Publicado por: Wally | Domingo, Outubro 7, 2007

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capote.jpgCapote 5 Stars

de Bennette Miller. com Philip Seymour Hoffman, Clifton Collins Jr., Catherine Keener e Chris Cooper. Drama, 114 minutos. [Capote, 2005] ® 

Admirei muito esse simples e particularmente meticuloso drama acerca da vida de Truman Capote ao escrever o romance que o eternizou. Na sua estréia como diretor, Miller se revela extremamente competente, utiliza imensa sutileza e um densidade relevante ao narrar esse conto observador e inteligente. Estéticamente belo e possuindo um roteiro excepcional, o longa orquestra o personagem maravilhosamente, no sentido de que acabamos nos conectando com ele e partindo em sua jornada misteriosa e envolvente. Miller merece créditos por ser sempre focado e verossímil, ganha ajuda de bela fotografia e efficiente montagem e trilha. O destaque porém, vai à atuação brilhante e impecável de Philip Seymour Hoffman, re-criando o personagem verídico com extrema genialidade e perfeição. Simplesmente inconfundível e majestral. Ao lado dele, ótimas interpretações de Chris Cooper, Catherine Keener e um revelador Clifton Collins Jr.. Um memorável e excelente filme, que relembra um momento marcante da história da literatura admirávelmente e maravilhosamente, não só do superficial, mas resgatando profundamente as características de seus personagens, principalmente Capote, um personagem desde já emblemático.

Vencedor do Oscar: Ator (Philip Seympur Hoffman). Indicado a 4 Oscar: Filme. Diretor. Roteiro Adaptado. Atriz Coadjuvante (Catherine Keener).

elizabeth.jpgElizabeth 4 Stars

de Shekhar Kapur. com Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes e Christopher Eccleston. Drama, 124 minutos. [Elizabeth, 1998]

Extremamente revelador e bem realizado, o filme Elizabeth é sofisticado, visualmente belo, escondendo grandes momentos e narra a história, as conquistas e a vida – pelo menos uma parte dela – de Elizabeth com extrema relevância. O longa muitas vezes deixa de lado política e guerra simplesmente para poder trabalhar melhor a personagem, uma escolha louvável do roteiro, afinal, o filme é dela. Mas o diretor, Kapur, faz um incontestávelmente ótimo trabalho na narrativa, mescla política, drama, biografia em um filme bem amarrado e conquistador. Como não poderia deixar de ser, não são exatamente os visuais o grande desataque, apesar que fui conquistado pela excelente fotografia e a direção de arte fantástica, incluindo impressionante figurino, mas o destaque é a atuação magnífica de uma certa deslumbrante Cate Blanchett, verdadeiramente monumental no papel, criando uma rainha fervorosamente viva e audaz, uma performance realmente admirável. O resto do elenco não decepciona, com destaque para Rush e Fiennes, ambos ótimos. Enfim, um memorável conto, que conquista muito mais do que um livro de história.

Vencedor do Oscar: Maquiagem. Indicado a 6 Oscar: Filme. Atriz (Cate Blanchett). Fotografia. Trilha Sonora Dramática Original. Direção de Arte e Cenários. Figurino.

host_ver6.jpgO Hospedeiro 4 Stars

de Joon-ho Bong. com Kang-ho Song, Hie-bong Byeon, Hae-li Park e Ah-sung Ko. Thriller, 119 minutos. [Gwoemul, 2006] ® 

O cinema oriental continua satisfazendo e surpreendendo e o novo filme de Joon-ho Bong nada mais é que uma quase obra-prima do horror. Dificilmente se verá um filme de monstros tão bem trabalhado e importante como este, que provoca as mais diversas sensações na audiência. Mesclando perfeitamente humor, terror e drama, o filme extremamente bem escrito, segue a busca de uma família caindo aos pedaços pela filha de um deles, que desapareceu com o monstro misterioso. A forma como o filme ataca o governo e os americanos ficou ótima e não só isso, mas as emoções cercando a família soaram extremamente autênticas, algo difícil para o gênero. A atmosfera é sombria e competente, os efeitos visuais valiosos e o diretor nunca deixa a peteca cair, envolvendo, surpreendendo e criando análises válidas sobre sanidade, o ser, o social e uma grande alerta sobre o meio ambiente. Simplesmente irresistível. Vale notar as excepcionais interpretações do seu elenco, todas perfeitas, na maioria das vezes, tocando maravilhosamente no humor e no drama.

day_of_the_dead.jpgDia dos Mortos 4 Stars

de George A. Romero. com Lori Cardille, Terry Alexander, Joseph Pilato e Jarlath Conroy. Terror, 102 minutos [Day of the Dead, 1985]

Ótimo filme de zumbis, realmente me surpreendi, se revelou sendo um dos melhores exemplares (se não o melhor) que já vi do gênero. O cultuado Romero cria aqui uma obra de terror cativante e tensa, realmente conquistadora e efficiente dado a proposta, saindo da mesmice ao introduzir melhor seus personagens e saber cercá-los com terror e angústia no clímax com inventividade, soando genuínamente divertido. Um bom elenco e apesar do óbvio baixo orçamento, muita coisa boa foi realizada aqui, incluindo aspectos originais e psicológicos foram introduzidos ao roteiro e Romero orquestra cenas sanguinárias antalógicas e extremamente memoráveis. O diretor desafia com um estudo aos zumbis, à sua natureza, seus instintos e questiona se eles podem sim, possuir uma conciência. Realmente fiquei impressionado e apesar de longe da perfeição, caindo em muitos buracos ao longo do caminho, fiquei satisfaeito. Precisarei procurar urgentemente os filmes anteriores da trilogia de Romero.

meet_the_robinsons_ver3.jpgA Família do Futuro 3 Stars

de Stephen J. Anderson. com as vozes originais de Angela Bassett, Daniel Hansen, Jordan Fry e Matthew Josten. Animação, 102 minutos. [Meet the Robinsons, 2007] ®

Divertido de se assistir e presenciar, esse novo filme da Disney que decide investir mais no clássico e menos no tecnológico foge à grosseria de muitas animações recentemente lançadas, vide O Segredo dos Animais e O Bicho Vai Pegar, aqui o humor não só é genuíno e inocente, mas divertido, charmoso e conquistador. Além disso, a animação realiza uma extremamente memorável homenagem e declaração de amor ao verdadeiro Walt Disney. Apesar de longe de realmente excelente, é um bom filme que merece ser lembrado e apreciado, possui inventividade de sobra, ótimos personagens e um conteúdo correto, mesmo que não ousado. As vozes também ficaram ótimas e apreciei também a dublagem brasileira, algo raro, mas certos personagens ficaram ainda mais irresistíveis, como o vilão. No final das contas, é este filme que indicaria ao meu filho e poderia apreciar junto a ele.

infamous.jpgConfidencial 3 Stars

de Douglas McGrath. com Toby Jones, Sandra Bullock, Daniel Craig e Jeff Daniels. Drama, 110 minutos. [Infamous, 2006]

São inevitáveis as comparações com Capote, filme lançado com um ano de antecedência que retrata exatamente o mesmo tempo que este Confidencial. A grande diferença são o fato de possuírem visões opostas e particularmente, a demonstrada no belo e competente Capote me seduziu muito mais. O superficialismo em Confidencial deixa tudo muto mais difícil de acreditar, principalmente cercando fatos acerca do romance proibido de Truman Capote e o próprio personagem soou extremamente inverrosímil. Confidencial se mantém assistível, porém, por contar com boas performances do seu elenco grandioso, principalmente a coadjuvante Bullock, magnífica, mas Toby Jones não preenche a lacuna deixada por Hoffman, apesar de competente no papel. O elenco todo brilha, mesmo que os personagens não. O visual também não me conquistou, só digo que fui divertido pelo humor utilizado em momentos e o elo emocional que o filme cria, mas no final das contas, tudo termina friamente e superficialmente. Gostaria muito que o resultado fosse melhor.

first_snow.jpgMarcas do Passado 2 Stars

de Mark Fergus. com Guy Pearce, Piper Perabo, William Fitchner e J.K. Simmons. Drama, 101 minutos. [First Snow, 2006]

É lamentável o fato de que este filme possui uma premissa tão boa, mas que acabou se revelando inadequado e sofrívelmente desgastado ao término da sessão. Poderia ter sido um filme noir intrigante, mas se revelou um drama incrívelmente arrastado e monótono, cujos momentos bons são poucos e cercando o estudo de personagem que de vez em quando conquista. Fora isso, fiquei bem decepcionado e insatisfeito. O roteiro não se desenvolve bem, o diretor cai na mesmice, nunca ousa ou intriga e apesar do elenco possuir seus momentos, não conseguiram salvar o filme da perdição. É mais um exemplar que será esquecido e ganhará poeira na prateleira e preciso dizer, merecidamente. Realmente não merece uma conferida, somente de forma descompromissada poderá ser apreciado, mas mesmo assim, se revelará inadequado de qualquer forma.

primeval.jpgPrimitivo 2 Stars

de Michael Katleman. com Dominic Purcell, Brooke Langton, Orlando Jones e Jurgen Prochnow. Thriller, 93 minutos. [Primeval, 2007]

É fácil perceber, durante a sessão, que Primitivo se acha, a todo tempo, bem melhor do que realmente é. Mas o filme atinge o fim da picada quando seu personagem faz uma ignorante e superficial declaração que diz: “o homem cria seus próprios monstros”. Tal diálogo já é desgastado e é só ver O Hospedeiro, listado acima, que você perceberá a forma incompetente com a qual Primitvo tenta provar sua declaração que apesar de valiosa, soa completamente deslocada da história. Em O Hospedeiro, ninguém precisou declarar, mas ao ler as entrelinhas, dá para perceber. Faltando suspense e divertimento, Primitivo só se sai vitorioso no visual e por ter belos, apesar de ocos, atores à frente das câmeras, por que por trás, acontece verdadeira confusão. O que tinha de bom no roteiro, que cercava os conflitos na Àfrica que iam além do ataque do crocodilo de sete metros, não foi bem utilizado, o que é uma pena, pois daria um filme bem divertido. Enfim, completamente dispensável.

condemned_ver2.jpgOs Condenados 1 Star

de Scott Wiper. com Steve Austin, Vinnie Jones, Robert Mammone e Tory Mussett. Ação, 113 minutos. [The Condemned, 2007]

Um longa verdadeiramente execrável e miserável, é do típo que nunca deveria ter sido feito. Partindo de uma absurda premissa, mas que poderia ter rendido entretenimento se bem estruturada, o filme é oco, vazio, inútil e em momentos, retárdado. Nunca utilizei tal termo para descrever um filme, mas cabe muito bem aqui. Além de possuir um elenco imensamente antipático e nada cativante, fazendo a audiência detestar a todos e torcer por ninguém, o filme investe demais na ação, que não passa de boa coreografia, e simplesmente esquece que não se trata de uma programa de luta livre, mas sim cinema, mas não seria uma denominação correta para esse filme. Isso não é cinema, isto é lixo trágicamente triste e mal utilizado. Para os mais desmiolados, com certeza agradará, bombado com ação, mas quem realmente aprecia algo bom, precisará passar longe, evitando a todo custo o sofrimento e o desprazer.

code_name_the_cleaner.jpgOperação Limpeza 1 Star

de Les Mayfield. com Cedric the Entertainer, Lucy Liu, Nicollette Sheridan e Mark Dacascos. Comédia, 84 minutos [Code Name: The Cleaner, 2007]

Desse filme fiquei com extremo ódio, afinal não só teria que conviver com o fato de que perdi 84 minutos de meu dia precioso, mas fiquei com muita vergonha de Hollywood e de todos nomes por trás do longa, capazes de tanta idiotice e mediocridade. Lucy Liu recebe meus pesames, afinal, uma boa atriz em um lixo como esse soa como suicídio, mas nem sua beleza e versatilidad consegue levantar o filme das piadas inutilmente sem graças, humor desastrosamente irritante, personagens completamente medonhos e uma trama que beira o ridículo. Você pensa que poderiam melhorar no final, mas acontece justamente o contrário. Fiquei com ainda mais ódio do “comediante” Cedric the Entertainer, que ao lado do péssima nome se revela não só um sofrível comediante mas um completo pateta. Fiquei indignado e revoltado com sua incompetência. Desastre aqui é pouco, este filme é uma vergonha e entrará na guerra para definir qual será o pior filme do ano.

®: revisto


Responses

  1. Acho que o maior mérito de “Capote” é a atuação do Philip Seymour Hoffman. No mais, o filme é bem chatinho.

    Gosto muito do filme “Elizabeth”. Direção de arte, figurinos, atuações, tudo perfeito.

    “A Família do Futuro” é somente um filme mediano. Tivemos melhores animações no ano.

    “Operação Limpeza” é um lixo de filme. Também fiquei com vergonha pela Lucy Liu. E dá pena, porque a gente vê que ela se esforça para mostrar algo de bom. Mas, num filme sem história, fica muito difícil.

  2. capote – se nao é o Hoffman era uma total seca

  3. [CAPOTE]
    Um dos filmes que mais me surpreendeu no Oscar 2006. Apesar de ser lento e difícil como eu imaginava, não esperava uma carga dramática tão grande em seus momentos finais. Sem contar, é claro, o desempenho de Philip Seymour Hoffman.
    NOTA: 8

    [CONFIDENCIAL]
    O filme até tem seus méritos: é acessível, fácil, o desempenho de Sandra Bullock e bem humorado. Mas quando comparado com Capote, tudo fica muito inferior.
    NOTA: 6.5

  4. Dessa vez não vi todos, mas comento aqueles que já conferi:

    9.0 [*****] “Capote” – apesar da atuação do Philip S. Hoffman ser o grande destaque, é impossível não reconhecer os méritos da narrativa e a bela direção do Miller.

    8.5 [****] “Elizabeth” – vi há muito tempo, por isso não posso avaliar da maneira correta. De qualquer forma, recordo que a Blanchett rouba a cena e que a produção técnica é ótima (especialmente o trabalho de figurino/maquiagem).

    9.0 [*****] “O Hospedeiro” – um dos melhores filmes desse ano, é forte candidato ao posto de melhor estrangeiro de 2007. Melhor que 90% da produção americana, acerta pela ótima mistura de gêneros.

    7.5 [***] “A Família do Futuro” – como você disse, recentemente tivemos muitas porcarias do nível de “O Bicho Vai Pegar”, por isso essa animação é tão especial, uma vez que traz os bons valores pouco mostrados nas animações atuais.

    8.0 [****] “Confidencial” – as comparações com “Capote” são inevitáveis, mas só fiz isso após o fim da sessão, uma vez que evitei relacionar os filmes enquanto o via. Talvez por isso tenha gostado mais do resultado…

    1.0 [*] “Primitivo” – não só dispensável como execrável! Sem dúvida um dos piores do ano, até agora me arrependo por ter visto.

    Abraço!


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