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Em uma mansão calma e isolada, rica em sofisticação e ’status’, reside Andrew, um escritor famoso que encontra o seu desafio-mor no intrigante Milo, um jovem aspirante à ator que, pretendendo fugir com a esposa de Andrew, da qual já fazia amor há tempos, confronta-o em um desafio perigoso de mentes brilhantes e ousadas.
É necessário estabelecer, antes de mais nada, que este instigante “Um Jogo da Vida ou Morte”, dirigido pelo sempre poético Kenneth Branagh é, na verdade, uma refilmagem de um cultuado “Jogo Mortal”, de 1972, um filme consagrado que consistia em um embate psicológico entre dois atores grandes de seu tempo: Laurence Oliver e Michael Caine. Infelizmente não tive a oportunidade de conferir este filme original, que por sua vez é baseado em uma peça teatral, mas vale notar que Caine, ator que interpretava um papel no filme original, agora retorna mais de 30 anos depois para o mesmo roteiro, mas abordando o outro personagem. No seu lugar, o talentosíssimo Jude Law. Então analisemos a equação: dois atores britânicos simplesmente estupendos, um roteiro elogiado e um diretor poético. Os fatores só poderiam levar à um produto positivo e, apesar das falhas triviais dessa nova visão de confrontos mentais, o resultado é uma refrescante volta ao que há de melhor no cinema: diálogos, atuações e pura psicologia.
O clima do filme é, em seu todo, teatral. Afinal, é um filme que possui apenas dois atores oficiais em toda sua curta duração. É notável, portanto, os admiráveis recursos técnicos e visuais utilizados por Branagh para ocultar essa óbvia atmosfera e se libertar dos limites teatrais. Utilizando de um tom azulado misterioso e perfeito, o cineasta e sua equipe técnica utilizou de nova tecnologia e criou um local de filmagem arrebatador. A mansão do filme é puro artifício técnico, em uma direção de arte minuciosa e bem realizada, abusando do refresco da nova era digital em seus elementos. Não só isso, mas a fotografia foi essêncial para nos situar naquele clima sombrio e os movimentos de câmera são, no mínimo, ousados e certeiros. Também vale notar a bela trilha sonora, sempre onipressente e elegante. Em suma, a parte técnica do filme é uma venerável e traz ao filme exatamente o escapamento dos limites teatrais que o envolvia, do qual ele tanto necessitava se libertar para funcionar essencialmente como cinema. Mesmo que fique, em diversos momentos, aquela impressão teatral em vezes ofegante, é claro que Branagh não só percebeu o que necessitava ser feito, mas cumpriu sua obrigação.
A virtuosidade desse filme porém, reside em seus diálogos (que, vale notar, não são originalmente seus) e na força tour de force dos atores que entregam tais diálogos com uma intensidade incontestável e um talento primoso para caracterização, pronúncia e percepção psicológica. Michael Caine desponta, obviamente, como um ator mais experiente e que, formidávelmente, já havia personificado o lado antagônico. Deve ter sido ao menos divertido para Caine, interpretando os dois lados da moeda. Ele está impecável no filme, em todos os aspectos. Mas é de se elogiar o quão Jude Law, tão mais novo que ele, chega bem perto dessa maestria desenvolvida pelo veterano. Law é puro charme, estilo e sim, muita intensidade. O filme todo consiste em uma luta voraz de mentes, egos e corpos (um diálogo genial têm Milo refletindo sobre o dito “a mente é o corpo”) e trata de trapaças, enganações, perversões e sangue frio. É, portanto, uma briga de monstros. E ambos atores encarnam de corpo e alma estes tais monstros. Certo momento do filme nos coloca no lugar de um dos personagens e somos enganados exatamente da mesma forma que ele, mas não exatamente por causa do diretor, mas por causa do talento do ator que personifica aquele que nos manipulou. É puro êxtase. E o melhor de tudo, não adrenalina e excitação por ação, explosões e efeitos especiais, mas pelo fascínio da mente humana e virtudes naturais do cinema contidas no filme, como as já mencionadas atuações e os diálogos.
Como um pacote cinematográfico de 86 minutos, a obra apresenta diversas falhas e pode, enfim, repelir uma audiência mais seletiva. E quando digo seletiva eu me refiro àqueles que não estão ligados aos fatores mais naturais do cinema. O ritmo é lento, o ambiente, único e o elenco, consistente de apenas dois atores. É puro diálogo, jogos psicológicos, briga de egos e dois homens presos em encruzilhadas de desejo, mentiras e investigação. Toma alguns rumos desnecessários, como um momento que resgata um teor homossexual, não inapropriado, mas não conduzido de forma que funcionasse de forma verossímil. E o desfecho, deixado em uma ambigüidade mortificante. O filme, porém, é um bom lembrete dos fatores mais virtuosos do cinema e que se encontram em maior escassez nos dias de hoje. O humor negro com seus diálogos secos e ironizados, por exemplo, roubam a cena. Pode ser apenas uma reciclagem de um roteiro genial já usado, mas Branagh soube filmar essa reciclagem e, melhor, os atores souberam personifica-la com uma perfeição quase simbólica.
Nota 7,0
Sleuth (2007)
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Harold Pinter, baseado na peça de Anthony Shaffer
Elenco: Michael Caine, Jude Law, Harold Pinter, Carmel O’Sullivan
[Thriller, 86 minutos]
Corpos, mentes e egos
CORAÇÃO DE TINTA ♦♦
Eu também sou um que nunca encontrou o filme original para assistí-lo. E esse motivo é o único existente para eu não ver esta refilmagem. É difícil ver um filme que seja “limitado” em diversos aspectos, como o uso de um único ambiente e um número pequeno de integrantes de todo um elenco. Mas os filmes com estas características costumam me agradar bastante.
Por: Alex Gonçalves em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 4:24 am
Um duelo interessante entre duas gerações diferentes de actores. É uma história que começa de forma atraente, mas com um desenvolvimento em que o seu fulgor se vai perdendo até ao final mais que previsivel.
6/10.
Abraço.
Por: Red Dust em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 10:11 am
Wally,
Eu (Miojo) e Nespoli somos do Espírito Santo =) Mais precisamente de Vitória. O próprio Nespoli também trabalhava em uma locadora, a Video Home, em Jardim da Penha. Então é bem provável que seu casal conhecesse um de nós.
Por: O Cara da Locadora em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 11:04 am
Tô muito curioso quanto ao filme, mais pelo jogo de gato e rato mesmo (e o elenco).
Por: Lucas [falsooperario] em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 4:26 pm
Só estou curioso em relação a esse filme por causa da dupla de protagonistas, uma vez que as críticas não foram muito favoráveis e a trama não chama tanto a atenção – sem falar nessa curta duração que quase sempre é fatal…
Abraço!
Por: Vinícius P. em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 6:20 pm
Eu não conferi nem o filme original nem este remake. Mas, gosto muito dos três nomes envolvidos no projeto e, se conferir “Um Jogo de Vida ou Morte”, será por causa deles. Agora, confesso que me preocupo com esta história do ritmo do filme ser lento, porque, geralmente, não gosto de longas assim.
Bom final de semana!
Por: Kamila em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 6:40 pm
Pra mim Caine é o cara… ele é muito bom ator… acho que os filmes com ele valem a pena ser vistos!
Por: Robson Saldanha em Sexta-feira, Setembro 26, 2008
às 6:41 pm
Wally, não assisti a esse filme, mas tem muita gente boa envolvida (não só Caine e Law, mas Brannagh tb é um diretor muito competente), então se tiver uma chance, devo conferir.
Abraço!
Por: louisvidovix em Sábado, Setembro 27, 2008
às 4:32 am
Pô, Wally! Não vi esse! Já está em DVD? Abs!
Por: Otavio Almeida em Sábado, Setembro 27, 2008
às 2:50 pm
Confesso que estou bem curiosa para conferir. Adoro o trabalho de Bragnah na direção e acho que o filme, mesmo sendo tão intimista, deve funcionar bem.
Beijocas
Por: Cecilia em Sábado, Setembro 27, 2008
às 2:53 pm
Ainda não vi este filme, mas certamente assistirei à espera de um bom passatempo, e é claro, mais uma interpretação sutil e inconfundível do GRANDE Michael Caine. E concordo com o Vinícius: poucos filmes conseguem mostrar a que vieram em tão pouco tempo (86 minutos!?)…
Por: Weiner em Sábado, Setembro 27, 2008
às 4:55 pm
Um embate psicológico entre um grande ator de todos os tempos e outro desta geração? A ver, definitivamente.
Por: Gustavo H.R. em Domingo, Setembro 28, 2008
às 12:33 am
Acho que vou assisti-lo um dia desses, apesar de não ter uma sinopse muito animadora e também tá meio difícil de achar nas locadoras.
Abraço
Mateus
Por: Mateus em Domingo, Setembro 28, 2008
às 2:53 pm
Wally, sou fã do Caine. Entretanto, esse filme não me desceu por várias coisas… tem muita falha na direção =/
Abraços!
Por: Kau em Domingo, Setembro 28, 2008
às 3:15 pm
Ainda não tive a oportunidade de assistir… quem sabe nesses dias…
vlws
Por: Sérgio Déda em Domingo, Setembro 28, 2008
às 3:46 pm
Eu gosto muito do Michael Caine, mas prefiro quando ele escolhe papéis mais marcantes, que necessitem uma entrega maior sua, onde abra espaço para seu real talento aparecer. De qualquer forma, vou ver o filme logo, logo!
Abraço, Wally!
Por: Pedro Henrique em Domingo, Setembro 28, 2008
às 5:04 pm
Alex esses filmes igüalmente constumam me agradar e com este não foi diferente. Independente de ter visto o original, procure ver este.
Red Dust também tive problemas com o final. Mas os atores e os diálogos me satisfizeram o bastante.
Miojo legal então! Quem sabe agente se conhece depois… ;)
Lucas o elenco (e o jogo) são as atrações principais.
Vinicius nesse caso a curta duração ajuda a sessão a não ficar cansativa, uma vez que o ritmo é lento. Mas a dupla de atores faz valer o ingresso.
Kamila veja o filme pelos nomes envolvidos que não irá se decepcionar. Mesmo com o tal ritmo lento, que por sua vez, nem faz transparecer graças à rápida duração.
Robson ele é brilhante mesmo! Mas Law prova que não está muito atrás.
Louis confira sim. O filme é, no mínimo, interessante.
Otavio chegou em DVD, sim!
Cecília é o fato de ser intimista que o faz funcionar melhor. E o elenco é um primor.
Weiner como disse ao Vini, a duração ajuda o filme a não nos cansar, graças à seu ritmo lento. Mas a sessão vale mesmo pelos atores envolvidos.
Gustavo e é por isso que o filme é tão bom!
Mateus uma pena que esteja dificil de ser encontrado. Não é grande coisa, mas vale pelos atores, ao menos.
Kau a direção é falha mesmo, mas o filme em sí me agradou pelos atores e pelos diálogos.
Sérgio vale a pena, a meu ver.
Pedro e não é que sua descrição de uma atuação marcante de Caine é o que realmente acontece no filme? O filme todo é centrado nele e em Law e, por isso, o motriz está nas atuações deles, ambas vibrantes, virtuosas e intensas.
Por: Wally em Domingo, Setembro 28, 2008
às 9:31 pm
Não assisti o original e nem esta refilmagem, porém deve ser interessante, gosto dos filmes de Kenneth Branagh.
Abraço
Por: Hugo em Domingo, Setembro 28, 2008
às 11:32 pm
Hugo Branagh está falho aqui. Mas o show é mesmo dos atores e dos diálogos, sensacionais!
Por: Wally em Domingo, Setembro 28, 2008
às 11:38 pm
Fiquei bem interessado! Procurarei tanto este quanto o original… Valeu pela dica!
Por: André Renato em Quinta-Feira, Outubro 2, 2008
às 3:52 am
André procura sim! Estou doido atrás do original…
Por: Wally em Sábado, Outubro 4, 2008
às 3:53 am