Publicado por: Wally | Domingo, Outubro 28, 2007

Superbad: É Hoje

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A vingança dos nerds

Seth e Evan são grandes amigos. Nerds, feios e excluídos do centro social do colegial, sofrem de traumas do passado e não conseguem tirar sexo da cabeça, nem o fato de que falta um ano para formarem e ainda serem virgens. O outro amigo esquisito da dupla, Fogell, surge como uma escapatória para os amigos, quando decidem utilizar ele e sua nova identidade falsa para conseguir bebidas ilegais para uma festa que pode muito bem ser o grande espetácula da vida deles. As coisas, porém, acabam dando muito errado no meio do caminho. 

Como já cheguei a mencionar aqui no blog anteriormente, na minha crítica ao ótimo Ligeiramente Grávidos, o nome de Judd Apatow merece ser lembrado e vai ser lembrado. Mesmo que o nome dele só chega à aparecer nos créditos de Superbad como produtor, é fácil perceber que ele teve liberdade criativa, ao lado de Seth Rogen (ator e roterista) e Greg Mottola (diretor). Rogen foi o protagonista do filme anterior de Apatow, do qual já mencionei, e já confessou que Superbad: É Hoje é uma crônica relembrando os seus dias de high school. Rogen pode ter sofrido muito e passado por muitas dificuldades e humilhações como um nerd gordo que só pensa em sexo, mas pelo menos ele pode olhar para atrás agora e dizer que tudo aquilo valeu a pena. Ao lado de seu co-roterista Evan Goldberg (que na vida real e no filme é seu melhor amigo), Seth se vinga de tudo e de todos, mostrando o quanto um nerd pode ser bad, nesse caso, suberbad. O fato é que não é só uma das melhores comédias do ano, mas em questão de comédias adolescentes, é  a melhor da nova geração. O mestre de todas as tortas americanas finalmente chegou.

imagem21.jpgA originalidade é chave aqui, os personagens são muito bem construídos e personalizados, o tornando fáceis de serem admirados, além de que o elenco todo parece se mover à um ótimo timing cômico. Não só combinam muito bem com os personagens em sí, mas adicionam uma ácidez, uma especie de autênticidade a mais, tornando tudo ainda mais divertido e genial. Por esse motivo, piadas que inicialmente seriam grosseiras e inapropriadas saindo da boca de qualquer outro garoto nerd pevertido, soam hilárias quando saem dos atores Jonah Hill e Michael Cera. Principalmente Hill, que demonstra casting perfeito, apesar de que ele com certeza não precisou de teste, já que é um amigo pessoal de Seth Rogen e deve ter sido chamado exclusivamente para fazer o filme. Digamos que foi mais uma escolha sensata de Rogen, como muitas outras.

O longa se sai ainda mais vitorioso porque decide focar seu olhar exclusivamente nos sentimentos dos jovens do filme, o fato de estarem com medo de seus futuros, a ansiedade pelo sexo e a tensão perto das garotas. Olhando de relance, pode parecer bobo e idiota, mas a verdade é que captura de forma muito sensata e plausível o sentimento da juventude e as experiências humilhantes e indesejáveis do colegial. É fato e não adianta ignorar. Seth e Evan com certeza não ignoraram e merecem respeito por isso. Eles transformaram uma premissa a la American Pie e contruiram, em base disso, uma celebração de ser jovem e mais importante, uma celebração à amizade. Ao final do filme, percebemos que foi a grande amizade de Seth e Evan que conquistou todas as barreiras e fizeram eles sobreviverem ao tumulto da noite. Não só isso, mas recorreram um ao outro nos momentos de desespero e apuro. O que é álcool, festa e mulheres quando se tem um grande amigo ao seu lado?

Fico contente que a amizade dos dois tenha sobrevivido até os tempos de hoje. Por causa de um roteiro afiado e original, uma direção eficiente e contundente – é fácil notar que Mottola é um bom diretor – humor escandalosamente divertido e personagens desajustados dos quais aprendemos a amar, Superbad se torna, desde já, uma sensação para o gênero, sua salvação, sua obra-prima. Ninguém melhor para fazer isso do que Judd Apatow, o grande cabeça por trás da produção. Ele nos transporta ao sentimento indesejado mas irresistível da high school como Meninas Malvadas fez há algum tempo, o único filme que luta com Superbad pelo título. Mas cada um com seus valores e suas vitórias, o fato é que em meio à tantos blockbusters, besteirois e decepções, Superbad pode acabar se revelando – surpreendentemente – a melhor coisa nos cinemas atualmente.

[Superbad, 2007] de Greg Mottola. com Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Bill Hader, Seth Rogen, Martha MacIsaac e Emma Stone [Comédia, 114 minutos]

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“I’m not too worried about it, really. I wouldn’t worry about it. Don’t worry about it. I’m not worried at all.” – Evan 


Responses

  1. Acho que o que “Superbad” tem de melhor é essa vontade de recuperar a essência daquelas comédias adolescentes dos anos 80, como “Porky’s”. Cenas engraçadas, jovens inconsequentes e interesse em festas, bebidas e garotas. O filme nunca cai no mau gosto.

    Só não consegue superar “Ligeiramente Grávidos”, que ainda é a melhor comédia do ano.

  2. Sem dúvida uma ótima comédia, a melhor do ano ao lado de “Ligeiramente Grávidos” – que ainda é minha favorita. Mesmo que teoricamente seja um típico besteirol, acrescentou um pouco de originalidade ao gênero – quem não ficou com o coração quebrado após aquele final emocionante?
    E que tal a cena do desenho e do assalto com o McLovin? Fico rindo só de lembrar, hahahaha.

    Abraço!

  3. Não tenho vontade de ver esse filme… :P

  4. Quero muito ver! Quando a Mostra de SP terminar, irei correndo assistir a SUPERBAD. Bela crítica, rapaz!

    Abs!


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