Publicado por: Wally | Segunda-feira, Outubro 8, 2007

Morte no Funeral

imagem1.JPG

Á sete palmos

Após a morte do patriarca de uma família britânica caindo aos pedaços, todos decidem se reunir para o funeral. Enquanto rivalidades entre irmãos acontecem, confussões entre casais e incompreensão nos bastidores, surge um mistérioso homem que esconde uma terrívelmente avassaladora verdade que pode trazer a família abaixo de uma vez por todas.

imagem21.JPGÉ raro quando tenho o grande prazer de sair de uma sessão de cinema para uma comédia e orgulhosamente dizer que foi provavelmente o momento mais divertido de meu dia. Normalmente, as comédias contemporâneas são de extremo mal gosto, feitas sobre receita de bolo e quase sempre cercando o mesmo assunto. Com raras exceções, uma vez ou outra me sinto culpado e patético por ter achado graça de certas piadas e de certos filmes. O diretor/roterista Judd Apatow é uma nova sensação para o gênero e entregou esse ano a nova comédia romântica deliciosa Ligeiramente Grávidos. No engraçadíssimo Morte no Funeral, comédia de situações genial, o diretor é Frank Oz, cujo currículo esconde perólas magníficas como Pequena Loja dos Horrores e comédias infelizes como Mulheres Perfeitas. Oz acha o equilibrio perfeito aqui entre humor negro e personagens cativantes.

Os acontecimentos do enredo cercam, obviamente, um funeral, mas sem as emoções fortes e o luto, como diz a propagando do filme: “neste você não chora…só ri.”. E é verdade. Ri muito, por acaso. Apesar de não atingir nada revolucionário ou brilhante, Morte no Funeral se destaca por fazer bom utilizo de humor negro e saber construir situações hilárias acerca dos seus personagens, dos quais nos importamos automaticamente, apesar da pouca duração de uma hora e meia. Não só isso, mas no meio de tantas vergonhas “cinematográficas” do gênero esse ano (vide Deu a Louca em Hollywood, Norbit e Operação Limpeza), se revela extremamente satisfatório e contundente, não só nutrindo nossa intensa necessidade de dar gargalhadas e de divertir, mas revelando que ainda há esperança em Hollywood, e ainda podem existir comédias realmente boas e originais.

Curto e grosso, o longa decide trabalhar muito mais as situações nas quais seus imagem31.JPGpersonagens se encontram do que nos diálogos em sí, apesar de muitos serem geniais, o fato é que Oz deixa sua criatividade rolar solta, e certos momentos soam maravilhosamente improvisados. Ajuda o fato de seus personagens serem queridos e não lhe faltam atenção do roteiro bem estruturado, que nunca perde o ritmo e esconde sacadas extremamente engraçadas. São os momentos únicos e imensamente competentes que realmente deixam essa comédia irresistível, mas não ha como negar que como um todo, se revelou muito efficiente.

Outro fator admirável é que trata-se de uma comédia que provavelmente agradará a todos. Faz uma mistura adequada de inteligência, humor negro e piadas sensacionais que deixam até o mais mal humorado com um largo sorriso no rosto, e quem sabe, provocando uma grande gargalhada. Gostei muito também do elenco, onde todos funcionam e satisfazem, entregando excelente timing cômico. No sentido de entretenimento é uma comédia perfeita, me deixou sem ar, me deixou querendo mais e mais e nunca decepcionou, como cinema, iqualmente não falha, criativo, ousado, querido e incrívelmente bem desenvolvido em relação à seus personagens e a trama em sí. As falhas bem, passam despercebidas ao olho nu.

[Death at a Funeral, 2007] de Frank Oz. com Matthew Macfadyen, Keeley Hawes, Andy Nyman, Ewen Bremmer, Daisy Donovan, Alan Tudyk, Jane Asher, Kris Marshall, Rupert Graves, Peter Vaughan, Thomas Wheatley, Peter Egan e Peter Dinklage. [Comédia, 90 minutos]

“Tea can do many things, Jane, but it can’t bring back the dead.”


Responses

  1. Já é o segundo bom comentário que leio sobre o filme. O que é surpreendente em se tratando de um filme do sempre irregular Frank Oz. Me deixou na curiosidade, Wally. Acho que vou assistir ao filme.

  2. Fiquei curiodo, tem outros filmes de OZ que são nota 10.
    “Os Safados” e ‘Os Picaretas” – muito bons
    inté!

  3. Geralmente o Frank Oz realiza trabalhos abaixo da média, mas a crítica gostou de “Morte no Funeral” e devo ver depois dos seus comentários – mais pelo teor da trama do que pelo elenco de (quase) desconhecidos.

    Abraço!

  4. UAU! Mas é bom assim?? Eu nem prestei atenção nos lançamentos da semana. Vi só TROPA DE ELITE. Vou anotar essa recomendação na agenda.

    Abs!

  5. Até antes de ler seu post, não sabia desse filme. Mas, de qualquer forma, não me interessei por ele. Minha única experiência com os trabalhos de Frank Oz foi com Mulheres Perfeitas. E a experiência foi bem amarga…

  6. […] o excelente Kevin Bacon (Ligados pelo Crime) e coadjuvantes de peso como Matthew Macfadyen (Morte no Funeral), Oliver Platt (Ensinando a Viver) e Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona). Eles adicionam vida […]


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: