Publicado por: Wally | Quarta-feira, Dezembro 3, 2008

Um Amor para Toda Vida

Após achar um anel na Irlanda que pertencia a um piloto cujo avião tragicamente caiu, um jovem tenta buscar por quem pertencia o anel, o levando à história de Ethel e seu passado romântico com o piloto, desencadeando sentimentos enterrados e modificando o futuro de sua família.

A história por trás de “Um Amor para Toda Vida” é especialmente bela. Infelizmente, a beleza simples de sua história acerca de amor, paixões, sentimentos e guerra é estilhaçada por um roteiro imaturo que, empregando fórmulas e construindo seus personagens em cima de clichês, decepciona e entrega ao renomado Richard Attenborough um material frívolo. Ainda assim, o diretor que já venceu dois Oscars e entregou tantas obras hoje eternas como “Gandhi” acaba por pecar na própria estruturação de sua narrativa que, almejando complexidade, cai no caótico. Desgasta-se com a melancolia exagerada e decepciona ao nunca soar verdadeiramente autêntico o suficiente para conquistar. A tendência absurda ao melodrama incomoda, o clima “novelesco” desmancha qualquer brilho que a história poderia ter e, em um roteiro irritantemente formuláico, as lembranças ao próprio enredo romântico de “Pearl Harbor” apenas enfraquecem ainda mais o trabalho.

O filme já começa errado, com uma montagem caótica e oferecendo pouco equilíbrio para envolver. A todo o momento nota-se como o roteiro é tão irregular (e com isso, os próprios diálogos fraquíssimos), mas pior ainda o desequilíbrio da direção de Attenborough, que não consegue estabelecer clima ou delinear sua narrativa bem o suficiente para se tornar digerível. Mas, ainda que exista todo este caos narrativo, o arco dramático em si é dos mais típicos e não traz nenhuma novidade. Nisso tudo, encontramos uma tremenda superficialidade, principalmente vinda do elenco jovem completamente fraco. Enquanto Mischa Barton entrega uma cena (já polêmica por mostrá-la nua) onde chora no quarto extremamente artificial, seu par romântico, o insosso Stephen Amell, se revela completamente mecânico e terrivelmente oco. Temos alguns valiosos nomes veteranos, como a ótima Shirley MacLaine, Christopher Plummer e a própria talentosa Neve Campbell. Mas existe muito pouco que podem fazer com seus textos frágeis e personagens falhos.

Se o filme começa bem errado e falha ao conseguir nos situar ou deixar sua narrativa confortável, a partir do momento que os elementos começam a se encaixar tudo começa a finalmente fluir bem. A esse ponto, já se passou muito, mas é reconfortante quando finalmente conseguimos conectar com o filme de alguma forma, ainda que ele não isole seu espírito desanimador do melodrama. As ligações entre o passado e o futuro finalmente conseguem funcionar com plausibilidade. Por outro lado, a narrativa acaba por quebrar quando o filme, que se passava em dois tempos, muda para três, incomodando terrivelmente com a transição repentina. De tempo em tempo, somos presenteados com algumas boas cenas isoladas e algumas idéias interessantes do roteiro. Mas soa pouco demais para compensar a falta de estruturação da obra, e o peso negativo de um roteiro que sacrifica sempre construção de personagem por momentos dramáticos pífios.

No todo, a obra em si segue à risco o tom tradicional, atribuindo a si mesmo apenas qualidades elementares. O fim é previsível, o clímax, pouco emocionante. E o desenrolar em si da história nunca empolga, comprometendo o próprio ritmo. Faltam momentos chaves, que isolem o melodrama e abracem sentimento verdadeiro. Nada de chororós mal acabados dentro de quartos. A cena dos segredos que os personagens enterram numa parede é ideologicamente boa, mas infelizmente maltratada por diálogos feios, atuações toscas e um acabamento deplorável. Momentos como estes que deveriam ser usados para peso dramático. Há muito drama aqui, mas existe pouca sinceridade e, com isso, intensidade. O formato redondo não permite e a falta de emoção se revela um peso contra. Apesar de ter qualidades sustentáveis, uma história boa e um ou outro momento que decide ser mais introspectivo aos personagens, o resultado em si é insatisfatório pelo alto número de pecados realizados tanto pelo diretor quanto pelo roteirista. É uma série de má escolhas e um exemplo bruto de um romance fraco e de drama deficiente. Em suma, completamente passável e descartável.

Nota: 5,0

Closing the Ring (2007)
Direção:
Richard Attenborough
Roteiro: Peter Woodward
Elenco: Shirley MacLaine, Christopher Plummer, Neve Campbell, Pete Postlethwaite, Martin McCann, Gregory Smith, Mischa Barton, Stephen Amell
[Drama, 118 minutos]

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Responses

  1. Não tenho muito interesse nem tinha ouvido muito sobre o filme… talvez passe despercebido por mim…

    abraços

  2. Talvez veja esse filme em DVD (se não me engano, já está disponível por aqui), mas realmente não tenho expectativa alguma, ainda mais depois de seus comentários. O Attenborough nunca foi um diretor de muita personalidade e com a Mischa Barton no elenco é que não deve ser grande coisa mesmo…

  3. Wallyson vc gosta de assistir filmes ruins?

  4. Wally, a coisa tá feia, amigo… Muitos filmes ruins, hein…

    Mas WEST SIDE STORY é cinco estrelas, rapaz!

    Abs!

  5. Fico triste por ver um filme bem qualquer coisa sendo rodado pelo feitor da obra-prima ”Gandhi”. Richard Attenborough não vai muito bem… rs

    Abraços, Wally!

  6. Eu adoro filmes neste estilo, mas fico muito triste quando leio que o bom material é tratado de forma errada e frívola pelo diretor. E olha que o Attenborough não é nenhum inexperiente…..

  7. O jovem elenco é fraco, a história prevísivel, certinha demais e como ponto positivo temos veteranos tentando segurar as pontas.

    Richard Attenborough fez filmes bem melhores como “Gandhi” e “Um Grito de Liberdade”.

    Abraço

  8. Já vi muitas vezes esse filme na locadora mas sempre estava locado (o que aumentava minha curiosidade), mas depois de sua crítica, não quero nem pensar nele…

    Abraço!

  9. Eu ia comentar o que outros ja disseram: vc nao ta numa maré de filmes das melhores, ne? Tente coisas mais antigas! Porque nas prateleiras de lançamento a coisa ta feia…

    Abraços!

  10. Nem mesmo com o avançar da idade Attenborough insufla fôlego novo a suas obras como diretor, ao contrário de um Eastwood. Pena, pois o elenco é interessante e a trama, promissora.

    Cumps.


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