longa também não agrada muito, mas o roteiro, que explora principalmente a falta de amor de Piaf desde sua infância, até o momento onde finalmente a encontra, quando já é famosa, e em seguida, precisa sofrer a perda, que muda sua vida completamente, faz bem ao tratar tal aspecto da vida de Piaf, que foi o principal. Edith cantava sobre amor, descoberta, lamento e tristeza, e todos esses fatores podem ser encontrados ao longo da narrativa contundente, que vence a audiência com seu tons melancólicos e absurdamente emocionantes.  Ao lado de tudo isso, uma sensacional atriz, deixando tudo muito mais luminoso e digerível, mesmo quando Dahan falha, ela salva o filme.

Voltando ao outro aspecto fantástico do filme, como Dahan utiliza muito bem sua câmera para fotografar maravilhosamente as cenas. A cinematografia é maravilhosa, os movimentos de câmeras incríveis e a iluminação perfeita. É um deslumbre completo, que se torna ainda mais luxuoso graças à direção de arte iqualmente magnífica e meticulosa, incluindo construções de época dignas e um figurino ótimo, principalmente os de Edith Piaf. A montagem se revela iqualmente competente, principalmente ao desfecho maravilhosamente orquestrado, fabricado para realmente comover e envolver a audiência na tristeza de Piaf, seu lamento ao amor, e Cottilard deixa o envolvimento muito mais fácil.

Extremamente recomendado para os adoradores do som de Piaf, e ainda mais para quem já conhece sua história, é um filme falhado em sua estrutura e que sofre, uma vez ou outra, defeitos típicos de cinebiografias. Mas o fato é que técnicamente impecável, incluindo uma performance perfeita de sua protagonista e sendo imensamente justo à vida de Piaf, entregando o filme que merece, fica muito difícil não se emocionar. O longa deixa de retratar a vida de Edith para investigar mais fundo, explorando seus sentimentos, suas incertezas e sua dor, marcando a audiência profundamente com tanta meticulosidade. É uma sessão realmente imperdível e vossa excelência Helen Mirren, que atualmente reinava com a melhor performance feminina do ano, terá que deixar a coroa para Marion Cottilard, que numa batalha verdadeiramente acirrada, vence como a performance mais eficiente e tocante do ano. Já que fica muito difícil descrever em palavras a sensação de vê-la em tela, vejam logo o filme e tirem suas próprias conclusões, que não ficarão indiferentes à minha.

[La Môme, 2007] de Olivier Dahan. com Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rove e Gérard Depardieu. [Drama, 140 minutos]

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Responses

  1. Realmente o maior destaque aqui é a Marion Cotillard, não há discurssão. Só não concordo muito quanto ao Jamie Foxx em “Ray”, pois para mim aquilo foi muito mais uma “imitação” do que uma “atuação”, entende? Quer dizer, são raros os momentos do filme em que ele entrega algo digno de Oscar. Voltando à “Piaf”, a fotografia é outro ponto positivo mesmo, apesar da direção do Dahan ser um pouco acadêmica.

    Abraço!

  2. Bela crítica, Wally! Mas vi o filme no mês passado e já me esqueci dele. Só me lembro de Marion Cotillard. Espero que ela ganhe o Oscar e o Globo. E o Blog de Ouro, claro :)

    Abs! Bom final de semana!

  3. Vi esse filme faz semanas, e ela ainda não saiu da minha cabeça. Fiquei completamente encantado por Edith Piaf. O filme, apesar de falho tem momentos brilhantes. Cotillard dispensa comentários…
    NOTA: 8.0

  4. Todo mundo já assistiu a este filme, menos eu… :-(((

    E nem sei se “Piaf” estreará em Natal.

    Bom final de semana!


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